Eram 9h45 da manhã, Ana Gomes deslocava-se de carro do Porto para um encontro que tinha marcado às 10h na câmara municipal de Matosinhos quando publicou um vídeo nas redes sociais: a própria a pôr batom vermelho nos lábios. Sem uma única palavra. A hashtag #VermelhoemBelem parecia falar por si, mas, vendo bem, queria dizer mais do que apenas o apoio de Ana Gomes à onda de solidariedade com Marisa Matias, que tinha sido alvo de insultos de André Ventura.

O símbolo do batom vermelho era a personificação daquilo que Ana Gomes defende: uma geringonça presidencial anti-Ventura, para impedir o candidato do Chega de ficar em segundo lugar e, eventualmente, de empurrar Marcelo para uma segunda volta. Ou seja, uma desistência de Marisa a favor da sua candidatura (que, ainda assim, está mais bem classificada nas sondagens, taco a taco com Ventura). Mas o Bloco de Esquerda não quer nem ouvir falar dessa “agenda”. “Nem pensar”, disse Marisa Matias esta sexta-feira.

O desafio, que já tinha sido lançado durante os debates presidenciais, voltou a ser feito esta tarde pela própria candidata à boleia de um artigo do fundador do Livre, Rui Tavares, que, por sua vez, foi partilhado pelo deputado e dirigente do PS Tiago Barbosa Ribeiro. No Twitter, Ana Gomes foi clara: “Não será nunca por mim que a esquerda não converge antes das eleições”. Tiago Barbosa Ribeiro, deputado socialista próximo de Pedro Nuno Santos que este sábado vai estar presente na campanha de Ana Gomes, acrescentava que se as direções dos partidos (PS incluído) “não souberam interpretar o momento que vivemos no posicionamento para as presidenciais”, então cabe ao “povo da esquerda” essa tarefa. E a interpretação, no seu entender, é unir as esquerdas para destronar a direita.

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