1249,4kWh poupados 1249,4 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Presença de José Luís Carneiro na campanha de Seguro foi sempre articulada com candidato e foi mínima.
i

▲Presença de José Luís Carneiro na campanha de Seguro foi sempre articulada com candidato e foi mínima.

VASCO COELHO/OBSERVADOR

▲Presença de José Luís Carneiro na campanha de Seguro foi sempre articulada com candidato e foi mínima.

VASCO COELHO/OBSERVADOR

Seguro trouxe "balão de oxigénio" ao PS, mas socialistas travam euforia

Carneiro aproveitou a noite eleitoral para se lançar já nas diretas, o que surpreendeu alguns socialistas. No partido pede-se "serenidade" numa altura em que é sempre Ventura a lucrar com crises.

A vitória de António José Seguro na primeira volta era, no arranque destas presidenciais, uma miragem. A falta de pujança inicial do candidato levou o PS a arrastar o apoio e a desejar alternativas, mas foi com este que acabou por, 20 anos depois, ficar a um passo do Palácio de Belém. É um “balão de oxigénio”, mas não é grande o suficiente para o PS poder descansar à sombra de uma Presidência que parece prestes a cair do céu.

Depois de umas legislativas traumáticas e de umas autárquicas sofríveis (que o líder procurou camuflar como “positivas”), os socialistas tentam conter a euforia de um possível regresso à Presidência — não só pela distância que Seguro tem cravado como pelo ambiente pouco propício a passos em falso. A convicção é de que a recuperação ainda está longe. Por isso mesmo, até existe alguma surpresa com a pressa de José Luís Carneiro em marcar novas eleições diretas, como se temesse um assalto repentino ao seu poder — a convocatória para a Comissão Nacional onde serão tomadas essas decisões foi conhecida na noite da vitória de Seguro.

Nas últimas horas, o Observador ouviu vários socialistas que não esconderam alguma estupefação com este pontapé de saída do líder a meio das presidenciais. O partido terá um congresso, precedido de novas eleições diretas (as de junho foram intercalares, pelo que é necessário repeti-las para iniciar todo o novo ciclo no partido, elegendo todos os outros órgãos de direção) e isso estava alinhado para depois das presidenciais.

No entanto, a Comissão Nacional já foi convocada pelo presidente do partido para, no próximo sábado, os socialistas analisarem a situação política — onde não faltará o regozijo com a vitória do antigo líder na primeira volta presidencial — mas também a discussão do calendário das diretas e do congresso.

José Luís Carneiro será recandidato ao cargo onde está há apenas seis meses e não há adversários temíveis à sua recandidatura. “As coisas dentro do PS estão amplamente serenas“, comenta um dirigente com o Observador, acrescentando: “O PS precisa de tempo. Nada mudou na posição do partido com as presidenciais. Continuamos a precisar de tempo”.

“É um balão de oxigénio, mas não serve para nada de imediato”, diz a mesma fonte. Outro destacado socialista nota que, “num clima desfavorável para quem tem um pensamento social-democrata, eleger um Presidente com esse pensamento é positivo”. Mas é apenas um sinal: não é possível ver nada mais além disto nesta primeira vitória eleitoral de Seguro.

“Agora o desafio passa por eleger Seguro. Depois existem vantagens de não termos eleições tão cedo“, acrescenta ainda o mesmo socialista sobre as preocupações do partido no imediato, empurrando para a frente a existência de um eventual desafio à liderança de Carneiro. O tempo é de “estabilidade“, defende a mesma fonte, dizendo mesmo que “só interessava que o país tivesse eleições depois das europeias e das autárquicas” de 2029.

Nas redes sociais, o socialista Ascenso Simões foi mais duro com Carneiro e questionou o timing do líder em disparar agora com a discussão interna: “Não haverá no Rato quem tenha um pingo de bom senso? Carneiro ainda não percebeu que não vai ter nenhum adversário, que a sua liderança só será avaliada em 2028 e que o PS vai passar oito anos na oposição até voltar a poder sonhar com a governação?”

No PS existe alguma surpresa com a pressa de José Luís Carneiro em marcar novas eleições diretas, como se temesse um assalto repentino ao seu poder — a convocatória para a Comissão Nacional onde serão tomadas essas decisões foi conhecida na noite da vitória de Seguro

O debate sempre adiado dos pós-legislativas

No partido tem-se reclamado tempo para uma reorganização interna. Ascenso Simões, por exemplo, escreveu que o que José Luís Carneiro deveria estar a fazer neste momento era “renovar o PS de baixo a cima, pôr os militantes a debater, as estruturas a funcionar, os autarcas a trabalharem em conjunto, reciclar os deputados, constituir novos espaços de pensamento com gente que tenha menos de 50 anos”. “Mas não”, lamentou o antigo secretário de Estado.

No pós-legislativas e depois da demissão de Pedro Nuno Santos, José Luís Carneiro foi rápido a posicionar-se para a sucessão e foi criticado por isso, nomeadamente por Duarte Cordeiro, Mariana Vieira da Silva e Fernando Medina, que ainda estudaram um concorrente para essas diretas. Carneiro acabou por correr sozinho, o mesmo que se prepara para acontecer desta vez.

Mas a prometida discussão interna continua por fazer e com um quadro político que já se alterou desde as legislativas — o avanço do Chega é notado por todos — o posicionamento do partido para o futuro continua a ser um tema indefinido. Por exemplo, entre deputados há quem questione se a postura de “pactos” que Seguro promete levar para Belém, aliada à “estratégia das cartas” ao Governo de Carneiro não seja poucochinho para o partido. “O que sobra para o PS? Não pode ficar neste registo. Ou então desaparece.”

José Luís Carneiro já começou contactos para preparar esses novos tempos, segundo sabe o Observador, mas, por agora, o mais que fez foi apanhar a onda de Seguro. O antigo líder socialista procurou sempre vincar a fronteira que separa a sua candidatura dos partidos, remetendo o PS para uma segunda linha durante toda a campanha, ainda que a máquina do partido tenha sido determinante para a mobilização.

Na noite eleitoral, Carneiro seguiu o guião traçado por Seguro e só falou do resultado a partir da sede nacional do partido em Lisboa, não aparecendo nas Caldas da Rainha. Mas, na declaração que fez aos jornalistas, não deixou de se colar ao feito: “Naturalmente que é um candidato suprapartidário, mas o PS vive com muita alegria este momento da vida democrática”.

Nas televisões, à mesma hora, socialistas mais críticos da atual direção deixavam avisos a Montenegro que também soavam a avisos internos, sobretudo apontando para o crescimento do Chega. Foi o que fizeram, no canal Now, Mariana Vieira da Silva e Duarte Cordeiro. A primeira criticou Montenegro porque a “esperança que alimentou de conseguir secar o eleitorado à sua direita, tomando conta da sua agenda, não resultou”. “[Está] numa tenaz que o PS também conhece: [a dúvida de saber] como é que vai recuperar o seu eleitorado”, disse a antiga ministra.

Já Duarte Cordeiro puxou por outro ponto, considerando que o PS deve preservar a sua relação com o PSD. “O equilíbrio do sistema político é fundamental”, avisou o também ex-ministro de António Costa, ao mesmo tempo que dizia que “o PS não podia estar precipitadamente a empurrar o PSD para o Chega”.

Entre socialistas ouvidos pelo Observador existe o receio de que a trajetória de crescimento do Chega esteja longe do fim, A questão da recuperação de eleitorado é uma preocupação porque condiciona qualquer regresso ao poder, mesmo admitindo que o caminho ainda possa ser longo até lá. Existe, aliás, uma vantagem na possível eleição de António José Seguro para PS e PSD: os socialistas perceberam que a instabilidade permanente e a aceleração dos ciclos políticos nos últimos anos conduziu sempre ao reforço de quem vota no Chega ou na IL.

“A instabilidade no curto prazo beneficia o Chega e Ventura”, comenta um destacado socialista com o Observador, considerando avisado que “os partidos que defendem a estabilidade trabalham agora para eleger quem a garanta e depois mantê-la”. “O PS tem de compreender e defender isso”, comenta a mesma fonte sobre o seu próprio partido.

O quadro parlamentar está preso por arames, mas mesmo com uma eventual tentação do Chega para provocar uma crise política terá de contar com o PS, que tão cedo não parece querer entrar nesse jogo. E enquanto o poder não aparecer como uma possibilidade no horizonte, as águas internas também continuarão aparentemente serenas.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.