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A antiga jogadora de basquetebol tem 51 anos e terminou a carreira em 2012
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▲A antiga jogadora de basquetebol tem 51 anos e terminou a carreira em 2012

▲A antiga jogadora de basquetebol tem 51 anos e terminou a carreira em 2012

"Não recebi um dólar da WNBA depois de deixar de jogar e foram 15 anos de muito suor." As novas lutas de Ticha longe dos cestos

É reconhecida nos EUA e anónima no Colombo, mas garante que até agradece. Aos 51 anos, Ticha Penicheiro estreou um documentário contado na primeira pessoa e quer agora ser exemplo para a nova geração.

Ticha Penicheiro terminou a carreira há mais de uma década. Chegou a terminar o curso de Comunicação Social, afastou a possibilidade de ser treinadora, nunca escondeu que queria ficar ligada ao basquetebol feminino e descobriu uma maneira de o fazer — ser agente de jogadoras, garantindo a possibilidade de trabalhar em qualquer lugar e mantendo o objetivo de inspirar as novas gerações.

Os últimos meses, porém, foram de reconhecimento próprio. Para além de ter entrado no Hall of Fame da FIBA, sendo que já fazia parte do Hall of Fame da WNBA, a portuguesa natural da Figueira da Foz acabou de ver estrear “Feel the Magic”, um documentário contado na primeira pessoa que mostra o percurso de Ticha Penicheiro desde a infância até aos dias de hoje — passando pela ida para os EUA, a entrada na novíssima WNBA, o campeonato conquistado em 2005 e a afirmação como uma das melhores bases de sempre.

Aos 51 anos, a viver em Miami mas atualmente entre Lisboa e Figueira da Foz precisamente para a estreia do documentário, Ticha Penicheiro falou com o Observador e abordou a luta por um novo contrato coletivo na WNBA, as mudanças no desporto a partir do momento em que Donald Trump voltou a ser presidente dos EUA e a falta de cultura desportiva em Portugal. E garante que existe uma portuguesa que tem tudo para chegar à melhor liga de basquetebol feminino do mundo.

▲ O documentário conta com várias imagens inéditas de Ticha Penicheiro em família — recordando o pai, que morreu em 2023

Alguma vez lhe tinha passado pela cabeça que podia ser protagonista de um documentário?
Não, muito honestamente não. O documentário já é falado há mais de dois anos, enviámos as gravações há mais de dois anos. Neste momento é sentir um bocadinho de alívio e de felicidade por as pessoas poderem ver o produto final. E eu também, porque ainda não tinha visto a versão final. Portanto, foi como se estivesse a ver pela primeira vez. Mas claro que nunca na vida pensei que a minha história fosse suficientemente boa para fazer um documentário.

Como é que tinha tantas imagens da infância e dos tempos em que jogava ainda em Portugal?
Tinha muitas cassetes VHS. Hoje em dia os jovens nem sabem o que é isso, mas tinha um monte delas com filmagens de muitos jogos de Seleção, de juvenis, de camadas jovens. Muitos pais gravavam e a Seleção também gravava, por vezes. A minha casa era quase um museu dessas coisas todas que tinha guardadas e que passei depois para eles fazerem a busca e a procura por aquilo que queriam no documentário. Tive alguma sorte por ter essas relíquias, que contam a história ainda melhor.

Como é que é estar ali sentada a assistir a um documentário sobre si, com tantas pessoas de renome internacional a falarem sobre a carreira que teve e o impacto que provocou?
É overwhelming. Para mim é mesmo surreal, é como se tivesse de me beliscar para saber que aquele documentário é sobre mim, sobre a minha pessoa, com aquelas pessoas que participaram a falar sobre mim. É mesmo um bocadinho surreal. É nostálgico, é emocionante e é uma montanha-russa de emoções que apareceram todas ao mesmo tempo no dia da estreia.

"O documentário já é falado há mais de dois anos, enviámos as gravações há mais de dois anos. Neste momento é sentir um bocadinho de alívio e de felicidade por as pessoas poderem ver o produto final. E eu também, porque ainda não tinha visto a versão final. Portanto, foi como se estivesse a ver pela primeira vez."
Ticha Penicheiro

O título do documentário, “Feel the Magic”, está muito ligado às comparações com Magic Johnson, sendo que até foi ele que lhe deu a alcunha “Lady Ticha”. Foi sempre a maior inspiração? Ou teve outros ídolos pelo meio?
Acho que até comecei por gostar mais do Michael Jordan. Não havia tanto acesso a jogos, pelo menos não como temos hoje, e quando estava mesmo a começar a gostar de basquetebol os Chicago Bulls estavam sempre nas Finals. E eu até tinha a oportunidade de ver as Finals em direto às tantas da manhã e em casa de um amigo meu que conseguia apanhar um canal norte-americano. Eu e o meu irmão íamos sempre para casa dela ver as Finals em direto. Por isso, sim, acho que o Michael Jordan foi o ídolo principal da minha juventude. Mas depois apareceu o Magic Johnson… Pela maneira como jogava, pela posição em que jogava, a comparação era quase inevitável. Foi uma grande referência para mim, claro.

O documentário também mostra aqueles primeiros anos nos EUA, ainda na universidade e antes do início da WNBA. Nunca se arrependeu de ter ido para lá, de estar tão longe da família?
Nunca. Sabia que era a decisão certa, sempre. Nunca tive nenhum arrependimento. Claro que houve dias em que as coisas não corriam tão bem, as saudades apertavam um bocadinho mais, mas sabia que estava ali por um motivo e tinha sempre o foco de chegar ao fim e de cruzar a meta. A WNBA não existiu até 1997, ou seja, nos primeiros anos de universidade nem sequer tinha esse objetivo de jogar na WNBA. Começou a falar-se na possibilidade de existir uma liga feminina depois dos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, e quando tudo começou em 1997, aí sim, passou a ser o meu grande objetivo. Mas antes o que eu queria era acabar o curso, crescer como jogadora e como mulher e depois voltar para a Europa para jogar na Europa.

É filha de jogador e treinador de basquetebol, irmã de jogador de basquetebol. Mais do que um sonho próprio e individual, sentia que estava também a concretizar o sonho da família inteira?
Sim. O meu irmão mais velho, tem quase mais cinco anos do que eu, sempre teve o sonho e o desejo de ir jogar para os EUA. Acabou por não ir e acho que me passou esse testemunho, acabei por ir eu. E via como os meus pais acreditavam em mim, o apoio que me davam, queria que tivessem orgulho em mim e que pensassem que tudo valeu a pena, as saudades, tudo aquilo por que passámos, para que eu chegasse onde acabei por chegar. Levava o nome da família nas costas, o nome da equipa à frente e o peso de um país inteiro, porque queria que Portugal estivesse orgulhoso do que eu estava a fazer. Sempre tive essa preocupação, de representar não só a minha família, mas também o meu país da melhor maneira.

  • O documentário inclui imagens de Ticha Penicheiro a jogar basquetebol perto da casa de família, incluindo com o irmão mais velho

Passou por aquele processo contranatura de ser reconhecida nas ruas dos EUA e não ser reconhecida nas ruas de Portugal?
Na Figueira da Foz sou reconhecida, mas também é porque saio à rua e conheço toda a gente. Mas se for às Amoreiras ou ao Colombo, se estiver em Lisboa, as pessoas não sabem quem sou. Nem agora, nem antes. Mas até prefiro, nem consigo imaginar. Às vezes penso em pessoas tipo o Cristiano Ronaldo, que não pode pôr gasolina no carro, não pode ir ao cinema, não pode ir ao supermercado… Até prefiro o anonimato. Acho que as pessoas que me reconhecem é porque estão ligadas ao basquetebol e isso para mim é mais do que suficiente, não é algo que me incomode, o facto de as pessoas não me reconhecerem.

“Não me arrependo. Já sabia que seria complicado ter família, ter filhos. Tenho outras coisas”. As memórias e os planos de Ticha Penicheiro

A WNBA está a explodir e mesmo com o universo de diferença que ainda existe para o basquetebol masculino fica a ideia de que nunca foi tão popular e nunca teve tantas figuras com tanto protagonismo. Preferia ser jogadora agora e beneficiar de tudo isso ou prefere ter esta história tão interligada ao arranque da liga?
Acho que é difícil conseguirmos mudar o tempo, tudo acontece no tempo em que tem de acontecer. Ser uma das pioneiras da WNBA, estar tão associada ao arranque da liga, está perfeitamente bem para mim. Não joguei no tempo das redes sociais, não tive nada disso, acho que agora os tempos estão a mudar e estão a andar para a frente. E isso também foi sempre um objetivo meu, deixar a liga melhor do que a encontrei, trabalhar sempre para que tivéssemos sucesso e êxito. Para que a próxima geração pudesse usufruir de coisas de que eu não usufruí. Por isso, acho que estou bem a ser uma das pioneiras e a não jogar nos tempos de hoje.

É crucial esta fase em que existe um cruzamento de gerações? Ou seja, jogadoras como a Caitlin Clark ou a Angel Reese, que já têm patrocínios milionários e são autênticas celebridades, e jogadoras que ainda viajaram em voos comerciais entre jogos e sem nenhum destes privilégios?
Sim, por isso é que é tão importante existir uma conexão entre as jogadoras, principalmente nesta altura em que estamos a tentar negociar um novo contrato coletivo de trabalho com a WNBA. Conseguimos uma extensão de 30 dias, porque o contrato acabou a 31 de outubro, e agora temos 30 dias para tentar negociar porque ninguém quer que as jogadoras façam greve porque não conseguem chegar a acordo. É preciso existir essa conexão entre as jogadoras jovens, as dos dias de hoje, e as que já estão na WNBA há dez ou 12 anos e sabem o quanto temos lutado para ter melhores condições. É sempre importante relembrar às jogadoras de hoje os passos que já demos, os babysteps, e que é a partir daí que queremos agora dar um passo de gigante. Porque merecemos, porque já demos provas de que o basquetebol feminino vende, de que a WNBA vende. As pessoas querem ver, batemos recordes de audiência nas televisões e nos pavilhões, a venda de merchandising também bate recordes. Acho que chegou mesmo a altura de as jogadoras imporem aquilo que querem e elas estão a fazer isso.

"Na Figueira da Foz sou reconhecida, mas também é porque saio à rua e conheço toda a gente. Mas se for às Amoreiras ou ao Colombo, se estiver em Lisboa, as pessoas não sabem quem eu sou. Nem agora, nem antes. Mas eu até prefiro, nem consigo imaginar."
Ticha Penicheiro

Esse impasse na negociação do contrato coletivo de trabalho tem a ver com aquilo que as jogadores acham que merecem e o que a WNBA acha que ainda não pode dar?
Sim, é um bocadinho isso, mas existem várias coisas. Por exemplo, joguei durante 15 anos e não tenho nenhuma pensão. Não recebi um dólar da WNBA depois de deixar de jogar e foram 15 anos de muito suor, muitas lágrimas, muito tudo. E é isso que este contrato coletivo também quer implementar, uma pensão pós-carreira que a NBA também tem, os jogadores são compensados quando se retiram com base no número de anos que passaram na liga. Eles recebem um cheque todos os meses e na WNBA isso não existe. Há várias coisas que estão a ser negociadas, como os salários e o revenue sharing, porque a liga só está a retornar 9% de tudo aquilo que ganha. A WNBA acabou de fazer um contrato bilionário com uma estação de televisão, há muito dinheiro a entrar graças ao produto que as jogadoras promovem nos pavilhões, mas esse dinheiro não chega de forma suficiente às jogadoras. Estão a pedir o que acham que merecem.

Terminou a carreira quando o presidente dos EUA ainda era Barack Obama. Entretanto viu Donald Trump subir ao poder, depois Joe Biden e agora Donald Trump novamente. O desporto, particularmente o desporto feminino, sente o impacto das mudanças políticas e do clima que se vive na sociedade norte-americana?
Sim, um bocadinho. E percebo isso quando falo com amigas minhas, com as minhas jogadoras, com pessoas que acompanham basquetebol. Nota-se uma diferença grande. O Barack Obama era fã de basquetebol, jogou… E agora os jogadores e as jogadoras nem sequer querem ir à Casa Branca quando ganham campeonatos. O desporto não é uma coisa importante para Donald Trump. Sinceramente, detesto política e acho que nunca detestei tanto como detesto agora. Até estou contente por estar em Portugal e poder fazer uma pausa de tudo aquilo que se está a passar nos EUA, que para mim é horrível.

Vive nos EUA há muito tempo, mas viaja muito e passa algum tempo em Portugal. Qual é a grande diferença entre a forma como os norte-americanos e os portugueses olham para o desporto?
Acho que há falta de cultura desportiva. Em Portugal é tudo à volta do futebol, a nossa cultura desportiva é completamente à volta do futebol. Um norte-americano acompanha vários desportos, não se limita a acompanhar futebol americano ou outra coisa qualquer. E depois como até decorrem em épocas diferentes durante o ano dá quase para seguir todos os desportos sem acumular. E começa em casa, é uma coisa de família que é passada aos filhos. Aqui é o clube, é o Benfica, o Sporting ou o FC Porto. Aqui ainda é muito sobre o futebol, a cultura desportiva que temos não é tão avançada como nos EUA. Aliás, é a cultura do futebol, não posso dizer que seja uma cultura desportiva. Nos Estados Unidos a mente é um bocadinho mais aberta para todos os desportos, todas as modalidades.

Connecticut Sun v Sacramento Monarchs

▲ Com as Sacramento Monarchs, em 2005, a portuguesa conquistou o título da WNBA

Getty Images

Desde a Mery Andrade, a segunda a chegar à WNBA, que Portugal não tem uma jogadora na WNBA. Atualmente representa a Clara Silva, jogadora de 19 anos que está na universidade nos EUA e impressionou no Mundial Sub-19. A possibilidade de voltarmos a ver uma jogadora portuguesa na melhor liga do mundo passa muito por ela?
Acho que sim, acho que neste momento é a jogadora que vejo com maior potencial para lá chegar. Não só pela altura que tem, mas também pela tecnicidade, é uma jogadora com bastante técnica. Tem mais de dois metros, mas consegue fazer muitas coisas. Este ano mudou de universidade, vai jogar para outra universidade [TCU Horned Frogs, no Texas] e penso que vai abrir mais portas, jogar mais minutos e eventualmente começar a ter a confiança necessária para continuar a evoluir. Mas ainda tem três anos pela frente na universidade, no basquetebol feminino as jogadoras não podem sair da universidade mais cedo, como acontece no masculino. Acho que estes três anos vão ser fundamentais para ela, para continuar a evoluir não só taticamente como fisicamente. Sem colocar mais pressão, acho que o sonho dela também é chegar à WNBA e tem tudo para o conseguir.

O que é que tenta passar às jogadoras que representa? Que obstáculos é que teve de ultrapassar que procura minimizar ou eliminar no percurso delas?
Muitas vezes tento mesmo ser só uma fonte de informação, partilhar as minhas experiências. Claro que elas também vão ter dias maus, porque têm um mau jogo ou porque o treinador não as colocou a jogar, e sirvo para lhes dar coragem, para lhes dar confiança, para dar tudo o que puder dar. Quero ser quase uma mentora, uma irmã mais velha, não apenas uma agente. Não quero ser só a pessoa que faz os contratos, digo-lhes sempre que quero ajudar ao máximo e ajudá-las a atingir o patamar que querem atingir. Acho que posso dar a minha experiência e servir como uma conselheira que pode partilhar histórias e continuar a dar confiança, que é o ingrediente mais importante para se jogar bem.

Tirou a licenciatura em Comunicação Social nos EUA e chegou a dizer que se imaginava como jornalista ou comentadora. Por que é que acabou por optar por ser agente de jogadoras?
Para ter um bocadinho mais de liberdade em termos de agenda, de horários. Posso estar aqui em Portugal ou estar na Cochinchina e continuar a fazer o meu trabalho, porque é muito à base do telefone e do computador. Se eu agora tivesse uma posição como comentadora ou jornalista tinha de estar no sítio. E eu já perdi tanto tempo sem estar em Portugal porque estava a jogar ou em viagens, sempre fora do país, que agora queria um trabalho diferente que me desse a possibilidade de estar aqui e continuar a trabalhar. Quanto mais pensava no que queria fazer mais percebia que esta era a profissão que servia mesmo para mim e para tudo o que queria fazer, que era continuar ligada ao basquetebol feminino, continuar a inspirar e a ver o basquetebol feminino a crescer, e ter a oportunidade de estar em Portugal dois meses seguidos com a minha família sem atrapalhar o que tenho para fazer.

"Acho que há falta de cultura desportiva. Em Portugal é tudo à volta do futebol, a nossa cultura desportiva é completamente à volta do futebol. Um norte-americano acompanha vários desportos, não se limita a acompanhar futebol americano ou outra coisa qualquer."
Ticha Penicheiro

Portugal teve um ano muito positivo no basquetebol, com a estreia da Seleção feminina no Eurobasket e a Seleção masculina a chegar aos oitavos de final da mesma competição. Como é que a olha para o panorama atual da modalidade no país?
Tem de se tirar o chapéu ao presidente Manuel Fernandes e a todos os elementos da Federação Portuguesa de Basquetebol, que está a fazer um trabalho incrível. No meio disso tudo também estivemos no Mundial Sub-19 feminino, algo que também nunca tinha acontecido. Olhamos para os resultados e eles não mentem. Portugal continua a crescer, a ascender, e a colocar-se cada vez mais perto dos principais países europeus. Acho que a Federação está a fazer um bom trabalho e tem noção de que tudo começa na juventude. Os jovens jogadores têm de evoluir individualmente para que os clubes cresçam e para que as seleções também possam crescer.

Tem saudades de jogar? Ou o capítulo está tão encerrado que nem sequer pensa no assunto?
Às vezes. Mas estou bem, estou em paz, acho que é o melhor sentimento que posso ter depois da carreira que tive e de ter dado tanto ao basquetebol. É algo que fazemos todos os dias, mesmo que saibamos sempre que vai acontecer, que a dada altura vamos mesmo ter de nos retirar. Mas olhando para trás, de uma maneira simples e honesta, sei que consegui ganhar ou fazer mais do que alguma vez tinha imaginado. Portanto, essa sensação de paz é boa, é bom tê-la. Mas vou ser honesta: às vezes vejo jogos e apetece-me jogar. Mas é 80/20, 80 está super bem no sofá a comer pipocas e a ver os jogos, 20 gostava de lá estar. Mas estou em paz e isso é um sentimento único, sabe bem.

Lembra-se mais vezes das vitórias ou das derrotas?
Há dois jogos em particular que me marcaram e são derrotas. Mais do que as vitórias… Qualquer atleta de alta competição lembra-se muito mais das derrotas, dos jogos que escaparam, das competições que escaparam, do que dos jogos que ganhou. Qualquer atleta pensa assim. E não me esqueço da final universitária de 1997 que perdi para Tennessee [final da NCAA, Old Dominion Monarchs perderam com as Tennessee Volunteers] nem da final da WNBA de 2006 que perdi para Detroit [Sacramento Monarchs perderam com as Detroit Shock], sendo que podíamos ter sido bicampeãs depois de termos vencido em 2005. Esses dois jogos são os que mais me marcaram, infelizmente de uma maneira negativa.

▲ A antiga jogadora vive permanentemente em Miami, nos EUA, mas passa muito tempo a viajar

Quais são os planos para o futuro?
Quero continuar a dar ao basquetebol tudo aquilo que ele me deu a mim. Quero continuar a inspirar a próxima geração, quero que elas saibam que se eu consegui elas também podem conseguir. E era mesmo essa a mensagem que queria passar no documentário. Uma menina da Figueira da Foz, uma cidade com 30 mil habitantes, ter a possibilidade de vingar no basquetebol feminino nos EUA. Acho que é de louvar e é essa inspiração que quero passar. Ninguém me tocou com uma varinha mágica, foi muito trabalho, muito suor, muita dedicação, muito sacrifício. Mas no fim vale a pena, tudo aquilo que apostamos em nós mesmos, para vivermos sem arrependimentos. E claro que quero que as minhas jogadoras continuem a ter sucesso, que a Clara ou outra portuguesa qualquer entre na WNBA.

“Vivermos sem arrependimentos.” Não tem mesmo arrependimentos nenhuns?
Não. Fazia tudo da mesma maneira.

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