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O piloto português renovou pela KTM em maio e vai continuar a correr pela equipa satélite, a Tech 3

SOPA Images/LightRocket via Gett

O piloto português renovou pela KTM em maio e vai continuar a correr pela equipa satélite, a Tech 3

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Miguel Oliveira. "Era um sonho tornado realidade. Mas Portugal não tem o aspeto monetário para ter Moto GP" /premium

O Moto GP ainda não tem data para começar mas Miguel Oliveira está pronto para voltar. Em entrevista, falou com o Observador sobre os objetivos, o isolamento e a vontade de participar num rali.

Natural de Almada, 25 anos, piloto de Moto GP. Já é raro existir um português que não saiba fazer esta simples apresentação de Miguel Oliveira. Afinal, trata-se do expoente máximo do motociclismo português: o primeiro a ganhar uma corrida, o primeiro a ser vice-campeão mundial em qualquer categoria, o primeiro a subir ao Moto GP. A juventude, aliada à ideia consolidada de bom menino, tornou-o uma das figuras favoritas dentro do desporto nacional. E Miguel, assente nessa perceção positiva, alavancou o renovado interesse dos portugueses pela prova rainha do motociclismo, esvaziado desde que as motas deixaram de rasgar o alcatrão no Estoril.

[Ouça aqui a entrevista a Miguel Oliveira no programa “Nem Tudo o Que Vai à Rede é Bola” da Rádio Observador]

Miguel Oliveira: “Assumido, quero ficar no top 10”

Com sete corridas canceladas e outras quatro adiadas, o Mundial 2020 de Moto GP será tudo menos normal. Severamente afetado pela pandemia de Covid-19, ainda não tem data oficial para começar, ainda não são conhecidos os moldes, ainda não estão definidos todos os circuitos. Pelo meio, os pilotos e as equipas não puderam realizar os habituais testes para afinar e trabalhar as motas que iriam entrar em competição.

Em entrevista ao programa “Nem Tudo o Que Vai à Rede é Bola”, da Rádio Observador, Miguel Oliveira falou sobre a renovação com a KTM, o facto de não ter sido o escolhido para subir à equipa principal e ainda as dificuldades do isolamento. E ainda abordou a possibilidade de Portugal receber uma corrida, a vontade de participar num rali no futuro e o objetivo principal: ser campeão do mundo de Moto GP.

O piloto português prepara-se para completar a segunda temporada da carreira no Moto GP

ANTONIO GARCIA/EPA

Depois de uma primeira época no Moto GP marcada por algumas dificuldades, como aquela lesão já no fim da temporada, entrava para este ano com uma grande ambição. O que é que estes sucessivos adiamentos do início do Mundial podem implicar para si e para a própria modalidade?
Para já, a ambição de fazer bem esta época continua lá. E eu sei que, de uma forma ou de outra, nós vamos começar o campeonato. As implicações que terá, não sei ao certo. O que é certo é que estamos todos a viver um grande clima de ansiedade, por não termos ainda aquela confirmação oficial de quando é que vamos voltar às pistas. E isso tem-nos mantido a todos um bocadinho nas pontas dos pés porque estamos todos muito expectantes para voltar. Acho que o público, os adeptos, estão também com muita vontade de voltar a ouvir as motos em pista e de voltar a ter aquela atividade de fim de semana que distraía, de alguma forma, da vida de cada um. Existia ali um elo de ligação para os portugueses, por terem lá um português a correr. Acho que se o campeonato voltar, vai voltar em grande. E vai voltar com muita afición, com muita gente a querer ver as corridas. É isso que eu espero.

Depois deste primeiro ano, já com uma temporada de experiência, acredita que pode alcançar um lugar no pódio? É esse o objetivo principal?
Julgo que este ano tínhamos — e temos — muito mais vontade, muito mais experiência e melhores armas para podermos continuar a marcar resultados dentro do top 10. E obviamente que quanto mais perto do topo nós estamos, maior possibilidade temos de terminar no top 5, terminar no pódio. Portanto, acho que é uma realidade. Temos trabalho pela frente, temos uma competição muito aguerrida. Os outros construtores, as outras marcas, têm motos muito competitivas este ano. O campeonato está mais apertado do que nunca, do primeiro ao último classificado. Não é fácil, de todo, mas a ambição de toda a estrutura, de toda a KTM, é muito grande e é de vencer. Temos de o fazer o mais rápido possível. Logicamente, estes passos são dados de forma calculada. Quando se trabalha, trabalha-se sempre para o máximo, todos trabalham para o máximo. Em alta competição, o resultado acaba por ser fruto desse mesmo trabalho. É nesse processo que nos estamos a focar agora, tendo o resultado como meta mas não como foco principal. O importante agora é mesmo focar-nos no trabalho que temos pela frente, de melhorar esta mota.

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Precisamente sobre a mota: este ano a mota da Tech 3 vai ter as características das motas da equipa principal da KTM?
Sim, a equipa está formulada com o objetivo de termos quatro motas iguais em pista porque nesta fase de projeto não faz sentido serem diferentes. Não faz sentido para nenhuma marca onde o desenvolvimento está a ser feito cada vez mais rápido e onde as necessidades são cada vez maiores. Ter quatro motas iguais em pista ajuda muito a desenvolver a projeto, a informação recolhida é sempre sobre a mesma matéria. Da grelha de 22 pilotos do Moto GP, neste momento, 20 motas são oficiais. Apenas duas Ducati é que são motas satélite — e mesmo assim são do ano passado, é uma mota que foi vice-campeã do mundo [com Andrea Dovizioso]. Não faria sentido para nenhum construtor ter um projeto com motas com material diferente, neste momento.

Na época passada, Miguel Oliveira ficou no 17.º lugar da classificação geral

Getty Images

Até que ponto é que poderá ser problemático não ter tido aquele período normal para trabalhar e afinar a mota? Não só para si mas para todos os outros pilotos.
Esse período, apesar de ser igual para todos, acho que vai ser um pouco mais prejudicial para nós. A KTM tem, naturalmente, o menor tempo de pista e a menor experiência de entre todos os outros construtores. Acho que quanto mais tempo passarmos em pista, mais benéfico seria para todo o projeto. É de lembrar também que toda a estrutura da equipa de testes não pode sair para fazer testes, o que era algo que, menos não estando nós a correr em pista nos Grandes Prémios, era um trabalho que estava a ser feito por trás que talvez não fosse tão visto ou reconhecido mas é muito importante para nós.

Estar no Moto GP era um sonho, é aliás o sonho de todos os pilotos que estão nas categorias inferiores. Depois de ter chegado lá, é tudo aquilo que esperava que fosse? Ficou desiludido ou impressionado, por outro lado, com alguma coisa pela qual não esperavas?
Sem dúvida de que quando estamos noutras classes não nos apercebemos da dimensão que tem o Moto GP. Mas quando nos tornamos um piloto de Moto GP, parece que tudo o resto é secundário. E é realmente, é um circo mediático muito grande que gira em volta de toda a competição, logicamente, mas em particular do Moto GP. Superou as minhas expectativas. Ter alcançado esse objetivo de chegar ao Moto GP foi, sem dúvida alguma, um superar de expectativas.

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O Miguel renovou contrato em maio com a KTM, depois de alguma indefinição. Está satisfeito com a maneira como as coisas acabaram e com aquilo que vai ter agora em 2020?
Sim, eu acredito que escolher a equipa certa, as pessoas certas, é essencial. Foi essa liberdade que eu tive dentro da estrutura da Tech 3, uma estrutura com imensa experiência, e que tanto tem ajudado a KTM. A mota sofreu um grande reajuste de filosofia de construção de 2019 para 2020 e essa mudança deve-se, em grande parte, ao contributo que a Tech 3 trouxe a todo o projeto. Toda a equipa técnica que integrou a Tech 3 com experiência de ter estado noutro construtor no passado trouxe uma visão mais refrescada a todo o projeto e isso nota-se na construção de esta mota de 2020, que é completamente diferente da do ano passado.

"Sem dúvida de que quando estamos noutras classes não nos apercebemos da dimensão que tem o Moto GP. Mas quando nos tornamos um piloto de Moto GP, parece que tudo o resto é secundário".

E como é que ficou resolvido aquele episódio do Brad Binder para a equipa principal? Já está tudo resolvido ou o facto de terem escolhido um rookie quando já tinham o Miguel com um ano de experiência ainda incomoda?
Não, as coisas ficaram resolvidas na altura. Essa opção foi-me colocada e eu simplesmente escolhi ficar na Tech 3. Isso é um assunto mais do que arrumado e esclarecido entre as duas partes. Mas não escondo que a minha ambição é, sem dúvida, ir para a equipa principal. Logicamente que isso é um dos meus maiores desejos, já o expressei à KTM, é sabido por toda a gente.

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Está o horizonte, então, essa subida.
Sem dúvida, sem dúvida alguma. Não faria sentido para um piloto como eu, que sabe que tem capacidades para vencer corridas, ambicionar estar numa equipa que não a principal em qualquer construtor.

No próximo ano? Ou mais para a frente?
Digo no futuro. Um futuro próximo.

Estivemos mais de dois meses em isolamento. O que é que fez neste tempo de paragem para se ocupar e o que é que um piloto consegue fazer nesta altura?
Foi complicado para todos. Durante as primeiras três, quatro semanas, estava sempre na expectativa de que o campeonato pudesse voltar. Abril, para mim, seria o mês em que voltava às competições e era nisso que eu acreditava. Mas semana após semana havia corridas a ser canceladas e datas a ser reajustadas para outra altura do ano e isso fazia com que perdesse um bocadinho a esperança de o campeonato voltar brevemente. E quando toda a situação se empolou para um nível mundial, aí sim percebi — com o adiamento dos Jogos Olímpicos, do Europeu de futebol — que realmente a situação era grave. E obviamente que, aí, se compreende e tenta-se ocupar o tempo com mil e uma coisas. Mas aproveitei sobretudo para refletir e para pôr algumas ideias no sítio e perceber que para mim o motociclismo, as corridas, são sem dúvida uma parte essencial da minha vida e da minha razão para me levantar todos os dias. Quem pensa que é apenas uma atividade de fim de semana, não é. É um trabalho a full time.

Natural de Almada, o piloto foi vice-campeão mundial de Moto 3 em 2018

AFP via Getty Images

E que indicações é que foi recebendo da equipa? Enquanto estava em casa, o que é que lhe foi sendo dito sobre o que se estava a passar?
Tenho a vantagem de que o meu patrão de equipa [Hervé Poncharal] é o presidente da Associação de Equipas, é presidente da IRTA, que é uma associação que regula todas as equipas do Moto GP. Portanto, ele tem um papel muito ativo naquilo que são os acordos com circuitos e sabe o que se passa. O contacto era imenso — não diário, porque tornava-se chato, mas muito frequente –, para me manter a par de tudo. Mas chegou a uma altura em que as alterações já eram tantas, as leis mudavam de dia para dia, que tornou-se difícil para todos mantermo-nos a par daquilo que se estava a passar. Houve uma fase em que escolhi simplesmente desligar disso e ficar à espera da data oficial para voltar às corridas.

Houve entretanto uma série de corridas que foram adiadas, outras canceladas. Tem alguma indicação de que o Moto GP possa passar pelos circuitos portugueses, Portimão e Estoril? Uma hipótese que também já foi levantada na Fórmula 1, pelo facto de na Europa a pandemia estar mais controlada.
Sem dúvida alguma de que a hipótese de o Moto GP vir a Portugal esteve em cima da mesa. Honestamente, carece sempre do aspeto monetário que Portugal, neste momento, julgo que não tem disponível para ter cá a prova. Automaticamente, exclui-se o Grande Prémio de Portugal do calendário. A organização tem de garantir a estabilidade económica de todas as equipas e, por outro lado, tem de garantir que as coisas se fazem com o nível de exigência reconhecido pela Dorna, que é quem organiza o campeonato. Para mim, não escondo que era um sonho tornado realidade. O que é certo é que essa decisão, se me coubesse tomá-la, era automático, era vir para Portugal. Mas não é e as coisas são mais complexas do que se pode imaginar e neste momento Portugal parece não estar no horizonte da Dorna em 2020.

Disse há pouco tempo, numa entrevista, que cumpriu um sonho de criança quando ouviu o hino nacional no Grande Prémio de Itália, ainda em Moto 3, depois da sua primeira vitória. Qual é o sonho de criança que ainda lhe falta cumprir?
Um deles é vencer uma corrida de Moto GP em Portugal. Vai ter de acontecer, de uma maneira ou de outra. E o outro é ser campeão do mundo de Moto GP, sem dúvida alguma. Estar entre os melhores dos melhores já é fantástico, é indescritível, mas ser o melhor deles todos é que seria a cereja no topo do bolo. E é para isso que eu trabalho. E sinto realmente e acredito que tenho capacidade para isso.

"Aproveitei para refletir e para pôr algumas ideias no sítio e perceber que para mim o motociclismo, as corridas, são sem dúvida uma parte essencial da minha vida e da minha razão para me levantar todos os dias. Quem pensa que é apenas uma atividade de fim de semana, não é. É um trabalho a 'full time'".

Há duas semanas, Valentino Rossi disse que vai esperar para ver como está no final de 2020 e depois logo decide o que faz com a carreira. Mas agora, numa entrevista mais recente, parece que está quase a atirar a toalha ao chão, no sentido de poder reformar-se muito em breve. O Rossi foi o ídolo de infância do Miguel e uma referência para muitos pilotos. Como é que foi este ano de 2020 ao lado dele? E que legado é que vai deixar no Moto GP?
O legado do Valentino transcede qualquer expectativa que se possa ter sobre algum desporto. Temos várias figuras desportivas em várias modalidades que puseram essa modalidade noutro nível e o Valentino foi uma dessas pessoas, que elevou o nível do Moto GP e de todas as corridas a outro patamar. Não só a nível de condução mas também a nível mediático. Tornou-se um ícone e uma referência para todos, o legado que ele vai deixar — e a inspiração que ele deixa — vai continuar a ser imenso para muita gente. Mas tudo tem um fim. Acho que seria um pouco inglório o Valentino retirar-se numa temporada atípica como esta, de 2020, e tenho a esperança de que ele faça mais uma época e se possa retirar com a dignidade e com um campeonato mais normal, que é o que ele merece.

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Durante este isolamento, para lá das corridas virtuais de Moto GP, participou também no Rali de Portugal virtual, a convite. Isto foi só uma brincadeira ou gostava de experimentar também conduzir carros em vez de motos na vida real?
Gostava de fazer um rali, gostava muito. O Rali de Portugal virtual foi simplesmente uma brincadeira mas é minha vontade, já assumida, fazer uma corrida a sério.

Em 2020, acha que vamos ter uma época em que ao invés de termos um Márquez vamos ter dois Márquez sempre lá na frente? Ou acha que vai ser muito mais aberto, um pouco à semelhança do que aconteceu até grande parte da última temporada?
Depende muito da escolha dos circuitos. A escolha dos circuitos parece ser muito mais vantajosa, nos papéis, para o [Marc] Márquez do que propriamente para outros pilotos. Se bem que tudo é possível num campeonato tão curto. O pensamento a longo prazo e talvez o risco que cada piloto está disposto a tomar vão ser muito maiores. E isso poderá baralhar muito as contas, corrida a corrida. Vai ser, certamente, um campeonato interessante de acompanhar.

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O ano passado terminou em 17.º no Mundial, ainda que tenha falhado as últimas provas. O que é que era um bom resultado este ano?
Para mim, é já assumido que a minha vontade é terminar dentro do top 10. É um resultado muito ambicioso da minha parte mas sinto-me com capacidades para o fazer. Depende de muitos fatores mas sem dúvida alguma que, para mim e para toda a estrutura da KTM, terminar um campeonato dentro do top 10 é algo que nós sentimos que é um objetivo possível de alcançar já este ano. Sendo a temporada atípica como é, será sempre complicado de avaliar à partida. Mas nós sentimo-nos com capacidade para isso.

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