O 5G está a chegar ao ecossistema empreendedor

11 Fevereiro 2019112

Energia solar para todos, estacionar com eficácia, diagnósticos clínicos ao minuto e um assistente de viagem virtual. Eis os vencedores do Big Smart Cities. E no final uma surpresa, à velocidade do 5G

A 6ª edição do Big Smart Cities, a competição de inovação e empreendedorismo promovida pela Vodafone e Ericsson, colocou a tecnologia 5G no centro das atenções atraindo ideias e projetos inovadores, com vista à exploração do potencial criado pela nova geração de redes móveis.

O desafio foi organizado em dois programas distintos, o 5G University Challenge dirigido aos estudantes universitários e a 5G Startup Competition, que atraiu startups em fase mais adiantada de desenvolvimento, com ideias de aplicações que demonstram as potencialidades da 5ª geração móvel em soluções de smart cities.

5G Startup Competition

Estas são as 20 startups finalistas do Big Smart Cities 2018. Conheça-as em detalhe aqui:

  1. BeOn energy
  2. Biklio
  3. BuildToo
  4. FreddieMed
  5. iKi Technologies
  6. Learninghubz
  7. LETT Labs
  8. Mobiqueue
  9. Musicasa
  10. Nimest
  11. Parkio
  12. Scubic
  13. Secret City Trails
  14. SkinSoul
  15. SurgeonMate
  16. The Inventors
  17. Think Light
  18. Topame
  19. Watt-Is
  20. WeCareOn

A grande final, que teve lugar em dezembro na sede da Vodafone, em Lisboa, revelou os vencedores apurados pelo júri no culminar da jornada iniciada em outubro. A startup vencedora foi a BeON energy, que criou uma solução para converter energia solar em eletricidade, de forma simples, barata e eficaz. O sucesso da ideia deve-se aos microinversores que permitem a ligação de painéis fotovoltaicos diretamente a uma tomada elétrica. O sistema pode ser instalado pelo cliente, numa lógica plug & play, garantindo energia suficiente para alimentar vários equipamentos usados no dia a dia.

O fundador da BeON energy, Rui Rodrigues, assegura que “através deste kit, as pessoas vão produzir energia muito barata e durante muito tempo, o que faz todo o sentido económico”.

O engenheiro formado no IST mostrou-se radiante com a vitória, considerando que é “um desafio fantástico para quem vem da área da energia e tem de entrar na área das telecomunicações”. No final do evento, Rui explicou-nos que “a equipa teve de se reinventar, com toda a engenharia a trabalhar arduamente, ao longo das últimas semanas, para apresentar a plataforma que permite partilhar a energia produzida através dos painéis”.

“através deste kit, as pessoas vão produzir energia muito barata e durante muito tempo, o que faz todo o sentido económico”
Rui Rodrigues, fundador da BeON energy

Quanto ao destino do prémio atribuído à BIG Winner, no valor de 10 mil euros, Rui Rodrigues não esconde que está sempre a pensar em desenvolver tecnologia nova. Mas afirma, em jeito de reconhecimento, que “toda a equipa trabalhou muito para conseguir este resultado e penso que devemos poder distribuir um presente de Natal.” A BeOn energy conta atualmente com uma equipa de 30 pessoas, está sediada em Ponte de Sôr e tem escritório na capital.

Deixe de andar às voltas

Em Lisboa existem quatro lugares de estacionamento para cada carro. O problema é encontrá-los quando precisamos. A solução é Parkio, a aplicação que nasceu para conectar condutores desesperados com lugares disponíveis. A equação resolve-se através de dados que permitem dar indicações precisas e em tempo real até ao lugar mais próximo. Além da gestão do estacionamento, em parques, garagens e nas ruas, a Parkio inclui também a funcionalidade de pagamento.

O Big 5G Winner, que arrecadou o prémio de 5000 euros, quer transformar a experiência de estacionar nas cidades permitindo ganhos de tempo consideráveis. O diretor comercial, Paulo Garrido, explica que a Parkio pretende assumir-se como “parceiro de negócio, ajudando a gerir o estacionamento e aumentar a ocupação”, otimizando o espaço disponível nas cidades e evitando perdas de tempo na procura.

“A Parkio apenas usa dados e algoritmos para prever onde há estacionamento, sem os custos de contexto que outras soluções exigem”
Paulo Garrido, diretor comercial da Parkio

Sendo uma solução baseada na Cloud, de integração muito fácil e simples, os municípios só têm a ganhar. Sensores, câmaras e outros equipamentos representam elevado custo de instalação. “A Parkio apenas usa dados e algoritmos para prever onde há estacionamento, sem os custos de contexto que outras soluções exigem.”

5G University Challenge

O desafio para equipas universitárias, com ideias de aplicações que demonstrem as potencialidades da quinta geração móvel em soluções de smart cities, apurou três projetos vencedores:

  • A Smarty criou uma nova forma de interagir com painéis publicitários, recorrendo a ecrãs inteligentes e conteúdos interativos disponíveis no smartphone.
  • A Eagle Stream propõe a combinação de conteúdos gravados por múltiplos smartphones, usando inteligência artificial para os reconhecer e permitir a compilação de um vídeo com diferentes pontos de vista sobre o mesmo evento.
  • A RewardYourWaste, criada por dois italianos a estudar em Lisboa, que visa promover a reciclagem através de recompensas, vouchers para experiências ou vales de desconto.

Cada um dos três projetos vencedores do 5G University Challenge teve um prémio de mil euros, além de garantir o acesso a estágios na Vodafone e na Ericsson.

Na final do Big Smart Cities, Paulo Garrido e Rob Kramer, fundadores da Parkio, estavam muito satisfeitos com o prémio e com as oportunidades de parceria, além de terem garantida a implementação do modelo previsional no município de Cascais.

Algoritmo identifica melanoma

Vencedora da Menção Honrosa, com um prémio no valor de 2500 euros, a Skin Soul quer ajudar na prevenção e deteção precoce do cancro da pele. Para isso desenvolveu uma aplicação que utiliza tecnologia avançada de reconhecimento de imagem e inteligência artificial para analisar rapidamente grandes quantidades de dados.

A ideia passa por criar um banco de imagens que permita alertar para situações de risco potencial de melanoma. Os médicos passam a dispor de uma ferramenta inteligente no smartphone, ao alcance da mão, permitindo o rastreio imediato e um diagnóstico mais rápido e eficaz.

A cada nove minutos morre uma pessoa, vítima de cancro da pele. A estatística é assustadora e Sofia Couto da Rocha, fundadora da Skin Soul, recordou que estava no estágio de Dermatologia quando teve a certeza de que “a rapidez no diagnóstico é crucial, portanto é necessário perceber como podemos usar as tecnologias para melhorar o processo”.

Além de continuar a fazer pilotos, a médica contou-nos que “nesta fase as atenções estão focadas no desenvolvimento da plataforma e no crescimento da base de dados, que deverá estar disponível dentro de seis a oito meses.”

“a rapidez no diagnóstico é crucial, portanto é necessário perceber como podemos usar as tecnologias para melhorar o processo”
Sofia Couto da Rocha, fundadora da Skin Soul

Quanto ao prémio, Sofia Couto da Rocha referiu que “chegar à final já é admirável, porque a área da saúde não é diretamente associada ao 5G.” Mostrando-se “surpreendida com a sensibilidade das pessoas para o tema, num evento deste tipo” e satisfeita com o awareness que conseguiu gerar.

Fernando Pessoa conta-lhe tudo

Baseado nas votações online, o Voto do Público foi para a Nimest, uma startup baseada no Porto que está a desenvolver um assistente de viagem inteligente. Trata-se de uma aplicação móvel interativa, com recurso a modelação 3D para recriar personagens históricas que interagem com o utilizador, contando-lhe a história ou fazendo comentários sobre determinado local da cidade. O efeito é conseguido com recurso a Realidade Aumentada e Inteligência Artificial para criar uma experiência tão realista quanto possível.

A experiência do utilizador ao nível da interação com os personagens é fundamental para o sucesso desta aplicação que revela enorme potencial. Tanto no setor do turismo, como no do ensino, onde as vantagens pedagógicas são evidentes. Para já “o feedback é bastante positivo”, disse-nos Carina Soares, diretora de multimédia da Nimest. “Além das Câmaras Municipais e dos Museus,” que são entidades interessadas neste tipo de produto, “a Nimest já foi contactada por várias entidades de outros países.”

"a equipa está muito contente com o prémio e sobretudo com a visibilidade proporcionada pelo Big Smart Cities”
Carina Soares, diretora de multimédia da Nimest

Fazendo um balanço bastante positivo, Carina Soares referiu que “a equipa está muito contente com o prémio e sobretudo com a visibilidade proporcionada pelo Big Smart Cities”. Com apenas um ano de atividade, já têm um protótipo funcional que vai continuar a ser aperfeiçoado.

Aposta na rede móvel do futuro, o 5G

O Big Smart Cities é uma competição de inovação que tem vindo a crescer desde a primeira edição. Francisco Viana não tem dúvidas de que “esta foi a maior e melhor edição de sempre, o que coloca também uma grande expectativa para o próximo ano”. O responsável pelo Vodafone Power Lab explicou que o desafio em 2018 se centrou no tema do 5G, “com o objetivo de identificar de que forma é que as tecnologias que as startups estão hoje a desenvolver vão beneficiar do 5G.”

“Ao descodificar a tecnologia, as startups podem compreender e moldar a visão de futuro dos seus produtos para tirar partido desses benefícios”
Francisco Viana, responsável pelo Vodafone Power Lab

Com maior largura de banda, maior velocidade e menor latência “é preciso pensar de que maneira é que os produtos vão evoluir, num exercício que foi muito bem concretizado pelas 20 startups finalistas e também pelos 10 finalistas do University Challenge”.

A Primeira ligação 5G

No encerramento do Big Smart Cities, a Vodafone realizou a primeira ligação 5G em Portugal com um smartphone, usando um protótipo da Qualcomm® e uma rede pré-comercial da Ericsson com uma antena de última geração. Além do smartphone 5G e do protótipo de router wifi, estavam também disponíveis duas demos para comprovar todos os benefícios e capacidades da rede 5G.

A Immersive Conference eleva a experiência de videoconferência a outro nível. Nesta demo interagimos em ambiente de Realidade Virtual com outros dois participantes que se encontravam nos EUA, o Brandon, no Kansas e o Chance, na Florida. Simulamos uma reunião onde foram apresentados vídeos, fotografias e objetos 3D sem falhas e com elevada definição, numa experiência imersiva que demonstra claramente os benefícios do 5G em termos de baixa latência e elevada taxa de transmissão.

Estas características contribuem igualmente para o desempenho avassalador que experimentamos no Racket Game, um jogo VR Multiplayer descrito como um jogo de raquetes, entre o ténis e o squash virtual. A rapidez e a envolvência impressionam, deixando claro que o entretenimento é outro dos domínios onde o 5G vai produzir grandes avanços ao permitir maiores velocidades e maiores quantidades de dados.

“Ao descodificar a tecnologia, as startups podem compreender e moldar a visão de futuro dos seus produtos para tirar partido desses benefícios”, referiu Francisco Viana, que valorizou o empenho da Vodafone em “explicar à opinião pública e aos inovadores, aos que produzem diferença nas soluções que chegam ao mercado, o que é que o 5G vai representar no dia a dia.”

A Ericsson é um veículo de suporte para a inovação da Vodafone Portugal “há mais de 20 anos”, lembrou José Azevedo, diretor comercial na Ericsson, no balanço do evento que “mostra a parte prática do que fazemos.” Parceira na organização do Big Smart Cities desde há três anos, a tecnológica sueca vê na competição “uma forma de demonstrar que a tecnologia pode tornar-se em casos de uso muito práticos, de que as pessoas vão tirar partido”.

Tendo a rede como core business, a Ericsson está na linha da frente do desenvolvimento da infraestrutura, afirmando-se como parceiro estratégico no Vodafone 5G Hub, um centro aberto de produção de conhecimento e inovação, propício ao desenvolvimento da nova tecnologia para que se tire partido de todas as potencialidades que o 5G apresenta. “É uma base onde colocamos a tecnologia e os recursos, dando acesso a toda a cadeia de developers e engenheiros da Ericsson, bem como a equipamentos que ainda não estão comercializados, mas que ficam disponíveis no laboratório para estas startups”, explicou o gestor.

“A Vodafone pode contar connosco para a 7.ª edição, em 2019, já com lançamentos reais de uma rede 5G e com novas aplicações que tirem partido do 5G”
José Azevedo, diretor comercial na Ericsson

“A Vodafone pode contar connosco para a 7a edição, em 2019, já com lançamentos reais de uma rede 5G e com novas aplicações que tirem partido do 5G”, concluiu José Azevedo no final do evento.

O Big Smart Cities é uma competição de empreendedorismo e inovação que visa impulsionar ideias tecnológicas de negócio para tornar a vida nas cidades mais cómoda e inteligente, nos domínios da Educação, Energia, Mobilidade, Saúde e Turismo. É promovida pela Vodafone e pela Ericsson, com o apoio da Nova SBE e da Câmara Municipal de Cascais.

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