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Ilustração de Luis Grañena

Ilustração de Luis Grañena

Trump volta a ser desmentido pela Casa Branca, crítico anónimo de 2018 revela-se e Biden mantém-se no estado onde vive /premium

Tudo o que tem de saber sobre o que se passa na campanha dos EUA. Membro do governo desmentiu Trump sobre testes, autor de artigo anónimo de 2018 revelou-se e Biden mantém campanha discreta.

Todos os dias fazemos-lhe um resumo do que se está a passar na campanha eleitoral nos Estados Unidos: as principais histórias do dia, as frases descodificadas, fact checks e recomendações de leitura para estar sempre bem informado até à eleição do próximo Presidente.

O que se passa na campanha

14 mil milhões de dólares. É este o valor que vai custar aos cofres públicos norte-americanos a eleição presidencial da próxima semana, tornando-se o mais caro ato eleitoral da história dos Estados Unidos. A menos de uma semana da eleição, ambos os candidatos começam a encaminhar-se para o argumento final, a mensagem que ficará na cabeça dos eleitores no dia decisivo. Trump continua a correr o país, comício atrás de comício, com discursos sempre iguais. Esta quarta-feira, teve a companhia do britânico Nigel Farage em palco — mas o dia ficou marcado por um novo desmentido por parte de um membro da sua própria administração: o número de casos não está a subir por causa dos testes, como diz o Presidente. Também esta quarta-feira, Joe Biden votou e manteve-se no seu estado, onde discursou.

1Trump outra vez desmentido pela Casa Branca: os casos não estão a subir por causa dos testes

“Estamos a dar a volta” e “o número de casos está a subir porque testamos mais”.

Donald Trump tem estes dois argumentos na ponta da língua em todos os comícios, entrevistas e debates e está a ser essa a sua principal mensagem na reta final da campanha: os EUA estão a responder muito bem à pandemia da Covid-19, que nem é assim tão grave. No último fim-de-semana, o chefe de gabinete da Casa Branca contradisse o primeiro argumento (afirmando que o país não vai conseguir controlar a pandemia). Esta quarta-feira foi o secretário-adjunto da Saúde dos EUA a contradizer o segundo argumento de Trump.

Numa entrevista à NBC, o almirante Brett Giroir, que faz parte da task-force da Casa Branca para a pandemia e que tem a seu cargo a supervisão da testagem, desmentiu diretamente o Presidente e disse que o aumento do número de casos não se deve exclusivamente ao aumento do número de testes. Aliás, Giroir disse mesmo que os EUA precisam de aumentar ainda mais a sua capacidade de testagem (no verão, Trump chegou a sugerir que o país devia fazer menos testes para abrandar os números da pandemia).

“Acreditamos, e os dados mostram-nos, que os casos estão a subir. Não é apenas resultado da testagem. Sim, estamos a identificar mais casos, mas os casos estão mesmo a aumentar. E nós sabemos isso, também, porque as hospitalizações estão a subir”, disse Brett Giroir na entrevista. “E sabemos que as mortes estão a aumentar, infelizmente. Por isso, a nossa avaliação é que os casos estão a subir.”

Noutro momento da entrevista, Giroir detalhou que o país está num “ponto crítico da resposta à pandemia” e que “os casos estão a subir na maioria dos estados em todo o país”.

As palavras de Brett Giroir colidem de frente com o que Trump tem repetido. Ainda nesta segunda-feira, o Presidente norte-americano recorreu ao Twitter para insistir no argumento. “Os casos estão a subir porque nós TESTAMOS, TESTAMOS, TESTAMOS. É uma conspiração da imprensa das fake news. Muitos jovens, que recuperam muito rapidamente. 99,9%”, escreveu Trump, insistindo que se trata de uma conspiração da “imprensa corrupta” que, no dia a seguir à eleição, vai mudar de tema.

Numa intervenção diametralmente oposta àquilo que tem sido o posicionamento de Donald Trump, o responsável da Casa Branca pela testagem dos casos de Covid-19 apelou ao uso de máscaras e ao distanciamento social (práticas que têm sido raras nos comícios de campanha do Presidente).

“Quero enfatizar que conseguimos controlar o vírus. Sabemos como o fazer, com políticas inteligentes. É crítico usar máscara quando não podemos manter a distância física. Evitar multidões, sobretudo locais interiores movimentados, lavar as mãos”, recomendou Giroir, afirmando que o não cumprimento destas regras poderá obrigar à adoção de “medidas mais draconianas” por parte das autoridades estaduais e federais. “Temos as ferramentas para combater isto. Conseguimos controlar a pandemia.”

2Autor de artigo anónimo de 2018 dá a cara: é o antigo chefe de gabinete do Departamento de Segurança Interna

Em setembro de 2018, o The New York Times publicou um longo artigo de opinião de um autor anónimo, identificado apenas como um “alto funcionário da administração Trump”, que continha um relato detalhado do caos vivido dentro da Casa Branca nos tempos do Presidente Trump. O artigo tornou-se viral a nível global e gerou uma profunda controvérsia. Trump chamou-lhe cobarde e chegou a sugerir que a escrita do artigo era um ato de traição ao país.

O autor permaneceu anónimo até esta quarta-feira. A uma semana da eleição presidencial, o antigo chefe de gabinete do Departamento de Segurança interna dos EUA, Miles Taylor, assumiu a autoria do artigo. Num comunicado, Taylor escreveu que Trump “vê a crítica pessoal como subversiva” e descreveu o Presidente como “um homem sem carácter”, cujos “defeitos pessoais resultaram em falhas de liderança tão significativas que podem ser medidas em vidas americanas perdidas”.

Alto funcionário da Casa Branca publica opinião anónima no The New York Times para criticar Donald Trump

Taylor assumiu também que foi ele quem escreveu o livro “A Warning”, em que contou por dentro a vida na Casa Branca e as instabilidades do carácter do Presidente. “Trump tem sido exatamente aquilo que nós, conservadores, sempre dissemos que o governo NÃO devia ser: expansivo, despesista, arbitrário, imprevisível e propenso a abusos de poder”, afirma Taylor.

Trump não demorou a reagir à revelação. No Twitter, o Presidente disse desconhecer o autor. “Quem é Miles Taylor? Diz que é o ‘anónimo’, mas não o conheço — nunca ouvi falar dele. É só mais um GOLPE do New York Times — ele trabalhou com eles. Também trabalhou para a Google, das big tech. Agora trabalha para a CNN das fake news. Eles deviam despedir, envergonhar e punir toda a gente envolvida nesta FRAUDE aos americanos”, escreveu Trump no Twitter.

Mas Miles Taylor retorquiu, também no Twitter. “É pena. Eu lembro-me de si demasiado bem. E vou continuar a expor a sua Presidência falhada até à eleição — e depois”, escreveu Taylor na rede social, acompanhando a mensagem com duas fotografias em que surge ao lado de Donald Trump.

A notícia acabaria também por dominar os comícios do Presidente na quarta-feira. Num discurso perante centenas de apoiantes em Goodyear, no estado do Arizona, Trump classificou Taylor como “um sacana que nunca trabalhou na Casa Branca”. “Foi tudo mais um embuste do pântano de Washington”, afirmou ainda o Presidente.

3Nigel Farage surge na campanha para apoiar o “resiliente e corajoso” Donald Trump

Com os comícios de Donald Trump praticamente iguais a cada dia que passa (e a um ritmo de dois ou três por dia), as novidades vão aparecendo através de alguns convidados especiais. Esta quarta-feira, no Arizona, o britânico Nigel Farage subiu a palco para deixar rasgados elogios ao Presidente norte-americano.

“Há quatro anos, tive a honra de vir à América trazer a mensagem do Brexit, a mensagem de que é possível vencer o poder instituído. Foi isso que Donald Trump fez. Ganhou às sondagens, ganhou à imprensa, bateu todas as previsões, e o pior é que eles nunca lhe perdoaram por isso”, disse o antigo líder do UKIP e um dos arquitetos do Brexit, depois de ter sido apresentado em palco por Trump como “um dos homens mais poderosos da Europa”.

Nigel Farage juntou-se a Donald Trump no Arizona

Getty Images

“Esta é a pessoa mais resiliente e corajosa que conheci em toda a minha vida”, acrescentou, apontando para Trump, enquanto criticava quem acusou o Presidente de ter ligações à Rússia. Farage classificou também Trump como “o único líder atual do mundo livre que tem a coragem para se erguer pelo Estado-nação, para lutar pelo patriotismo, para lutar contra o globalismo”.

4Biden reúne-se com especialistas e promete ouvir a ciência se for Presidente

Esta quarta-feira, o candidato democrata, Joe Biden, ficou no seu estado de residência, o Delaware. Ao início do dia, Biden juntou-se aos quase 75 milhões de eleitores que já votaram antecipadamente e foi depositar o seu boletim de voto na urna, num edifício público em Wilimington.

O dia de campanha de Biden foi dedicado, por inteiro, às questões relacionadas com a pandemia. O candidato democrata tem procurado sublinhar as diferenças entre si e Donald Trump no que toca à forma de gerir a resposta à Covid-19. Esta quarta-feira, Biden deu um exemplo do tem repetido que pretende fazer: ouvir os cientistas.

À distância a partir de um teatro na cidade onde vive, o democrata participou numa reunião de especialistas para se inteirar da situação da pandemia nos Estados Unidos. No final, num breve discurso, explicou que não se candidata “sob a falsa promessa de ser capaz de acabar com esta pandemia desligando um interruptor”. A frase parece ter sido uma crítica direta a Trump, um dia depois de a Casa Branca ter divulgado um comunicado de imprensa a exaltar as conquistas de Trump na área da ciência, listando entre essas conquistas “acabar com a pandemia”, numa altura em que os números da pandemia continuam a subir por todo o país.

“Mas posso prometer-vos isto: vamos começar, no primeiro dia, a fazer o que está certo. Vamos deixar a ciência guiar as nossas decisões. Vamos tratar os americanos com honestidade. E não iremos nunca, nunca, nunca desistir”, afirmou Biden, acusando Trump de embarcar numa “cruzada para tirar os cuidados de saúde aos americanos” (referindo-se à intenção republicana de reverter o Obamacare).

No discurso, Biden destacou ainda que conversou com os cientistas sobre “a importância de usar máscara, proteger-se, proteger os que estão mais próximos e salvar cerca de 100 mil vidas nos próximos meses”. Um estudo recente publicado nos EUA concluiu que o uso generalizado de máscaras poderá salvar cerca de 130 mil vidas até fevereiro do próximo ano. “Isto não é político, é patriótico. Usar uma máscara. Usem uma, ponto final.”

A poucos dias da eleição, a campanha de Joe Biden continua a ser assinalavelmente mais calma do que a de Trump. O democrata tem viajado pouco e feito poucos comícios. Porém, tem publicado pequenos comunicados de imprensa diariamente no seu site. Na quarta-feira, acusou Trump de não estar a fazer todos os esforços para terminar os conflitos em curso entre a Arménia e o Azerbaijão e, mais uma vez, à boleia dos comícios de Trump, publicou uma resposta sobre o que foi dito pelo Presidente no estado do Nevada: “Quase 200 mil habitantes do Nevada estão sem emprego, e ainda assim a Casa Branca diz que desistiu de tentar controlar a pandemia. Os negócios por todo o estado estão destroçados e a economia do Nevada mantém-se fraturada”.

Um dos principais trunfos da campanha de Biden tem sido o seu antecessor, Barack Obama, carismático Presidente de quem foi número dois. Obama já protagonizou alguns comícios a solo — nos quais desferiu as mais duras críticas a Trump vindas da campanha democrata —, mas no próximo sábado o ex-presidente vai juntar-se ao candidato num comício em que os dois irão discursar, no estado do Michigan.

Nas entrelinhas

“É assim, eu tenho um trabalho para fazer, como os outros médicos, e vamos tentar dar aos americanos a melhor informação científica possível. Os americanos têm feito um trabalho excelente, o uso de máscara está a aumentar em todo o país.”
— Brett Giroir, secretário-adjunto da Saúde e membro da task-force da Casa Branca para a pandemia

Os últimos tempos têm provado que não é fácil ser um especialista das áreas médicas na Casa Branca de Donald Trump. Os que falam em público vêm-se forçados a medir as palavras. A frase acima foi dita por Brett Giroir — numa entrevista à NBC na qual enfatizou que os casos não estão a subir por causa do aumento do número de testes (como diz Trump) e apelou ao uso de máscara — depois de ser questionado sobre se sente frustrado por saírem das autoridades norte-americanas mensagens contraditórias sobre a pandemia: os cientistas preocupados, o governo a desvalorizar a ciência.

Confrontado com a escolha entre criticar Trump ou desviar o assunto, Brett Giroir optou pela segunda.

O confronto entre Trump e a ciência tem sido mais evidente no caso de Anthony Fauci, o diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas e o principal especialista em doenças infecciosas dos Estados Unidos (o que o elevou, desde o início, a figura de proa na condução da equipa científica que tem coordenado a resposta à pandemia da Covid-19). Um defensor do uso de máscaras e da adoção de medidas de contenção da pandemia, Fauci tem sido alvo de frequentes ataques de Donald Trump (e, devido às constantes ameaças, incluindo de morte, que ele e a família recebem por parte de grupos extremistas, tem de ser acompanhado por guarda-costas).

Recentemente, num telefonema interno da campanha, Trump disse que “as pessoas estão fartas de ouvir o Fauci e esses idiotas” e deixou no ar a ideia de que só não o despede por causa da pressão mediática. “Ele vai todos os dias à televisão e há sempre uma bomba”, disse Trump, acrescentando que despedi-lo seria “uma bomba maior”.

Esta atitude de permanente tensão entre um Presidente que quer “reabrir o país” rapidamente e os cientistas que querem controlar a pandemia leva a momentos como o protagonizado por Brett Giroir na NBC: confrontado com a incoerência da própria administração de que é conselheiro, a solução é fugir à pergunta.

Fact-check

A frase

“Muitos jovens, que recuperam muito rapidamente. 99,9%”

Donald Trump

No tweet em que argumentou, erradamente, que os casos de Covid-19 só estão a aumentar porque os EUA estão a fazer mais testes, Donald Trump usou outro argumento que à partida podia soar duvidoso: o de que 99,9% dos jovens infetados se curam “muito rapidamente”.

De facto, se olharmos para os números oficiais divulgados pelo Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças dos EUA. Se considerarmos que por “jovens” Trump se refere às duas primeiras faixas etárias (0-4 e 5-17), então a percentagem de infetados com o coronavírus que têm estas idades é de 9%, o que significa que os restantes 91% dos doentes têm 18 anos ou mais.

Já relativamente à rapidez com que os jovens se curam, o dado mais indicado para perceber esta tendência é a percentagem de doentes internados por idade. Também de acordo com dados do CDC, e considerando as mesmas duas faixas etárias, conclui-se que 1,6% dos internados têm menos de 18 anos.

Para chegar ao número apresentado por Trump, é preciso dividir o número de jovens internados (1.004) pelo número de jovens infetados (608.859). Resultado: 0,16% dos jovens infetados com Covid-19 precisaram de ser internados, o que significa que 99,84% dos jovens não necessitaram de internamento e puderam recuperar em casa. (Como estes números têm sofrido ligeiras variações, admite-se que o número dito por Trump corresponde à verdade.)

Há, porém, dois problemas aqui. Por um lado, esta contabilização não inclui os jovens adultos (faixa etária entre os 18 e os 29 anos), uma vez que, nos dados referentes aos internamentos, o CDC não desagrega os dados pelas mesmas faixas etárias que nos dados sobre o número total de casos, usando uma única faixa etária entre os 18 e os 49 anos — o que impossibilita a comparação rigorosa. Por outro lado, o facto de um doente não ser internado não significa necessariamente que tenha recuperado “muito rapidamente” — nem sequer que o processo de recuperação em casa tenha sido indolor. Significa, apenas, que não precisou de assistência médica especializada.

Conclusão: esticado. O número usado, 99,9%, fazia levantar dúvidas sobre a realidade da afirmação. Trata-se, de facto, de uma percentagem correta relativamente à quantidade de jovens infetados que precisaram de hospitalização, mas é esticado passar daí para a conclusão de que estes recuperaram “muito rapidamente”.

A frase

“Contar boletins de voto durante duas semanas [depois da eleição], o que é totalmente inapropriado e acho que nem respeita as nossas leis.”

Donald Trump

A pandemia tem sido não apenas um tópico central dos discursos de campanha, mas também uma grande condicionante do próprio ato eleitoral. As autoridades norte-americanas esperam este ano um recorde absoluto no recurso a opções de voto alternativas, como o voto antecipado e o voto por correio, como forma de evitar grandes aglomerados nas assembleias eleitorais do dia 3 de novembro.

Porém, isto tem levantado algumas dúvidas sobre a fiabilidade do processo e o Presidente tem aproveitado as questões para pôr em causa o resultado oficial. Um dos maiores problemas é o envio de boletins de voto nos dias imediatamente anteriores ao dia da eleição, o que pode fazer com que os votos cheguem às autoridades depois do dia 3 de novembro. Ambos os partidos têm insistido na necessidade de que os eleitores que votam por correio devem enviar o boletim com tempo suficiente — ou, então, optar por colocá-lo numa das urnas de voto antecipado que existem por todo o país.

Donald Trump tem insistido que deve existir um anúncio formal do vencedor da eleição no dia 3 de novembro, afirmando que não devem ser contados os votos que chegarem depois dessa data. “Temos de ter um total final no dia 3 de novembro”, disse esta semana no Twitter. “Seria muito, muito apropriado e muito bom se um vencedor fosse declarado no dia 3 de novembro, em vez de contar boletins de voto durante duas semanas, o que é totalmente inapropriado e acho que nem respeita as nossas leis”, acrescentou no dia seguinte aos jornalistas.

Porém, isto não é verdade. De acordo com o Politifact (membro da International Fact-Checking Network, IFCN, uma plataforma de fact checkers de que o Observador também faz parte), existem várias leis que enquadram a contabilização de votos após o dia da eleição. Aliás, nunca há um resultado oficial na noite eleitoral — apenas as projeções dos meios de comunicação, feitas com base nos resultados já contabilizados.

Existem pelo menos 19 estados norte-americanos cujas leis estaduais protegem esta possibilidade de os votos por correio serem contabilizados mesmo que cheguem depois do dia da eleição, desde que o carimbo dos correios tenha data anterior ao dia da eleição. Outros estados têm leis destinadas a assegurar que os votos enviados pelos militares destacados no estrangeiro são contados, mesmo que cheguem depois do dia da eleição.

Este ano, devido à pandemia, alguns estados querem aumentar os prazos de que dispõem para esta contabilização dos votos antecipados. Na quarta-feira, o Supremo Tribunal autorizou a extensão dos prazos na Pensilvânia e na Carolina do Norte, dois estados fulcrais na eleição de 2020.

Além disso, existe a lei federal, que determina que todos os estados norte-americanos têm até seis dias antes da reunião do Colégio Eleitoral (ou seja, até ao dia 8 de dezembro) para terminar a contagem dos votos. O resultado oficial da eleição presidencial só será conhecido depois de os membros do Colégio Eleitoral depositaram os seus votos, no dia 14 de dezembro, e de estes votos serem contabilizados pelo Congresso, no dia 6 de janeiro.

Conclusão: errado. As leis norte-americanas permitem a contabilização dos votos eleitorais até ao início de dezembro e o vencedor formal só será declarado quando o Colégio Eleitoral votar, ao contrário do que disse Trump, que espera um vencedor proclamado no próprio dia da eleição.

A foto

O encontro virtual de Joe Biden com os especialistas, num teatro em Wilmington, no Delaware, onde o candidato vive

Getty Images

A opinião

No The Wall Street Journal, o colunista Daniel Henninger classifica Joe Biden como “o partido severo de Bernie Sanders em pele de cordeiro” e diz que o democrata só se distinguiu nos debates das primárias democratas “porque lhes sobreviveu”. E questiona como é que os americanos chegaram ao ponto de ter de escolher “entre o diabo e o oceano profundo”, acrescentando: “O oceano profundo sempre me assustou”.

The 2020 presidential election has been defined by three events: the emergence of the coronavirus in March, the George Floyd protests after May 25, and Rep. Jim Clyburn’s endorsement in February of Joe Biden before the South Carolina primary. There has also been one major nonevent: the Biden presidential noncampaign.

A cold-weather resurgence of the virus in the upper Midwest and Plains States has put the pandemic in front of voters in the election’s final week, while the importance of the other two events in shaping the outcome has faded, especially the Clyburn coronation.

Na edição americana do The Guardian, Arwa Mahdawi pergunta o que está em jogo para Trump e argumenta que não é só a eleição. Tendo levado várias das suas empresas à bancarrota e tendo dívidas na ordem dos milhões (ou milhares de milhões), Trump poderá ter a vida dificultada se perder a eleição, sobretudo tendo um diferendo em curso com as autoridades fiscais norte-americanas. Pode mesmo, em caso extremo, ir para a prisão, sugere a colunista.

Going bankrupt once is unfortunate. Going bankrupt twice looks like carelessness. Driving your companies into bankruptcy six times, however, as Donald Trump has done, makes you a brilliant businessman.

That is according to the US president, anyway. Trump, a self-described “king of debt”, is proud of his multiple business bankruptcies, boasting frequently about how he has “brilliantly” exploited corporate bankruptcy laws in order to wriggle out of his companies’ financial obligations. Time and time again, Trump has managed to make others – employees, investors and banks – pay for his failures. Trump, who has never declared personal bankruptcy, has been able to protect his own assets and move on to the next fiasco.

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