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ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Tudo a postos para Rio avançar (falta o ok final). Como as tropas se estão a posicionar

Rui Rio estava só à espera de Costa: não vai haver acordo de governo, estável, para quatro anos. Direção pressiona e acredita que Rio vai à luta. Decisão final está para breve. Quem apoia quem.

Sem acordo escrito à esquerda, e com a governação de António Costa a depender de negociações caso a caso, Rui Rio teve esta quinta-feira à noite o sinal que faltava para desfazer o “tabu”. Fica ou sai? Ao que o Observador apurou, a decisão está prestes a ser finalizada e no seu núcleo duro há a convicção de que, nestas condições, Rui Rio vai mesmo à luta novamente. Não tanto por causa do desafio lançado por Luís Montenegro, que esta quarta-feira anunciou que vai ser candidato à liderança do PSD nas diretas de janeiro, mas sobretudo por causa da geometria variável que se pode vir a criar no Parlamento, e que dará margem ao líder do PSD para fazer aquilo que diz que é o seu único propósito na política: as reformas estruturais em nome do “interesse nacional”.

Uma semana de espera, para refletir, é uma eternidade em política, por isso os homens de Rio multiplicaram-se em contactos no terreno para acalmar as estruturas e, sobretudo, para não deixar fugir os apoios fiéis. Com a ressalva de que a decisão é pessoal, e está na cabeça de Rui Rio e de mais ninguém, os sinais que têm sido dados às estruturas são no sentido de uma recandidatura. A hipótese de Paulo Rangel ser uma espécie de plano B, caso Rio não quisesse ir a jogo, foi equacionada, numa lógica de a ala rioísta do partido não ficar orfã, mas tudo indica que não será preciso ir por aí. E Paulo Rangel, nesse caso, não será candidato.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A estratégia do day after acabou por ser exatamente como Rui Rio tinha desenhado: interpretou os 27,9% de votos como se tivessem sido uma vitória, no sentido em que não foram “desastre nenhum”, e, depois, remeteu-se ao silêncio. Era tempo de deixar António Costa fazer as suas jogadas para se perceber que tipo de governo iria sair dali e, paralelamente, era tempo de os críticos internos saírem da toca.

Com a ressalva de que a decisão é pessoal, e está na cabeça de Rui Rio e de mais ninguém, os sinais que têm sido dados às estruturas são no sentido de uma recandidatura.

Durante este tempo, Rio nunca lhes respondeu, pondo os seus homens de confiança nas televisões e nos jornais a fazerem a sua defesa. “[Rui Rio] Não vai falar enquanto estiver esta barafunda”, ouviu o Observador de uma fonte da direção. E só depois aparecer. A reunião da comissão política foi marcada apenas para a próxima quarta-feira, altura em que Rio anunciará aos órgãos de decisão do partido a sua decisão — mas antes de quarta-feira pode haver sinais mais firmes. Pressão da sua própria direção não lhe falta: David Justino foi um dos que assinaram uma petição para Rui Rio ficar.

Para o atual líder se manter em jogo era imprescindível que a solução de governo que saísse da ronda de António Costa pelas sedes dos partidos fosse menos estável do que a atual “geringonça”, de papel passado. Isso seria o bastante para o PSD poder vir a ser “útil” no Parlamento. Não para aprovar Orçamentos a Costa (para isso existe a esquerda, e Duarte Cordeiro reforçaria que “a geringonça não morreu” apesar de Catarina Martins ter acusado o PS de ter posto um “ponto final”), mas para fazer as reformas estruturais que exigem maiorias amplas. E foi isso que aconteceu. O périplo de Costa terminou esta quinta-feira à noite com uma decisão rápida: não haverá acordos escritos com ninguém.

Enquanto isso, iniciava-se a marcha anti-Rio. Luís Montenegro foi rápido a anunciar, logo na quarta-feira, uma candidatura à liderança do PSD, considerando o resultado de Rio “muito mau” e culpando-o por ter quebrado um ciclo de vitórias do PSD em legislativas desde Manuela Ferreira Leite. Vários foram os autarcas e líderes distritais que saíram em defesa de Montenegro, dando-lhe o seu apoio. Foi o caso de Leiria, Viana do Castelo, Viseu e Santarém, ou autarcas importantes como o presidente da câmara de Famalicão, Paulo Cunha, de Esposende, Benjamim Pereira, ou de Santa Maria da Feira, Emídio Sousa. Também Pedro Duarte, que chegou a ser apontado como candidato, anunciou logo que estava ao seu lado.

Para o atual líder se manter em jogo era imprescindível que a solução de governo que saísse da ronda de António Costa pelas sedes dos partidos fosse menos estável do que a atual "geringonça", de papel passado.

Miguel Pinto Luz, vice-presidente da câmara de Cascais, ainda está remetido ao silêncio, mas vai avançar com uma candidatura à liderança, para se afirmar com os olhos no médio prazo, e não só tem já uma estrutura a trabalhar para si, que inclui os serviços de uma agência de comunicação, também já tem uma fila de apoiantes públicos, de Carlos Carreiras a José Eduardo Martins passando por José Matos Rosa ou Telmo Faria, ex-coordenador do programa de Santana Lopes nas diretas de há dois anos. Miguel Morgado, ex-deputado e ex-assessor de Passos Coelho, deverá ser o quarto elemento a fechar o ramalhete — mas ainda não formalizou essa vontade.

Como se divide o partido e quem apoia quem?

Começa agora a contagem de espingardas. As movimentações das tropas de Montenegro e de Pinto Luz, com Miguel Relvas a dar o tiro de partida na segunda-feira, à TSF, onde pediu a cabeça do líder, obrigaram o núcleo duro de Rio a ir a público marcar terreno e fazer a defesa do líder recatado. O primeiro foi Paulo Mota Pinto que, logo na segunda-feira, no programa “Prós e Contras” da RTP, defendeu a honra dos 27,9%. Seguiram-se Manuela Ferreira Leite, Nuno Morais Sarmento, David Justino e Salvador Malheiro, que foram às televisões e rádios dizer que a estratégia de Rio estava certa, que os críticos dificultaram tudo, e que uma oposição de gritaria como a que o CDS fez, claramente não resulta.

Cavaco Silva poderia ser um referencial de peso para Rio, mas também ele lhe tirou o tapete num artigo escrito no Observador onde até puxou por Maria Luís Albuquerque, um quadro do partido que Rio deixou cair.

Luís Montenegro é quem vai mais adiantado na contagem de cabeças. Esta sexta-feira à noite, reuniu centenas de apoiantes num jantar em Espinho (sob o pretexto de celebrar os 10 anos do PSD naquela câmara) e contou com um vasto leque de apoios. Estiveram presentes várias figuras de fora do distrito, que se perfilam como apoiantes de Luís Montenegro. O líder distrital de Viseu, Pedro Alves, o líder parlamentar de Viana do Castelo, Carlos Morais Vieira, o antigo líder distrital de Santarém, Nuno Serra, os também  vice-presidentes da bancada parlamentar no tempo de Montenegro Carlos Abreu Amorim, Miguel Santos e Amadeu Soares Albergaria, o antigo líder distrital de Coimbra, Maurício Marques, o antigo líder da JSD, Simão Ribeiro, os presidentes da câmara de Espinho (Pinto Moreira) e de Santa Maria da Feira (Emídio Sousa). O antigo líder parlamentar Hugo Soares, que esteve num jantar similar no concelho de Braga, também chegou a meio do jantar.

Braga. Como se dividem os bispos do PSD no Minho

O distrito de Braga — um dos mais importantes em termos de número de votos — pode partir, embora Rui Rio leve, para já, vantagem sobre Luís Montenegro. Continua a ter, desde logo, o apoio do líder distrital e eurodeputado José Manuel Fernandes, que foi dos primeiros a sair em defesa de Rui Rio, logo no dia a seguir às eleições. Como foi autarca durante vários anos, José Manuel Fernandes faz parte de um grupo de fiéis autarcas que têm influência ou controlam mesmo as concelhias. Vila Verde, onde foi presidente da câmara é um desses exemplos. No distrito há ainda uma estrela em ascensão, André Coelho Lima, que é um nome que deputados contactados pelo Observador dizem estar a ser trabalhado pela “ala Rio” para ser o líder parlamentar. Contactado pelo Observador, já após a saída deste artigo, André Coelho Lima negou “alguma vez ter feito qualquer contacto nesse sentido”. E acrescentou:”Não fiz e não o faria, a não ser que essa fosse a vontade de quem manda [Rui Rio]”.

Juntando a força de André Coelho Lima a Emídio Guerreiro (apoiante do antigo autarca) dá força a Rio em Guimarães. Se Carlos Eduardo Reis se mantiver fiel ao acordo com Rio, também ajuda nas contas de Braga (os interesses só podem aqui chocar por o ex-líder da JSD/Braga preferir Pedro Rodrigues para líder parlamentar).

Começa agora a contagem de espingardas. As movimentações das tropas de Montenegro e de Pinto Luz, com Miguel Relvas a dar o tiro de partida na segunda-feira, à TSF, onde pediu a cabeça do líder, obrigaram o núcleo duro de Rio a ir a público marcar terreno e fazer a defesa do líder recatado.

Mas se André Coelho Lima é um dos vice-presidentes da distrital, o outro é João Granja, próximo de Hugo Soares e, naturalmente, apoiante de Luís Montenegro. E é preciso não esquecer que o próprio Hugo Soares — braço-direito e principal player de Luís Montenegro —  é presidente da concelhia na cidade dos arcebispos e conseguirá mobilizar votos no PSD/Braga. O que não ajuda é o posicionamento da câmara já que Firmino Marques, até agora vice-presidente de Ricardo Rio, esteve ao lado de Rui Rio na estratégia para as legislativas (a tal que levou ao ‘saneamento’ de Hugo Soares das listas).

No apoio a Montenegro saltaram também dois autarcas logo no dia a seguir às eleições: Paulo Cunha, presidente da câmara de Vila Nova de Famalicão, e Benjamim Pereira, presidente da câmara de Esposende. Ambos os autarcas tinham estado contra a tentativa de “impeachment” de Rio em janeiro, mas agora pedem mudança na liderança do partido. Isto prova que, mesmo com o apoio do presidente da distrital a um candidato, o Minho vai partir e tanto Rio como Montenegro vão ter de disputar voto a voto.

Lisboa. A força de Cascais é a força de Lisboa (e cai para Pinto Luz)

Há muito que estava escolhido pela dupla Carlos Carreiras-Miguel Pinto Luz, até tendo em conta lógicas anteriores de divisão de votos e de lugares. Depois de Pedro Pinto, o líder da distrital teria de ser Ângelo Pereira. Na primeira candidatura de Pinto Luz (que foi líder distrital em Lisboa antes de Pedro Pinto), Ângelo Pereira até esteve do lado de Pedro Rodrigues (que perdeu). Mas a partir da recandidatura do vice-presidente da câmara de Cascais, Ângelo Pereira foi-se aproximando. Foi crescendo dentro da estrutura distrital e nas últimas eleições já se tornara o primeiro vice-presidente. Agora, como se esperava, Ângelo Pereira é o candidato em que a “ala Cascais” (das que tem mais força no distrito, pois é grande autarquia que o PSD tem em na Área Metropolitana de Lisboa) aposta.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A apresentação da candidatura foi na quinta-feira à noite e é provável que Ângelo Pereira ganhe as eleições, que se realizam em breve. Ângelo Pereira estará, tal como Carlos Carreiras, presidente da câmara de Cascais, ao lado de Miguel Pinto Luz. Assim, Pinto Luz (que pode ser visto como outsider num cenário de bipolarização Rio-Montenegro) tem o presidente de uma das maiores distritais do país ao seu lado — o que lhe dá estatuto. Outras figuras com votos do distrito, como o presidente da junta de freguesia Luís Newton, também tenderão a apoiar Pinto Luz. Por outro lado, Rodrigo Gonçalves, apesar de algum afastamento nos últimos meses, deverá continuar a apoiar Rui Rio. Rio já sabe que não ganhará na distrital, mas pode dividir votos na concelhia, fazendo uso da ligação à família Gonçalves. Já a distrital Área Oeste, carinhosamente chamada de ‘distrital Duarte Pacheco’, continua a apoiar Rui Rio.

Pinto Luz (que pode ser visto como outsider num cenário de bipolarização Rio-Montenegro) tem o presidente de uma das maiores distritais do país ao seu lado — o que lhe dá estatuto.

Porto em standby, à espera de Rio

A distrital do Porto, liderada por Alberto Machado, ficou ferida depois da guerra das listas de candidatos a deputados, mas agora mantém-se resguardada: só tomará posição depois de Rui Rio dizer se é ou não candidato. À partida, o apoio de uma parte do Porto deverá cair para o lado de Rio, mas não é assim tão liquido. No verão, o Porto foi quem deu mais luta a Rio na elaboração das listas de candidatos a deputados, tendo as reuniões ficado mesmo suspensas, atrasando o Conselho Nacional, porque a distrital teve de se reunir de emergência. Em causa estava o facto de os dirigentes locais acharem que Rio não lhes estava a deixar muita margem para pôr os seus, com o jovem Hugo Carvalho à cabeça, e o próprio Rio a número dois.

Santarém. Moura escolheu finalmente um lado

Santarém é um caso perdido para Rui Rio. A distrital era, até às últimas eleições, liderada por Nuno Serra, próximo de Luís Montenegro, de quem foi vice-presidente na bancada. Depois das diretas, João Moura, que tinha apoiado Rui Rio, venceu Nuno Serra (que tinha como número dois Duarte Marques) nas eleições para a distrital. Foi uma sensação agridoce para Rui Rio: passou a ter um apoiante a liderar a distrital, mas foi Miguel Relvas quem ajudou a eleger João Moura.

Quando se deu a crise do “golpe de Estado”, João Moura estava na primeira reunião (com Pedro Pinto, Pedro Alves, Maurício Marques e Bruno Vitorino) e todos o incluíram no movimento anti-Rio. Mas publicamente, João Moura sempre negou estar do lado dos montenegristas e disse à distrital de Santarém que ia votar a favor de Rui Rio na moção de confiança de janeiro deste ano.

Só que um dia depois de ser eleito como deputado, ficou claro de que lado estava e saiu em defesa da ala montenegrista. O líder distrital de Santarém defendeu que “não há derrotas morais” e que o resultado de domingo “é mau em toda a linha.” A direção de Rio já não confiava em Moura, mas agora fica claro que a distrital está perdida para quem avançar contra o presidente do partido.

João Moura não gostou da forma como Rui Rio geriu a escolha de deputados em Santarém, tendo ficado incomodado com a presença de Duarte Marques nas listas. Quem assumiu as dores e teve uma acesa discussão com Morais Sarmento foi o presidente da câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves, que ficou furioso por Ramiro Matos sair para entrar Duarte Marques. Ricardo Gonçalves já deu o passo em frente a dizer que apoia Miguel Pinto Luz. João Moura estará entre Montenegro e Pinto Luz, sendo provável que caia para este último. Há ainda Duarte Marques, figura influente na distrital, que não tem pouca margem para ir contra Rui Rio, embora tenha boas relações com Montenegro. Se Duarte Marques levar com ele alguns autarcas do distrito (como o primo Vasco Estrela), pode vir a ser uma importante ajuda para o candidato que escolher nos bastidores. Nuno Serra foi ao jantar de Montenegro a Espinho, não havendo dúvidas de com quem está.

Aveiro. A pedra no sapato que é a terra de Montenegro

Aveiro é uma pedra no sapato de Luís Montenegro. Isto porque o mais normal seria que um candidato a presidente tivesse o seu distrito com ele, mas não é isso que acontece. A dupla Topa-Malheiro vale muitos votos no distrito e ficará ao lado de Rui Rio. O antigo líder distrital António Topa continua a ter muita influência, juntando forças com o atual líder distrital, Salvador Malheiro, a favor de Rio. Além disso, a própria concelhia de Aveiro, liderada por Vítor Martins, é a favor de Rui Rio. O presidente da autarquia e antigo secretário-geral de Luís Filipe Menezes, Ribau Esteves, também já veio pôr água na fervura ao ímpeto anti-Rio, dizendo que não é mudando de líder que o PSD recupera. Topa, Malheiro e Ribau contra Montenegro não é novidade.

Luís Montenegro tem, no entanto, o apoio de Pinto Moreira, presidente da câmara de Espinho — com quem esta sexta-feira esteve num jantar a comemorar os 10 anos de gestão autárquica do PSD. Pinto Moreira era o único autarca ao lado de Montenegro quando em janeiro o antigo líder parlamentar foi desafiar Rui Rio a ir a votos.

Na luta contra Rio, Montenegro pode ainda contar a 100% com o presidente da câmara de Vagos, o “montenegrista” Silvério Regalado, e ainda com Emídio Sousa, presidente da câmara de Santa Maria da Feira que na segunda-feira veio logo publicamente considerar o resultado de Rui Rio “desastroso”. Ainda assim, a luta Santana-Rio ensinou que, muitas vezes, ter o autarca local a favor de um dos candidatos já não tem a influência de outros tempos. Emídio Sousa apoiava Santana Lopes, mas, nas últimas diretas, Rui Rio venceu em Santa Maria da Feira.

O distrito está mais uma vez dividido. Para a distrital, os candidatos apoiados por Montenegro têm perdido ali (aconteceu com Ulisses Pereira contra Malheiro), o que é uma pedra no sapato. Mesmo na concelhia de Espinho, onde podia haver unidade em torno do filho da terra, vai haver duas listas nas próximas eleições da concelhia.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Viseu, Viana, Leiria: anti-Rio, pró-Montenegro

Muitos dos elementos do “grupo dos cinco” — o grupo dos cinco líderes distritais que em janeiro tentaram o impeachment de Rui Rio (Viseu, Viana, Lisboa, Coimbra e Setúbal) —  se alinharam rapidamente, na segunda-feira, nas críticas a Rui Rio. O líder da distrital de Viseu, Pedro Alves, à Rádio Observador, destacou que esta é “uma derrota para o partido” e um “quebrar um ciclo de vitórias que tínhamos vindo a ter em 2011 e 2015 e refletem a incapacidade que o PSD teve de derrotar António Costa.” Além disso, lembrava que Ferreira Leite e Santana Lopes “acabaram por sair e reconhecer que era derrota pesada para o PSD”. A distrital de Viseu não envolve muitos votos, mas é conhecida a influência que Pedro Alves tem — e Pedro Alves apoia Luís Montenegro. Também o próprio Almeida Henriques, presidente da câmara de Viseu, já saiu em defesa de Montenegro e contra o resultado “insatisfatório” de Rui Rio.

Já a distrital de Viana do Castelo não perdeu tempo a atacar Rio. Em declarações ao Público, Carlos Morais Vieira, líder da distrital, lembrou que “[Rui Rio] quebrou um ciclo de vitórias do PSD desde o tempo de Ferreira Leite e teve um dos piores resultados dos últimos 36 anos”. Tudo argumentos da cartilha que estava a ser reproduzida por vários dirigentes locais pró-Montenegro. Em Viana, contudo, o tabuleiro pode não ficar a cair inteiramente para o lado de Montenegro, já que os deputados que representam aquele distrito, Jorge Mendes, Emília Cerqueira e Eduardo Teixeira, são pró-Rio.

Aveiro é uma pedra no sapato de Luís Montenegro. Isto porque o mais normal seria que um candidato a presidente tivesse o seu distrito com ele, mas não é isso que acontece.

Leiria é um caso diferente. Rui Rocha, que era um dos presidentes distritais mais afetos a Rio, demitiu-se na sequência do conturbado processo de elaboração das listas de candidatos a deputados, e o novo líder da distrital, Hugo Oliveira, foi dos primeiros a pedir a cabeça de Rio no pós-eleições. Em declarações ao Jornal de Notícias disse: “Não há capacidade de esta tendência no partido continuar, tendo em conta que o presidente do partido não captou a atenção do eleitorado e sinto que o partido está pouco entusiasmado. É necessário alguém que revitalize o PSD e crie uma nova dinâmica. Julgo que isso terá de ser feito por alguém diferente de Rui Rio”. Leiria é também o distrito de Margarida Balseiro Lopes, a líder da JSD que tem estado formalmente ao lado de Rui Rio, mas que criou burburinho durante a campanha ao convidar vários dos críticos assumidos de Rio — de Marques Mendes a Hugo Soares — para fazerem campanha ao seu lado, pelo distrito.

Faro e Beja de Rio, Setúbal anti-Rio

A distrital de Faro parece posicionar-se a favor do ainda líder, Rui Rio. Esta sexta-feira, o presidente do PSD/Algarve, David Santos, defendeu publicamente que Rui Rio se deve recandidatar à presidência do partido, dizendo mesmo que Luís Montenegro não é mais do que um militante com as quotas em dia que quer liderar o partido. “Pessoalmente, acho que o doutor Rui Rio se deve recandidatar. Ainda estamos numa fase de ver quem são os candidatos, mas o único, de facto, que anunciou que se vai candidatar foi Luís Montenegro e eu aguardo por outras candidaturas, nomeadamente a do doutor Rui Rio”, disse à agência Lusa. Faro, a par do Porto, foi dos únicos distritos onde o PSD conseguiu subir a votação de forma a eleger mais um deputado do que tinha anteriormente. Faro conseguiu eleger três, sendo o cabeça de lista Cristóvão Norte, que, ainda assim, não é conhecido como sendo um alinhado com a direção de Rio.

Também Beja, que ficou sem deputados do PSD, está com Rui Rio. “Para que haja estabilidade, para que o PSD aprenda com os erros do passado, é fundamental Rui Rio continuar [como presidente do partido], até porque o próximo desafio que temos por diante são as autárquicas e Rui Rio é uma pessoa muito experiente nessa matéria”, disse Gonçalo Valente, líder da distrital de Beja, em declarações à agência Lusa.

Setúbal é caso diferente. Bruno Vitorino faz parte do grupo dos cinco que orquestrou o golpe de Estado de janeiro, como Rio lhe chama, e foi dos primeiros a vir dizer publicamente que teve “vergonha” de ouvir Rio festejar uma derrota como se fosse uma vitória. Ao Observador, Bruno Vitorino não diz quem apoia, já que “ainda só há um candidato”, mas tudo indica que o seu peso cairá sobre Montenegro.

Artigo atualizado na segunda-feira, 14, com declarações de André Coelho Lima a garantir que “nunca fez contactos” para a liderança parlamentar. 

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