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KIMMY SIMÕES/OBSERVADOR

KIMMY SIMÕES/OBSERVADOR

"Sempre se viu o pobre como o bondoso e o rico que ficou rico a pisar os outros. Mas os nossos valores não são a nossa conta bancária"

Para alguns, Cristina Benito é a "Marie Kondo das finanças pessoais". Em entrevista, a autora de "Money Mindfulness" explica porque devíamos falar sobre dinheiro sem medo ou preconceito.

O dinheiro sempre esteve no trabalho e no dia a dia da espanhola Cristina Benito. Ao curso de Economia seguiram-se anos dedicados à banca privada: primeiro na AB Asesores, uma das sociedades de investimento espanholas “mais influentes na década de 1990”, posteriormente adquirida pela multinacional Morgan Stanley. Aí trabalhou vários anos enquanto consultora de finanças pessoais e, mais tarde, foi auditora do governo de Espanha. Benito passava o dia a falar de dinheiro e isso não mudou quando ela e o marido deixaram o país natal rumo a Londres. Trabalhou numa loja da New Bond Street, uma das ruas mais luxuosas do mundo, onde um fato de homem começava nas 1800 libras, e viu de tudo: cartões de crédito transparentes, negros, verdes, de ouro e de platina.

A viver em Lisboa desde janeiro, Cristina Benito veio ao Observador falar sobre o livro que assina, “Money Minfdulness” (editora Presença), o qual pretende ensinar o leitor a gerar, poupar e multiplicar o dinheiro. A “Marie Kondo das finanças pessoais”, tal como a descreve o La Vanguardia, explica em entrevista como é essencial termos uma relação honesta com o dinheiro, como é importante tomar decisões financeiras conscientes e como nos identificamos tanto com coisas que, por vezes, “pensamos que somos a casa em que vivemos, o carro que temos e a roupa que vestimos”. Ao Observador, Benito deixa o aviso: “Às vezes passamos por momentos mais difíceis e achamos que precisamos de compensação — seja porque estamos com o companheiro ou a companheira errado/a, seja porque estamos num trabalho do qual não gostamos. Para compensar coisas como estas, compramos, compramos e compramos”.

O livro está à venda por 14.90 euros.

Como funciona o mindfulness aplicado às finanças pessoais?
No livro falo de mindfulness como o ato de prestar atenção. É uma adaptação moderna do que foi ensinado por Buda há mais de 2.500 anos. Tal como quem medita presta atenção ao ar que entra e sai das fossas nasais para se concentrar, nas finanças prestamos atenção a cada entrada e saída de dinheiro. Só assim o dinheiro deixará de ser um problema.

Ter consciência do dinheiro permite-nos ter uma boa relação com ele?
Sim. Há quem tenha muito dinheiro e seja infeliz — porque está preocupado com os investimentos e/ou com facto de as pessoas em redor poderem ou não ser interesseiras —  e há quem se preocupe em como vai chegar ao final do mês… Para ter uma boa relação com o dinheiro não é tão importante a quantidade, mas sim a consciência que temos dele. É verdade que todos precisamos de ter as nossas necessidades asseguradas mas, a partir desse patamar, mais quantidade de dinheiro não nos vai dar felicidade. Se procuro a felicidade no ato de ter mais e mais dinheiro — para ter mais e mais coisas –, não vou encontrá-la.

Mas isso parece ser uma mensagem utópica…
Por isso é que digo que todos precisamos de ter as nossas necessidades asseguradas. As pessoas que estão próximas da morte, ou que tiveram uma experiência grave, não pensam em quando é que vão sair do concessionário com o carro novo ou quando é que lhe vão aumentar o salário. Pensam no tempo que passaram com os entes queridos e/ou com os amigos, pensam nas relações. Há outras coisas nas quais vamos encontrar a felicidade, mas para poder desfrutar delas precisamos de tempo e também de serenidade mental — tanto o tempo como a serenidade mental apenas são alcançáveis com umas finanças saudáveis. Falar connosco mesmos sobre dinheiro é o primeiro passo.

"Às vezes passamos por momentos mais difíceis e achamos que precisamos de compensação -- seja porque estamos com o companheiro ou a companheira errado/a, seja porque estamos num trabalho do qual não gostamos. Para compensar coisas como estas, compramos, compramos e compramos."

Mas é difícil falar de dinheiro… Por exemplo, num sentido geral, fomos educados de que falar de dinheiro é falta de educação…
É verdade, disseram-nos isso, que falar de dinheiro é má educação. Quando digo falar de dinheiro não me refiro ao ato de gabar. O que está em causa é enfrentarmos o dinheiro com naturalidade: se agora temos posses e podemos fazer algo, ainda bem; se não podemos, “no pasa nada”. Não é preciso sofrer por isso. Acho que nas sociedades mediterrâneas católicas sempre se viu o pobre como sendo uma pessoa boa, capaz de dar o pouco que tem, e o rico que ficou rico por ter pisado outras pessoas. É como o Evangelho de São Mateus: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”. Ou como os contos de fadas que nos contavam em pequenos, nos quais o pobre era o bondoso. Mas, realmente, os nosso valores não têm nada que ver com a nossa conta bancária. Temos exemplos de pessoas no mundo como Bill Gates que tem uma fundação e que doa parte do seu património — há sempre quem argumente que ele só doa parte do que tem, ainda assim não podemos dizer que não é generoso e que não está preocupado em deixar o mundo melhor do que o encontrou.

Há duas mensagens importantes no livro. Uma diz que não devemos viver para trabalhar só para ter mais dinheiro, outra diz que não há nada de errado em trabalhar para ter a vida que queremos e merecemos. Consegue explicar como é que isto não é…
Uma contradição?

Sim…
O dinheiro em si mesmo não é mau nem bom. O importante é encontrar o equilíbrio. [Não há mal em] Trabalhar duro para ter a vida que queremos. [Mas] Se há um momento em que estamos a trabalhar muito e passamos por cima dos nossos valores ou deixamos de lado a família… aí é preciso parar e pensar. A diferença está entre quem tem o poder na nossa vida: nós ou as nossas finanças?

Acha que a sociedade mediterrânea e católica convenceu-nos de que é errado criar fortuna?
[Convenceu-nos] de que a fortuna não se faz de forma limpa.

Tanto em Portugal como em Espanha há casos de, por exemplo, corrupção a nível político.
Também [é] por isso, mas não acontece só nas elites políticas. Quando há uma pessoa que do nada fez uma fortuna, duvidamos sempre… Temos essa ideia do dinheiro como algo “sujo”.

Que tipo de comportamentos/hábitos têm as pessoas a quem lhes custa falar sobre dinheiro? Por exemplo: a pessoa que no restaurante não pergunta quanto custa determinada coisa por vergonha ou que, no fim, dá o cartão para pagar a conta num gesto sofrido, como se fosse arrancar um penso à pressa.
Isso acontece porque, às vezes, pensamos que ao perguntarmos outras pessoas vão ficar a achar que não temos dinheiro suficiente. É como ir a um banco pedir uma hipoteca e não nos informarmos bem, ou ter contas poupança e dizer a outras pessoas para investirem esse dinheiro por nós. Ou como não pedir um aumento no salário. São pessoas que não se atrevem a falar de dinheiro, a pedir um aumento mesmo quando acham que merecem. Há medo.

"Vivemos a pensar no que não fizemos ou nas projeções do futuro. É como dizer “Pouparei no próximo mês”.

marchmeena29/iStockphoto

E como podemos romper com esse comportamento?
Primeiro, começando por falar sobre dinheiro connosco mesmo. Esse é o primeiro passo. Quando o conseguimos fazer é realmente mais fácil. Outra ideia é apontar as contas, quanto gastamos em transporte, na renda… [É importante] Começar a ver para onde está a ir o dinheiro porque, muitas vezes, dizemos que adoramos viajar mas que não temos dinheiro. Gostamos mais de viajar ou de sair todos os fins de semana? É preciso ter em conta o quanto gastamos.

É uma questão de escolhas.
Sim, efetivamente. O papel com as contas discriminadas vai sempre dizer-nos muito.

No livro fala em “despesas térmita”, como os cafés ou os snacks ao longo do dia. Gastamos muito dinheiro em pequenas coisas sem nos darmos conta?
Sim, são tão pequenas que, no momento, não as sentimos. Com isto não quero dizer que não podemos gastar dinheiro, mas devemos gastar dinheiro naquilo que queremos mesmo e que nos traz felicidade. Para mim, o primeiro café da manhã traz-me felicidade, preciso dele. O segundo, muitas vezes dou só um gole, porque estou distraída a falar com um colega e nem o aprecio. O terceiro cai-me mal. Se realmente os três cafés são precisos, tudo bem, mas quando os beberes, desfruta deles.

Tendemos a esquecer-nos que o dinheiro com que compramos coisas é, na verdade, o nosso tempo.
Somos mais conscientes se pensarmos, por exemplo, quantos anos da nossa vida vamos dedicar na troca de um carro, que, no fundo, vai ter o mesmo papel que o antigo [assumindo que este continua a funcionar]. Acho que isso nos faz pensar de outra forma. Porquê dedicar cinco anos se posso apenas dedicar um ano da minha vida?

"Não quero dizer que não podemos gastar dinheiro, mas devemos gastar dinheiro naquilo que queremos mesmo e que nos traz felicidade. Para mim, o primeiro café da manhã traz-me felicidade, preciso dele. O segundo, muitas vezes dou só um gole, porque estou distraída a falar com um colega e nem o aprecio. O terceiro cai-me mal. Se realmente os três cafés são precisos, tudo bem, mas quando os beberes, desfruta deles."

O mindfulness remete para a consciência do presente. Será que, do ponto de vista financeiro, estamos a tratar mal o nosso tempo?
Vendemos o nosso tempo a troco de dinheiro. Se só vendemos o nosso tempo, estamos, de facto, a pôr um limite à nossa capacidade de gerar rendimento. Podemos também vender os nossos resultados. Há outras formas de ampliarmos a nossa capacidade para gerar dinheiro. Por outro lado, vivemos muito no passado ou no futuro. Vivemos a pensar no que não fizemos ou nas projeções do futuro — é como dizer “Pouparei no próximo mês”. É preciso honrar o princípio e poupar nem que seja 20 euros por mês. Mais uma vez, não é importante a quantidade, mas sim ir introduzindo hábitos que mudem a nossa forma de pensar no dinheiro. Se introduzirmos na nossa vida o hábito da poupança, vamos poder poupar cada vez mais. Mas é preciso começar agora. Porque “agora” é o único momento.

Como se relaciona com o dinheiro? Cinco perfis, de acordo com "Money Mindfulness"

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O pirómano

  • “Trata-se da pessoa que tem necessidade de queimar, o quanto antes, o dinheiro — muito ou pouco — que lhe passa pelas mãos, como se tivesse medo que desaparecesse antes de chegar a usá-lo. No extremo, em termos patológicos, estaria o jogador compulsivo que, em poucos dias, gasta o salário que devia durar-lhe o mês inteiro, mas este padrão também está presente na elite dos mais ricos.”

O desprendido

  • “O desprendido entrega aos outros tanto o que lhe sobra como o que não lhe sobra, quer se trate de dinheiro, quer de tempo, dois conceitos que estão intimamente ligados. (…) O desprendido está sempre a fazer favores que acabam por lhe custar dinheiro e tempo. Decide tornar-se indispensável para, em contrapartida, ter como garantido o carinho dos que o rodeiam.”

O neurótico da pobreza

  • “Determinadas pessoas não queimam os seus recursos de ânimo leve, como o pirómano, nem sequer os oferecem, como o desprendido, mas privam-se da prosperidade de uma maneira mais subtil, não deixando que o dinheiro flua direito a elas. No fundo, o resultado acaba por ser o mesmo, apenas com a vantagem de não se endividarem. É a isto que o editor e jornalista David Barba denomina ‘neurose da pobreza’, e da qual sofrem os que, podendo ganhar dinheiro com o seu talento, preferem continuar pobres e puros, em vez de serem uns ‘vendidos’.”

O tipo formiga

  • “O padrão do tipo formiguinha é muito comum — e acertado –, em tempos de vacas magras, ou a seguir a uma crise económica, mas o seu comportamento não pode transformar-se numa situação permanente de carência que, muitas vezes, é o reflexo de uma obsessão doentia por acumular dinheiro.”

A nuvem do não-saber

  • “São pessoas que, por despreocupação ou por aversão, preferem não prestar atenção ao dinheiro. Ignoram-no como se não existisse, ou como se fosse um mal com o qual tivessem de viver. (…) É habitual a nuvem do não-saber entregar a gestão e o controlo dos seus próprios recursos a outra pessoa.”

Porque é que as pessoas com menos dinheiro tendem a endividar-se mais do que deviam? Ou isto também é sintomático entre os mais ricos?
Nem toda a dívida é má, depende do motivo porque nos estamos a endividar e o nível da dívida. Se me endivido para comprar uma casa e estou a comprá-la a um preço razoável, numa zona onde quero viver… não há mal. É preciso ter em conta a mensalidade e fazer um estudo. Endividarmo-nos para comprarmos coisas das quais não necessitamos ou para ter um nível de vida superior ao que realmente podemos suportar é fatal — é como endividarmo-nos para fazer umas férias num resort de luxo ou para trocar um automóvel que ainda funciona para comprar outro de gama mais elevada…. Esse tipo de endividamento não faz mais do que levar parte da nossa vida e do nosso tempo. Talvez não seja preciso endividarmo-nos, mas sim rever o nosso estilo de vida. Há pessoas com muito dinheiro que têm uma má relação com ele, são aqueles que no livro chamo de pirómanos, pessoas que nunca têm o suficiente por muito poder aquisitivo que tenham, que não tomam boas decisões, que fazem investimentos ruinosos e acabam por se endividar de uma forma milionária. Há pessoas com menos dinheiro que querem ter um nível de vida para impressionar…

Vivemos numa sociedade consumista. Acha que muitas pessoas associam a autoestima a bens materiais?
O que acho que acontece é que nos identificamos com as coisas.

Somos o que compramos?
Na sociedade em que vivemos disseram-nos que vamos encontrar a felicidade nas coisas e isso não é verdade. Logo, acabamos por nos identificar com elas. Damos tanta importância ao que compramos que pensamos que somos a casa em que vivemos, o carro que temos, a roupa que vestimos, mas tudo pode desaparecer e, quando se isso acontecer, continuamos os mesmos: vivos. Esta identificação…

É perigosa?
Muito perigosa.

Acha que na sociedade atual muitas pessoas vivem assim?
Acho que sim, que a maioria sim. Às vezes passamos por momentos mais difíceis e achamos que precisamos de compensação — seja porque estamos com o companheiro ou a companheira errado/a, seja porque estamos num trabalho do qual não gostamos. Para compensar coisas como estas, compramos, compramos e compramos.

"Damos tanta importância ao que compramos que pensamos que somos a casa em que vivemos, o carro que temos, a roupa que vestimos, mas tudo pode desaparecer e, quando se isso acontecer, continuamos os mesmos: vivos."

No livro escreve que em Londres tudo girava em redor do que dinheiro. Está em Portugal desde janeiro, que descrição faz de Lisboa?
Lisboa é uma cidade maravilhosa. Em relação ao dinheiro… o que vejo é que se está num momento de mudança. Além de existir uma grande preocupação, sobretudo com as rendas das casas, vive-se uma altura em que se está a sair da crise, pelo que há maior capacidade aquisitiva. Quando se começa a sair da crise a primeira coisa que queremos fazer é comprar uma casa, comprar um carro…

Acha que é isso que o está a acontecer em Lisboa?
Sim. Não digo isto como algo negativo. Quando estás melhor queres consumir e comprar mais.

Ao mesmo tempo que estamos a sair de uma crise, estão a acontecer coisas no mundo que podem provocar instabilidade — como a guerra comercial entre EUA e China e o Brexit… Que conselho dá considerando esta imprevisibilidade?
É verdade que vivemos um momento internacional em que muitas coisas podem vir a afetar a nossa economia, mas o meu conselho é sempre começar por tomar controlo do que é nosso, isto é, das nossas finanças. Sobre isso podemos ter controlo, sobre o que está a acontecer à nossa volta… Vão estar sempre a acontecer coisas, nunca vai haver um momento ideal. Isso não quer dizer que não devamos estar alerta, mas… penso que era a Madre Teresa de Calcutá que dizia que para se arranjar o mundo é preciso arranjar primeiro a nossa casa. Se uma crise acontecer quando já tivermos poupado, quando tivermos as finanças em ordem, será mais fácil enfrentar a situação.

É verdade que há uma relação entre dívida e culpa?
Na Alemanha sim porque a palavra é a mesma [o termo alemão “schuld” para “dívida” também significa “culpa”]. No meu caso, era sempre o que dizia a minha avó: “aquele que paga, descansa”. Mas não é que toda a dívida seja má, mas se estou a fazer um crédito desnecessário, vou pagar essa culpa com juros todos os meses. É muito perigoso quando se dá o passo seguinte, isto é, pedir um crédito para pagar uma dívida. Quando se entra nessa espiral…

Conhece casos de pessoas que se perderam nessa espiral?
Sim…

Cristina Benito trabalhou durante vários anos na banca privada, investindo o dinheiro dos clientes.

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É muito complicado sair dela?
Cada situação é diferente, mas é muito difícil sair. Mas pode-se sair, é preciso querer. A primeira coisa fazer é enfrentar [o problema]. Muitas vezes esse problema arrasta-se à nossa relação, à nossa família. Poucas vezes isso restringe-se a um problema económico. Até pode ser que se esteja a viver uma realidade e que a família veja outra completamente diferente. O primeiro passo é mesmo reconhecer o problema, embora provavelmente seja necessária ajuda de um assessor, de alguém que explique como sair da situação.

Por vezes não nos pagam o que merecemos pelo nosso trabalho. Há salários baixos. Como é que uma pessoa que recebe pouco se pode motivar?
É difícil porque parece que temos de lutar contra o sistema, mas… há uma opção que é procurar outras alternativas. Tal como não nos podemos identificar com as coisas que compramos, não temos de nos identificar com o nosso trabalho. Podemos mudar de trabalho, podemos ter fontes de rendimentos adicionais. Mas também podemos pedir aumentos nos salários com base nos resultados do nosso trabalho.

Mas passamos muito tempo da vida a trabalhar e, por vezes, o trabalho é uma paixão.
Nunca devemos ter medo em pedir um aumento, é um passo muito importante. Às vezes somos nós próprios que colocamos os nossos tetos… Quando formos pedir aumentos é essencial falarmos de resultados, do que produzimos. Não é só o tempo que passamos no local de trabalho, mas também o que produzimos.

"Não é que toda a dívida seja má, mas se estou a fazer um crédito desnecessário, vou pagar essa culpa com juros todos os meses. É muito perigoso quando se dá o passo seguinte, isto é, pedir um crédito para pagar uma dívida. Quando se entra nessa espiral..."

Escreve que o importante não é o quanto se ganha, mas o quanto se poupa.
Se um pirómano ganhar a lotaria, vai gastar tudo. Se uma formiga ganha a lotaria, não vai ser capaz de desfrutar do dinheiro. Se a nossa relação com o dinheiro é má, não interessa quanto temos. Há máquinas de fazer dinheiro que estão arruinadas e há pessoas que nos fazem perguntar “Como é que consegues se ganhas o mesmo que eu?” — são pessoas que fazem planos a longo prazo e são capazes de ir gerindo o património.

Concorda com a ideia de haver educação financeira nas escolas?
Defendo a educação financeira o quanto antes, de maneira a ensinar a uma criança o que é o dinheiro, o que é a moeda… Simplesmente introduzir pequenos hábitos para lhes facilitar a vida quando forem mais velhos. Mas também depende da família ensinar uma criança a diferenciar o que se quer do que se precisa. Muitas vezes queremos coisas, desejamo-las, mas não precisamos delas.

Mas é importante reconhecer que, por vezes, a sociedade não é justa…
É verdade, mas também acho que somos privilegiados tendo em conta a parte do mundo em que nascemos. E acho que, por vezes, nos esquecemos disso e que vamos incorporando na nossa vida luxos que, com o tempo, convertemos em necessidades. De cada vez que incorporamos algo, damo-lo por garantido e não somos capazes de o valorizar.

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