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Passos pode vencer as autárquicas? É muuuito difícil

Presidente do PSD definiu como objetivo vencer as autárquicas. É complicado. Recuperar câmaras como Lisboa, Porto ou Gaia é uma miragem. E ter mais do que as suas sete capitais de distrito é difícil.

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Os críticos internos já anteciparam quando poderá chegar o “diabo” para Passos Coelho. Numa marcação de terreno para o pós-autárquicas, começam a surgir as pressões internas sobre o presidente do PSD. O eterno candidato a candidato Rui Rio já admitiu avançar para a liderança “se até lá o partido não conseguir descolar”. Na mesma linha, José Eduardo Martins criou expetativas quanto às consequências de uma derrota nas eleições locais: “No lugar de Passos, se tivesse fixado um objetivo e não o conseguisse, demitia-me”. A pressão está alta e Passos não facilitou a sua própria vida ao definir a meta: ter mais câmaras que o PS.

O panorama é complicado. O PSD tem menos 43 autarquias que o PS (106-149), o que significa que os sociais-democratas teriam de conquistar todos os municípios de há quatro anos, juntar a isso a conquista direta de 22 câmaras ao PS e esperar que os socialistas não ganhassem nenhuma nova. Há possibilidades de o PSD virar a seu favor algumas pequenas câmaras, mas será difícil conquistar mais do que as sete (das 18) capitais de distrito que lidera.

O presidente do PSD poderia ainda reivindicar vitória — ou algo perto disso — se conseguisse recuperar municípios importantes no país, como Lisboa, Porto, Coimbra ou Vila Nova de Gaia, mas também isso se afigura complicado. Em Sintra, há reais hipóteses de reconquistar a autarquia, mas para isso o PSD vai apoiar um militante que expulsou em 2013. Parecem confusas e difíceis as contas daquilo que muitos já apontaram como a prova de vida de Passos como líder do PSD e da oposição.

Vencer as autárquicas era o principal objetivo da moção de estratégia global apresentada no Congresso do PSD, em abril de 2016. E, para que ficasse claro, ficou escrito que isso significava ganhar pelo menos mais um câmara que os socialistas e recuperar a liderança da Associação Nacional de Municípios (ANMP). O Observador foi ver o que se passa pelo país e basta começar pela capital para ver como é complicada a tarefa de Passos Coelho nas autárquicas deste ano.

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O problema capital. E ao ver-te, Lisboa, Lisboa. Perder?

“Lisboa com sentido”. Era assim o slogan da candidatura de Pedro Santana Lopes quando concorreu contra António Costa em 2009. A candidatura do PSD à câmara de Lisboa em 2017 também tinha um sentido inicial: convencer o antigo líder a avançar. Mas falhou. Perdida essa perspetiva, afigura-se difícil ao partido recuperar a capital. Nos último meses, Passos Coelho tem seguido o caminho institucional, deixando as diligências para a concelhia e a distrital, mas isso tem um prazo: 31 de janeiro. A partir desse dia, se as estruturas locais não lhe apresentarem um nome forte, o líder vai chamar (ainda mais) a si o dossiê e decidir. Nos últimos dias, Passos tem estado a ouvir pessoas para uma decisão que se prepara para poder ser unipessoal.

Esta terça-feira, 31 de janeiro, há uma reunião da comissão política nacional, onde ficarão fechados alguns nomes para concorrer às autarquias. Mas o de Lisboa ainda terá de esperar. Se não houver uma solução válida apresentada pela concelhia e pela distrital, Passos vai encarregar-se, ele próprio, de fazer essa escolha em fevereiro. A discussão sobre autárquicas, apurou o Observador, continua a 2 de fevereiro (quinta-feira) ao longo de um jantar com todos os líderes distritais na sede do PSD, na rua de São Caetano à Lapa, onde serão ultimados os detalhes com o aparelho e diagnosticados os principais problemas.

De volta a Lisboa, a direção nacional e o coordenador autárquico deram carta verde à distrital e à concelhia para continuarem os contactos. Ao que o Observador apurou, há uma tentativa derradeira de convencer o antigo ministro Nuno Morais Sarmento a avançar como candidato. Embora seja um nome que não desagrade a Passos Coelho, as esperanças do partido de que haja um “sim” do barrosista são escassas.

A escolha de um candidato vai-se assim afunilando. O consultor da TVI José Eduardo Moniz foi uma hipótese real. Passos não se envolveu no processo para não correr o risco de levar uma nega. Mas, como contam ao Observador diversas fontes sociais-democratas, foram dados sinais de que Moniz estaria mesmo disposto a aceitar o desafio. O coordenador autárquico Carlos Carreiras terá mesmo realizado o convite.

A 12 de janeiro Carlos Carreiras antecipou que tinha um nome “forte” e quase fechado. Era Moniz — que dias antes tinha sido evasivo numa resposta ao Observador quando questionado sobre o assunto: “Desculpe, estou a jantar. Pergunte a quem lhe deu essa informação.” Conversas de Moniz com ex-dirigentes do PSD terão sido fundamentais para se decidir pelo “não”.

Ao que o Observador apurou, o presidente do ACP, Carlos Barbosa, continua a ser um nome considerado pela direção do PSD, mas para integrar o executivo, não como candidato a presidente da autarquia. Barbosa teve a primeira reunião com Passos sobre o assunto logo em março de 2016, quando procurava apoio do partido para uma candidatura.

Entretanto — apesar do calendário definido — Passos Coelho foi fazendo diversos contactos. Na última quinta-feira, almoçou com o coordenador do programa autárquico de Lisboa, José Eduardo Martins. O convite partiu do presidente do partido e era do conhecimento dos líderes distrital e concelhio. O Expresso chegou a avançar que, na base do almoço, estava um convite de Pedro Passos Coelho a José Eduardo Martins para que fosse o candidato, o que o próprio desmentiu em declarações ao Observador.

"É falso que tenha sido convidado. Alguém tem muito interesse em arranjar problemas ao PSD, mas não sou certamente eu nem o presidente do partido. É absolutamente falso que alguma vez tenha recebido um convite”, afirmou José Eduardo Martins ao Observador.

A versão foi corroborada pelo líder da concelhia, Mauro Xavier, que garantiu ao Observador que por detrás da reunião não estava “nenhum convite”, mas sim “discutir a cidade de Lisboa”. Para o presidente do PSD/Lisboa, Passos quis apenas “ouvir a opinião do coordenador do programa, numa altura em que está em processo de escolha do candidato”.

Pelo meio destas movimentações houve ainda a novela Assunção Cristas. A concelhia do PSD de Lisboa começou por resistir a que houvesse um apoio ao CDS, com o líder Mauro Xavier a ser um defensor de uma candidatura própria. Rodrigo Gonçalves, um dos vice-presidentes da concelhia, organizou um mega-jantar para defender que Passos fosse o candidato. Outro membro da direção, Luís Newton, escreveu um artigo no Observador a defender o apoio a Cristas. No fim, o que valia era uma moção do PSD/Lisboa, de 5 de janeiro, onde a concelhia colocava tudo nas mãos de Passos Coelho.

A telenovela é longa, com lutas fratricidas pelo meio. No último sábado, Mauro Xavier fez mesmo declarações ao Público a culpar o CDS por não haver coligação autárquica em Lisboa. Rodrigo Gonçalves, seu vice-presidente na estrutura concelhia da capital, atacou Mauro Xavier publicamente no Facebook, por o líder do PSD/Lisboa ter defendido que podia haver coligação com o CDS em quatro juntas de freguesia — a família Gonçalves, refira-se, já liderou a Junta de São Domingos de Benfica e agora o pai de Rodrigo é presidente da junta das Avenidas Novas. Ou seja: o nº2 da concelhia acusou o nº1 de falta de coerência.

Mas o desastre pode não ficar por aqui. No último sábado, o Expresso acrescentava à lista de recusas para uma candidatura a Lisboa o presidente do Instituto Sá Carneiro, Pedro Reis, e a vice-presidente do PSD, Teresa Morais. Entretanto, o site de apoio à esquerda geringonça criou um jogo-roleta interativo com o nome de todos os candidatos já falados na imprensa como aposta no PSD. Mesmo sem incluir Pedro Reis, são nada mais, nada menos que doze: Jorge Moreira da Silva, José Eduardo Martins, Rui Gomes da Silva, Pedro Santana Lopes, José Miguel Júdice, José Eduardo Moniz, Carlos Barbosa, Laurinda Alves, Maria Luís Albuquerque, Teresa Leal Coelho, Teresa Morais e Nuno Morais Sarmento. As estruturas do PSD têm reduzido muitos deles a “boatos”, mas o facto de aparecerem ainda colocam os sociais-democratas em piores lençóis.

A situação está, assim, cada vez mais difícil para o PSD na capital. As fichas todas que foram colocadas em Santana fazem com que muitos notáveis não queiram ser uma “segunda escolha”. A estrutura vai tentar contrariar a premonição de um verso e meio da música de campanha de Santana em 2009 (Lisboa, dos Polo Norte): “E ao ver-te Lisboa, Lisboa/ Perder…”

Sintra, Cascais e Oeiras. Engolir sapos, encarreirar e não “isaltinar”

Se o Porto é — pela sua importância, história, influência e dimensão — a segunda cidade do país, o segundo município mais populoso é Sintra. A autarquia foi do PSD entre 2002 e 2013, com Fernando Seara, e os sociais-democratas querem agora recuperá-la, mesmo que para isso tenham de engolir um pequeno sapo (Marco Almeida) e um grande sapo (António Capucho). Os resultados de há quatro anos parecem animadores. Como independente, Marco Almeida ficou apenas 1.738 votos atrás de Basílio H0rta (independente eleito em listas do PS) num universo de 122.980 sintrenses que foram às urnas. Foi taco-a-taco, com uma vitória alcançada por pouco mais de 1,4% de vantagem: Basílio teve 26,83%, Marco 25,4%. Ora, para bater o antigo ministro do Governo PS-CDS de Mário Soares, Marco Almeida precisaria de conseguir dois mil votos dos 16 mil que o PSD teve em 2013 e esperar que o candidato socialista não ganhasse mais. Parece fácil, mas Basílio tem uma vantagem: está no poder.

Depois das autárquicas de 2013, em que Marco Almeida concorreu como independente através do movimento “Sintrenses com Marco Almeida” contra Pedro Pinto (candidato do PSD), o partido acabou por expulsar não só o agora candidato, como também o candidato a presidente da Assembleia Municipal que era nem mais nem menos que António Capucho — um histórico do PSD.

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António Capucho fez uma intervenção no último congresso do PS

Agora, para ter possibilidades de recuperar a autarquia, Passos teve de ceder. Marco Almeida não deixou cair Capucho e, nos últimos três anos, tem feito um trabalho de formiga com um objetivo: conquistar a autarquia. O antigo histórico do PSD chegou a definir este volte-face do PSD, no final do ano, como a “confissão de um erro“. O partido não respondeu. Taticamente é inteligente, já que o PS andava a namorar Capucho para concorrer em Cascais contra Carlos Carreiras. Assim, mantém Cascais em segurança.

Em Cascais, o PSD terá, aparentemente, a vida mais facilitada já que Carlos Carreiras ainda se pode recandidatar por mais dois mandatos. O próprio coordenador autárquico do partido vai voltar a concorrer contra uma estreante nas lides autárquicas: a ex-ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, cujo nome foi confirmado em meados de janeiro.

Chegou a circular que Carreiras podia ser candidato em Lisboa e lançar já o seu número dois, Miguel Pinto Luz — presidente da distrital do PSD –, para presidir à autarquia, mas essa eventual troca foi sempre desmentida por fontes próximas do executivo social-democrata de Cascais. “O Carlos não gosta de sair de Cascais. De cada vez que vai a uma reunião a Lisboa fica doente. Isso não é uma luta dele”, explica fonte do PSD local. Neste município, o PSD “já tem candidato quase para os próximos 20 anos: o vice-presidente, Miguel Pinto Luz, é o sucessor natural.”

Em Oeiras, ainda há uma grande indefinição. O PSD chegou a sondar o antigo presidente Isaltino Morais para concorrer nas listas sociais-democratas, mas este recusou. A conversa decorreu a 26 de julho, no Hotel Penha Longa, em Sintra, com o presidente da distrital, Miguel Pinto Luz, e o líder da concelhia de Oeiras, Ângelo Pereira. O convite seria, garantem fontes sociais-democratas, apenas para candidato à presidência da Assembleia Municipal. A ideia do PSD era contar com a “aura” que Isaltino Morais tem na autarquia.

O “delfim” de Isatino, Paulo Vistas (que venceu em 2013 com o movimento Isaltino Morais Oeiras Mais à Frente), decidiu avançar mesmo sem ter o apoio do popular autarca de Oeiras. Paulo Vistas já é candidato como independente e aconselha Isaltino a não concorrer e “descansar junto da família. Do lado do PSD, o candidato pode ter que vir da “prata da casa” e circula o nome de Ângelo Pereira. Sem o fator Isaltino — que em 2009 inventou o verbo “isaltinar” — é difícil perceber para que lado cairá a câmara, sobretudo quando o PS avança com o nome do antigo dinossauro autárquico Joaquim Raposo, que durante décadas foi autarca socialista na Amadora.

Porto e Gaia. Problemas nas duas margens do Douro

É economista, chama-se Álvaro, mas é um desconhecido da política nacional. As características podiam, remeter para o primeiro ministro da Economia de Passos Coelho, Álvaro Santos Pereira, mas aqui o último apelido é outro. Álvaro Santos Almeida, antigo presidente da Entidade Reguladora da Saúde e ex-quadro do FMI em Washington, é o nome escolhido pelo PSD para enfrentar Rui Moreira nas próximas autárquicas.

Mesmo entre as estruturas locais do PSD no Porto são poucos os que acreditam numa vitória. “À falta de possibilidade de vencermos, optámos por uma pessoa credível e que conhece bem a cidade, em vez de um paraquedista famoso“, explicou ao Observador fonte da distrital do Porto. Rui Moreira terá o apoio do CDS e do PS e goza de grande popularidade na cidade (além de ter vários sociais-democratas da linha de Rui Rio do seu lado), pelo que só uma surpresa muito grande alteraria o rumo da história.

Se em 2013 o atual presidente da câmara municipal do Porto, Rui Moreira, arrumou o candidato do PS (Manuel Pizarro) e um ex-líder do PSD (Luís Filipe Menezes), agora a tarefa ainda se avizinha mais difícil para a concorrência. Houve, inclusive, sociais-democratas do PSD-Porto a defender um apoio a Rui Moreira por parte do PSD. O que não aconteceu.

As declarações de Bragança Fernandes (o presidente da distrital) no início de janeiro já faziam antever que fosse essa escolha. Ao que o Observador apurou, a candidatura ficou fechada quando, a 16 de janeiro, houve um encontro entre Passos Coelho e Álvaro Santos Almeida na sede do PSD no Porto, na rua Guerra Junqueiro. A conversa entre o líder e o candidato a candidato correu bem. Com o “ok” final de Passos, no dia seguinte as estruturas locais reuniram para pôr em marcha a candidatura.

Depois de circularem nomes como Marco António Costa, Luís Campos Ferreira, Daniel Bessa, Paulo Rangel ou Pedro Duarte, a escolha recaiu sobre um nome menos conhecido. No partido, o Porto foi dado praticamente como perdido. Como explica um social-democrata do Porto ao Observador: “Descansa-nos o facto de termos um candidato credível e do Rui Moreira também não ser visto como uma vitória do PS”.

Passando para a outra margem do Douro, o panorama não melhora para o PSD. A câmara municipal de Vila Nova de Gaia — perdida em 2013 depois de 16 anos de gestão laranja — parece muito difícil de recuperar ao atual presidente de câmara, Eduardo Vítor Rodrigues.

No início de janeiro, o antigo autarca de Gaia, Luís Filipe Menezes, quebrou o silêncio e prometeu fazer oposição ao autarca do PS até às eleições. “Durante mais de três anos, o meu sucessor em Gaia só teve um programa: denegrir o meu passado de gestão da autarquia, município que encontrei como uma aldeia desleixada e deixei como uma cidade com enorme potencial”, escreveu o antigo líder do PSD. Menezes prometeu ainda um “contributo diário até ao dia das eleições de 2017”, a que chamou “as 500 obras que mudaram Gaia.”

O antigo presidente da autarquia pôs-se, no entanto, fora da corrida. Contactado pelo Observador no fim de 2016, Menezes foi rápido antes que lhe fosse colocada alguma pergunta: “Estou fora da política.” Ainda assim, o antigo vereador e ex-presidente da concelhia do PSD/Gaia, Firmino Pereira, defende que Passos Coelho devia convencer o antigo líder do PSD a ser candidato.

Em declarações ao Observador, Firmino Pereira defende que “Luís Filipe Menezes seria um excelente candidato pelo PSD e o que está melhor colocado para derrotar o Partido Socialista” e diz que “qualquer outro nome terá uma maior dificuldade de conquistar a vitória eleitoral”.

O deputado e antigo vice-presidente da câmara de Gaia considera que “o PSD devia ter uma estratégia no sentido de convencer Luís Filipe Menezes a recuar na decisão pessoal que tomou de não ser candidato”. E acrescenta que convencer o antigo líder seria “uma forma de ganhar uma das maiores autarquias do país: Lisboa está difícil, o Porto é para o Rui Moreira, Sintra é um independente, mas em Gaia podíamos ganhar com o símbolo do PSD.”

Se não for candidato — o que parece difícil — Luís Filipe Menezes prefere José Guilherme Aguiar, que em 2013 chegou a ser proposto a votação na concelhia, mas o nome escolhido acabou por ser Carlos Abreu Amorim. No entanto, a estruturas concelhia já aprovou o nome de Cancela Moura, presidente da concelhia do PSD/Gaia, por unanimidade e aclamação. O próprio tinha dito, numa reunião da concelhia em dezembro, que não estaria disponível para ser candidato. Mas agora aceitou o desafio, aguardando apenas a aprovação da distrital e a ratificação em Conselho Nacional.

Atuais e ex-presidentes de juntas de freguesia do município de Gaia enviaram em dezembro uma carta ao presidente do PSD, ao líder distrital (Bragança Fernandes) e ao secretário-geral (Matos Rosa) a solicitarem uma “candidatura mobilizadora”. Ou seja: um nome forte, de âmbito nacional, que consiga recuperar a câmara ao PS.

Em Matosinhos e Gondomar (onde o regresso do major Valentim Loureiro terá sido vetado pelo próprio Passos Coelho) o PSD ainda tem o processo de escolha de candidato bastante atrasado.

Segurar as sete capitais de distrito. É difícil recuperar alguma

O PSD tem como objetivo manter as sete capitais de distrito que conquistou em 2013. Mais de um terço das 18 são assim do PSD, que tem mais uma que o PS (Lisboa, Leiria, Castelo Branco, Vila Real, Coimbra e Viana do Castelo). A CDU conta com três (Évora, Beja e Setúbal) e há duas de independentes (Porto e Portalegre). As do PSD são Aveiro, Guarda, Santarém, Braga, Bragança, Faro e Viseu. Cada uma tem a sua história, mas todos foram convidados a recandidatarem-se. E aceitaram.

106

O PSD conquistou 106 câmaras em 2013, menos 30 que em 2009. 89 delas foi sozinho, as restantes 17 em coligação.

Aveiro. Ribau não precisa de estrutura zangada

Ribau Esteves, antigo secretário-geral do partido no tempo de Luís Filipe Menezes, foi um dos “paraquedistas” bem sucedidos, depois de trocar o concelho vizinho de Ílhavo — onde tinha atingido o limite de mandatos — por Aveiro. A nível nacional, a candidatura é dada como certa, embora existam guerras locais entre o autarca e o presidente da concelhia, Vítor Martins.

Na origem da “guerrilha” está uma carta enviada por Ribau Esteves, a 3 de junho de 2015, para a direção nacional a acusar a concelhia de não estar organizada, de não ter trabalho regular e de não prestigiar a presença do partido junto da sociedade. Em novembro de 2016, foi noticiado pelo JN que o antigo líder distrital, Ulisses Pereira, avisou Vítor Martins que iria divulgar a carta publicamente. Ulisses é da fação que perdeu as últimas eleições da distrital para Salvador Malheiro (que teve como grande apoiante Vítor Martins). Confuso? Certo é que Ribau não perdeu tempo a acusar a atual concelhia de provocar e fazer oposição ao executivo camarário. Em Lisboa, a opção por Ribau é indiscutível. O autarca pode é ter de fazer uma campanha sem o apoio da estrutura local. O que não será uma grande dificuldade, como explicam fontes locais ao Observador: “Ele é uma máquina em campanha. Fala alto, é popular. É um mini-Marcelo. Mini não que ele é alto”.

Em Santarém, as coisas não estarão tão crispadas como em Aveiro, embora a distrital não morra de amores pelo atual presidente de câmara, Ricardo Gonçalves. A verdadeira oposição interna à direção distrital de Nuno Serra é feita pelo autarca, que já ameaçou várias vezes concorrer contra Serra e é, por norma, o mais crítico nas reuniões da distrital. “Às vezes ele intervém só para chatear, não é mais nada”, explica fonte da distrital ao Observador. Ainda assim, apesar das relações não serem as melhores com a distrital, Ricardo Gonçalves, que sucedeu a Moita Flores, terá “em condições normais” o apoio numa recandidatura.

Viseu. Ruas disponível, mas só avançaria com apoio do partido

No antigo “cavaquistão”, o social-democrata Almeida Henriques venceu em Viseu, em 2013, depois de 24 anos de gestão do de Fernando Ruas. Nos últimos tempos tem sido noticiado o interesse de Ruas em voltar a Viseu, por não apreciar a rotina da vida de eurodeputado e por ouvir muitos apelos nas ruas ao seu regresso. Mesmo exercendo as funções em Bruxelas e Estrasburgo, Fernando Ruas criou um gabinete do eurodeputado em Viseu — para o qual convidou ex-autarcas –, mas que é visto pelos mais próximos de Almeida Henriques, como um gabinete-sombra.

Ruas explica ao Observador que “durante o Conselho Nacional foi perguntado aos militantes se estavam disponíveis. Eu disse que estava disponível como qualquer outro. E entendo que, apesar de presidente do Conselho Nacional, mantenho intactos os meus direitos e deveres de militante. Sou um cidadão disponível. Até porque ainda não houve apresentação formal do outro candidato.” O antigo presidente da câmara acrescenta ainda: “Não tenho de me excluir”.

"Estou disponível como qualquer outro militante. Entendo que, apesar de presidente do Conselho Nacional, mantenho intactos os meus direitos e deveres de militante. Sou um cidadão disponível. Até porque ainda não houve apresentação formal do outro candidato. Não tenho de me excluir a um ano das eleições", diz Fernando Ruas ao Observador.

Embora demonstre disponibilidade, Fernando Ruas afasta a possibilidade de concorrer contra o partido “como independente ou outro partido”, dizendo ao Observador: “Sempre fui militante do PSD.” Há quem continue a fazer, no entanto, esse apelo ao antigo autarca.

Em Braga (Ricardo Rio), Bragança (Hernâni Dias) e Faro (Rogério Bacalhau)é aparentemente mais pacífica a recandidatura dos atuais presidentes de câmara, Ricardo Rio e Hernâni Dias, tendo as estruturas locais confiança de que conseguirão revalidar as conquistas alcançadas em 2013.

O presidente da câmara municipal da Guarda e também presidente dos Autarcas Sociais-Democratas, Álvaro Amaro, chegou a ser hipótese para Coimbra, cidade onde vive. Coimbra é a câmara mais importante da zona centro e o PSD acredita que pode recuperá-la (embora as sondagens internas não sejam animadoras). O presidente dos Autarcas Sociais Democratas era, nos estudos do partido, o melhor colocado (mas não vencedor). O PSD não quer assim correr o risco de não ganhar Coimbra e ainda perder a Guarda, que foi uma conquista importante: Álvaro Amaro passou há quatro anos de Gouveia, para a Guarda, conseguindo conquistar um município que era um bastião socialista.

Coimbra. Não há nome. Leiria é uma fartura

O distrito e a cidade de Leiria são por norma, sociologicamente do PSD. Durante anos, a câmara foi presidida pela social-democrata Isabel Damasceno, que acabou por perder a autarquia em 2009 para Raul Castro, do PS. Desde então, o PSD tenta recuperar a autarquia, mas a escolha do nome não estará a correr da melhor forma, como noticiou na última semana o Público.

Inicialmente, o antigo chefe de gabinete de Passos e ex-secretário de Estado, Feliciano Barreiras Duarte, seria a preferência da direção nacional. A tal ponto que a sua candidatura foi anunciada num dos programas de domingo de Marques Mendes. No entanto, a concelhia — que tem estatutariamente influência na decisão — votou em novembro o nome do antigo presidente da câmara das Caldas da Rainha, Fernando Costa, que em 2013 perdeu como “paraquedista” em Loures para Bernardino Soares.

Feliciano teria sido contactado no verão pelo coordenador autárquico, Carlos Carreiras, que lhe teria garantido que conseguiria resolver um eventual problema com a concelhia, caso quisessem impor o nome de Fernando Costa. Foram na altura os dirigentes nacionais a contactar Feliciano. Daí que o tenha irritado esta situação, de tal forma que escreveu uma carta a Passos, citada pelo Público, a dizer: “Nunca pedi a ninguém para ser candidato. Nunca pedi reuniões contigo, nem com a coordenação autárquica.” A seu favor, Feliciano teria um estudo de opinião encomendado pela distrital à Eurosondagem em que, segundo o Público, Fernando Costa teria apenas 6,7% das intenções de voto, contra mais de 25% de Feliciano.

Nomes a mais em Leiria, a menos em Coimbra. Depois de Álvaro Amaro se decidir pela Guarda, a cidade dos estudantes passou a ser um problema. Neste momento, o partido testa o nome do antigo presidente da autarquia e sucessor de Carlos Encarnação, João Paulo Barbosa de Melo, e também o do antigo deputado Nuno Freitas. Um fator que torna a vida mais complicada ao PSD é a possibilidade de candidatura independente de Norberto Pires, um ex-militante que presidiu à Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Centro no início do Governo de Passos. Este professor universitário é co-fundador e membro da direção do movimento Civitas, um grupo de intervenção cívica — e poderá dividir eleitorado do PSD e entrar em eleitores do PS. A incerteza é grande em Coimbra, embora por todo este cenário seja difícil ao PSD destronar o socialista Manuel Machado, que é o presidente da Associação Nacional de Municípios.

Funchal. De novo laranja?

A vitória histórica do socialista Paulo Cafôfo no Funchal em 2013 marcou uma viragem na ilha. Ainda assim, Madeira é Madeira e Miguel Albuquerque não desiste de recuperar para o PSD uma câmara perdida no final da era Alberto João Jardim. A mais bem colocada é Rubina Leal, antiga vereadora da câmara municipal do Funchal e atual secretária regional da Inclusão e dos Assuntos Sociais, que de acordo com uma sondagem encomendada à Eurosondagem é a preferida de 37,5% dos madeirenses para avançar como candidata do PSD.

A candidatura de Cafôfo foi um saco de gatos, numa frente contra o PSD. A oposição juntou-se quase toda: PS, Bloco de Esquerda, PND, MPT, PTP e PAN. Só CDS e PCP ficaram de fora. Mas o jogo está em aberto e o PSD quer recuperar a autarquia mais importante da Madeira. Isso significaria que poderiam ter as duas mais importantes autarquias dos arquipélagos da Madeira e Açores, já que o atual presidente da câmara municipal de Ponta Delgada (e recandidato) é do PSD: José Manuel Bolieiro.

Pelos caminhos de Portugal. Problemas e oportunidades

Pelo país fora há situações em que o PSD pode recuperar câmaras e outras onde pode perder, seja para o PS, seja para essa nova ameaça: os movimentos de independentes. Estas recuperações pontuais podem ajudar na contagem final, na decisão da vitória por pontos: o número de autarquias.

Amares. Presidente da câmara do PS será o candidato do… PSD

Em Amares (Braga) o PSD tem uma hipótese real de conquistar a autarquia ao PS, de tal forma que foi definida como autarquia problemática pela direção nacional socialista. O atual presidente da autarquia, Manuel Moreira, zangou-se a meio do mandato com os vereadores do PS e retirou-lhe os pelouros. Em sentido inverso, o PS retirou-lhe a confiança política e o autarca acabou por atribuir pelouros, em outubro de 2015, aos vereadores do PSD. Na altura que se uniu aos vereadores do PSD, disse, citado pelo jornal O Minho: “Continuo militante [do PS], mas estou-me marimbando. A minha obrigação é, em primeiro lugar, com os meus eleitores e para cumprir o meu compromisso com eles e foi preciso fazer esta coligação com o PSD para conseguir ter maioria no executivo.”

Em março, após ser eleito como presidente do PSD/Amares, Isidro Araújo, que tinha passado em outubro a ser vice-presidente da autarquia (substituindo o presidente da concelhia do PS/Amares no executivo), foi claro: “A minha decisão é esta: Manuel Moreira será o candidato do PSD à câmara e já tenho o seu acordo para essa candidatura.” O caso é caricato, já que o atual presidente da câmara do PS será o candidato do PSD.

Barcelos. Com as divisões no PS outro galo pode cantar

Num concelho que tradicionalmente votava PSD, mas que virou para o PS, os sociais-democratas podem beneficiar com as divisões do PS. Miguel Costa Gomes, presidente da câmara, entrou em conflito com o seu vice-presidente Domingos Pereira — que também lidera a concelhia e retirou-lhe os pelouros e a confiança.

Entretanto, Domingos Pereira, que também é deputado do PS, fez-se eleger candidato a presidente da câmara através da concelhia, Mas a sede nacional do PS não aceitou, uma vez que a regra é recandidatar todos os presidentes de câmara em funções. Domingos Pereira anunciou que se demitia de todos os cargos no partido e fez saber que poderia candidatar-se como independente. O PSD tem aqui uma possibilidade de recuperar uma câmara que foi social-democrata, num concelho que foi uma das principais estruturas do partido.

Anadia. PSD apoia militante que expulsou

O caso é, em parte, idêntico ao de Marco Almeida, já que o PSD vai apoiar um militante que expulsou. Tudo começou quando há quatro anos, Litério Marques, que era presidente da câmara pelo PSD, atingiu o limite de mandatos. Como não podia ser candidato, avançou com um movimento de independentes (Movimento Independente Anadia Primeiro) em que a candidata foi a então sua vice-presidente Teresa Cardoso. Litério Marques também foi candidato, mas como número dois da lista.

O autarca que liderou Anadia durante 18 anos acabou expulso do PSD. A distrital de Aveiro decidiu, no entanto, apoiar agora em 2017 Litério Marques, que, aos 75 anos, irá disputar a autarquia com Teresa Cardoso. A concelhia do PSD de Anadia decidiu e a decisão foi ratificada pela distrital, mas sem haver plenário de militantes (havendo vários que estão revoltados com a escolha).

O duelo Teresa Cardoso-Litério Marques está assim marcado, havendo já divisões no partido. Os três presidentes de junta que o PSD tem no concelho estão contra a escolha de Litério Marques e vão concorrer por movimentos independentes (dois deles no movimento de independentes da atual presidente de câmara). O PSD recupera o autarca que expulsou mas será muito difícil recuperar a câmara, já que boa parte da estrutura está com a atual presidente do município.

Oliveira do Bairro. Quando é retirada a confiança

Há depois vários casos pontuais pelo país, em que o PSD pode ter dificuldades. Em Oliveira do Bairro, por exemplo, a concelhia local retirou a confiança política ao presidente da câmara, Mário João Oliveira, que atinge o limite de mandatos. Há também um dos presidentes de junta de freguesia social-democrata (da Palhaça) que vai concorrer num movimento de independentes, colocando a conquista da autarquia mais difícil para o PSD. No mesmo distrito, em Ílhavo, o candidato do PS a presidente da câmara era militante do PSD até 2016, mas à partida não fará grande estrago, já que o município é social-democrata.

Portalegre seria uma boa oportunidade para o PSD dar um ar da sua graça no Alentejo, mas na terra do secretário-geral Matos Rosa a presidente de câmara, Adelaide Teixeira, vai voltar a concorrer como independente. Adelaide Teixeira era presidente da câmara pelo PSD, mas após o partido escolher outro candidato, avançou como independente e venceu em 2013. Agora, voltará a repetir a candidatura.

Em Monção, por exemplo, o PSD tem em aberto a possibilidade de retirar a câmara ao PS, pois ganhou em 2013 por uma margem muito escassa.

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