Não é muito habitual uma ministra do Trabalho ser a principal protagonista do congresso de um sindicato. E, porém, foi exatamente isso que aconteceu a semana passada em Madrid, quando Yolanda Díaz subiu ao palco do encontro das Comisiones Obreras, o sindicato historicamente ligado ao Partido Comunista Espanhol, do qual Díaz é militante — situação que não interfere com o cargo atual de líder do Unidas Podemos, que acumula. “Hoje, venho dar-vos um dado”, disse a ministra aos delegados, com um sorriso. A frase já é de antologia: Díaz utiliza-a habitualmente nas suas respostas ao secretário-geral do Partido Popular no Congresso, o que já se tornou uma piada no ecossistema da esquerda espanhola no Twitter.

O discurso da ministra — e vice-presidente do executivo espanhol — foi centrado na promessa de que, com ela, o governo de coligação PSOE-Podemos (o primeiro da História de Espanha) avançará com a revogação da reforma laboral de Mariano Rajoy, “apesar de todas as resistências, que existem e são muitas”. Yolanda Díaz foi ovacionada de pé.

Foi o ponto de partida para uma semana que seria a de maior tensão de sempre dentro da coligação, precisamente por causa dessa mesma reforma laboral. A ministra do Trabalho não gostou do envolvimento da ministra da Economia e representante do PSOE, Nadia Calviño, na negociação da reforma da lei do trabalho — e a brecha entre os socialistas e os representantes do Podemos cresceu. O clima era de Guerra Fria, como descreveu o El Mundo: “Conversas cruzadas, mensagens, reuniões abortadas… Mas durante estes dias, Pedro Sánchez e Yolanda Díaz não falaram pessoalmente do assunto.”

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