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Enzo Fernández estava no Chelsea desde que saiu do Benfica em janeiro de 2023
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▲Enzo Fernández estava no Chelsea desde que saiu do Benfica em janeiro de 2023

CameraSport via Getty Images

▲Enzo Fernández estava no Chelsea desde que saiu do Benfica em janeiro de 2023

CameraSport via Getty Images

Um recorde igualado, um meio-campo por 375 milhões e os protagonistas inesperados: o mercado da Premier continua a ser um mundo à parte

O mercado de verão da Premier League fechou esta terça e os ingleses voltaram a gastar mais do que França, Espanha, Alemanha e Itália – em conjunto. Ida recorde de Enzo para o City marcou a janela.

Existe o mercado de transferências de verão no mundo inteiro. E depois, num mundo à parte e distante a todos os níveis, existe o mercado de transferências de verão na Premier League. Numa matemática que tem sido cada vez mais clara nos últimos anos, os clubes de Inglaterra gastaram e investiram muito mais do que os clubes de Espanha, França, Alemanha ou Itália, numa disparidade que também ajuda a explicar o porquê de duas das três competições europeias da temporada passada terem sido conquistadas por ingleses.

Na verdade, ao investirem cerca de 4,1 mil milhões de euros até ao deadline desta terça-feira, os clubes da Premier movimentaram mais dinheiro que a La Liga (755 milhões), a Ligue 1 (600 milhões), a Bundesliga (781 milhões) e a Serie A (1,16 mil milhões) – em conjunto, já que a soma das quatro perfaz 3,3 mil milhões. Tal como tinha acontecido no verão de 2025, Inglaterra voltou a quebrar o recorde de despesa numa única janela de mercado, sendo que bastaram os últimos meses para superar o valor movimentado pelos clubes ingleses em toda a temporada 2025/26, incluindo janeiro. Além disso, existiu ainda um aumento de negócios dentro da Premier League, que atingiram quase dois mil milhões de euros.

Os galácticos, os que deixaram milhões em Lisboa, os que fecharam quase tudo em junho: como a Premier esmagou a concorrência no mercado

A diferença dos números entre Inglaterra e o resto do mundo – ou até o resto da Europa – é fácil de explicar. O motor principal da dimensão financeira da Premier League prende-se com os direitos de transmissão do próprio campeonato, tanto domésticos como internacionais, que são distribuídos de forma equitativa por toda a tabela. Ou seja, se excluirmos Real Madrid, Barcelona e Bayern, o último classificado da Premier League recebe normalmente mais dinheiro das transmissões televisivas do que qualquer outro clube das Big Five europeias. Algo explicado este verão através do exemplo do Ipswich Town, que subiu do Championship e gastou algo como 175 milhões de euros em contratações.

Depois, num fenómeno que não é novidade há mais de 20 anos, a Premier League tem conseguido atrair os maiores fundos de investimento, a partir dos EUA, e também os maiores fundos soberanos, a partir do Médio Oriente. Os casos mais paradigmáticos são o Manchester City, o Arsenal, o Manchester United, o Newcastle e o Chelsea, sendo que o Liverpool abriu as portas a Jeff Bezos nas últimas semanas. O capital disponível para investimento direto em infraestruturas e no plantel, portanto, torna-se incomparavelmente superior ao da larga maioria dos clubes das outras ligas europeias, onde o financiamento depende muito de dívida ou da venda de jogadores.

Acrescentando-se a tudo isto o risco de despromoção sublinhado pelo caso do Ipswich Town, a ideia de que a queda para o Championship significa perder mais de 100 milhões de euros em transmissões televisivas de um dia para o outro e de que é preciso investir na manutenção na Premier League, também não é possível passar ao lado de o futebol inglês ter a capacidade de regular o mercado. Toda a gente sabe que os clubes ingleses têm dinheiro, logo, toda a gente pede mais dinheiro aos clubes ingleses – uma espécie de pescadinha de rabo na boca em que Inglaterra compra e os outros países descobrem, desenvolvem, constroem e vendem.

Num verão muito marcado pelos negócios de Morgan Rogers e Elliot Anderson, que trocaram Aston Villa e Nottingham Forest por Chelsea e Manchester City por 138 e 135 milhões de euros para entrarem no top 3 dos maiores negócios de sempre em Inglaterra, o Tottenham assumiu um protagonismo inesperado ao ficar com vários excedentários dos alegados rivais depois de uma época em que quase desceu ao Championship. O protagonista da janela, porém, guardou-se para as últimas horas: Enzo Fernández deixou o Chelsea e rumou ao Manchester City por 145 milhões de euros, igualando a ida de Alexander Isak para o Liverpool há um ano para se tornar o jogador mais valioso da história da Premier League.

Em resumo e com o negócio de Enzo Fernández, o Manchester City foi mesmo o clube da Premier League que mais investiu, superando os 500 milhões de euros, seguido de Chelsea, Tottenham, Newcastle e Arsenal. Em sentido oposto, o Sunderland foi o clube mais poupado, não ultrapassando os 40 milhões de euros, seguindo-se Bournemouth, Everton, Fulham e Nottingham Forest.

▲ Bruno Guimarães foi a principal contratação do mercado de verão do Arsenal

Arsenal FC via Getty Images

Arsenal. O fim de vários capítulos, o namoro que finalmente deu frutos e o avançado que nunca chegou

Depois do fim do jejum de 22 anos na Premier League e do adiamento do sonho da Liga dos Campeões com a derrota com o PSG na final de Budapeste, o Arsenal olhou para o mercado de verão sem medo de encerrar alguns capítulos e com vontade de dar a Mikel Arteta uma espécie de evolução na continuidade. Para isso, gastou muito dinheiro – mas também contratou com a quase certeza absoluta de rendimento.

E essa certeza começou pelo meio-campo. Depois de namorar Bruno Guimarães durante várias janelas de mercado ao longo dos últimos anos, o Arsenal conseguiu mesmo contratar o médio brasileiro por cerca de 87,5 milhões de euros, tornando-o desde logo no segundo jogador mais caro da história do clube, apenas atrás dos mais de 116 milhões investidos em 2023 para roubar Declan Rice ao West Ham. No Newcastle desde 2021, Guimarães fez quase 200 jogos e marcou mais de 30 golos, sendo um elemento fulcral no projeto de Eddie Howe que conquistou uma Taça da Liga e conseguiu levar os magpies de regresso à Liga dos Campeões.

Depois, a defesa. Para além de Piero Hincapié, com o Arsenal a ativar a opção de compra de 40 milhões de euros depois de o lateral ter passado a última temporada emprestado pelo Bayer Leverkusen, Mikel Arteta pediu expressamente um central – algo que já era uma necessidade clara na época passada e que se tornou ainda mais premente com a lesão de William Saliba no Campeonato do Mundo. Apenas com Gabriel Magalhães e Christian Mosquera como opções, os gunners viraram-se novamente para a certeza e contraram Ezri Konsa, internacional inglês que também esteve no Mundial-2026 e que deixou o Aston Villa por quase 60 milhões de euros.

Depois do fim do jejum de 22 anos na Premier League e do adiamento do sonho da Liga dos Campeões com a derrota com o PSG na final de Budapeste, o Arsenal olhou para o mercado de verão sem medo de encerrar alguns capítulos e com vontade de dar a Mikel Arteta uma espécie de evolução na continuidade. Para isso, gastou muito dinheiro — mas também contratou com a quase certeza absoluta de rendimento.

Por fim, o ataque. Se é certo que o plantel dos londrinos já contava com vários agitadores, como Bukayo Saka, Madueke ou Eberechi Eze, a já mencionada vontade de encerrar alguns capítulos abriu a porta a novos nomes. Leandro Trossard saiu para o Besiktas por 18 milhões de euros, Gabriel Martinelli seguiu para o Al Hilal por cerca de 70 milhões de euros, naquela que também já é a maior venda de sempre do clube, e Gabriel Jesus mudou-se para o Barcelona por outros dez milhões de euros. O vazio dos três abriu espaço a Christos Tzolis, internacional grego que estava no Club Brugge, que custou 40 milhões de euros e que tem sido titular a partir da esquerda neste início de temporada, mas não recebeu mais ninguém – apesar de os adeptos terem alimentado a esperança de que ainda poderia existir uma surpresa de última hora.

O Arsenal também reforçou a baliza, juntando Illan Meslier, francês que chegou a custo zero do Leeds, a David Raya e Kepa, e ainda recebeu Elijah Upson, central inglês de apenas 18 anos que deixou o Tottenham para jogar no Emirates. No capítulo das saídas, para além de Trossard, Martinelli e Jesus, os gunners ainda resolveram vários casos: Jakub Kiwior assinou em definitivo com o FC Porto por 17 milhões depois de já ter estado emprestado aos dragões na época passada, Christian Norgaard saiu para o Everton por cerca de oito milhões, Tomiyasu saiu a custo zero para o Crystal Palace, Ethan Nwaneri foi emprestado ao Borussia Dortmund, Fábio Vieira assinou em definitivo com o Hamburgo por nove milhões depois de já ter estado emprestado aos alemães na última temporada e, por fim, Reiss Nelson, produto da formação que passou o último ano cedido ao Brentford, ficou livre para procurar um novo clube.

Um negócio, contudo, ficou por fazer. A olhar ao longe para a novela com Julián Álvarez em Espanha, com o Atl. Madrid a exigir os 500 milhões de euros da cláusula a Real Madrid e Barcelona antes de se recusar mesmo a negociar com os catalães, o clube inglês procurou ser a solução dos colchoneros e apresentou uma proposta de 150 milhões. O Atl. Madrid recusou e a verdade é que as negociações entre espanhóis e ingleses acabou por motivar o corte total de relações entre Álvarez e o clube, com o argentino a recusar-se a treinar a partir daí. Pelo meio, Viktor Gyökeres, que poderia funcionar como moeda de troca para levar Julián Álvarez para Londres, ficou no Emirates – mas ainda não foi utilizado na Premier League e jogou 15 minutos na Community Shield.

▲ Elliot Anderson deixou o Nottingham Forest para rumar ao Manchester City numa fase ainda muito inicial do mercado de transferências

Getty Images

Manchester City. Um meio-campo completamente novo por 375 milhões de euros

A ideia de que o Manchester City iria passar por um ano zero, um ano de reformulação obrigatória depois de uma década de um projeto brilhante, ficou clara logo no final da temporada passada. Pep Guardiola saiu e levou consigo uma linha de pensamento que tornou os citizens no clube mais bem sucedido da história recente do futebol europeu – e nem o facto de Enzo Maresca ser o sucessor, um antigo adjunto do espanhol, tornou a transição menos abrupta.

Para já, porque Pep Guardiola não saiu sozinho. Bernardo Silva, John Stones e Rodri deixaram o Etihad neste verão, com o português a sair a custo zero para o Real Madrid, o inglês a assinar também livre pelo Inter Milão e o espanhol, acabado de ser campeão do mundo nos EUA, a rumar ao Barcelona por 60 milhões. No espaço de semanas, o Manchester City ficou a espinha dorsal da equipa. E ao invés de tentar reservar o resto do esqueleto, de tentar manter algumas das peças que ainda tinham ligação à etapa anterior, decidiu mesmo desmantelar grande parte da era de Guardiola.

Savinho, que tinha chegado em 2024, reforçou o Tottenham por 87,7 milhões de euros e tornou-se a maior venda da história do clube. Tijjani Reijnders, grande aposta há apenas um ano, saiu para o Al-Qadsiah da Arábia Saudita por 62 milhões de euros. Nico González, contratado ao FC Porto em janeiro do ano passado, foi para o Newcastle por 56 milhões de euros. James Trafford, guarda-redes também contratado há apenas um ano, saiu para o Leeds por mais de 46 milhões de euros. Manuel Akanji assinou pelo Inter Milão por 15 milhões depois de já ter estado emprestado aos italianos na última época, Nathan Aké saiu para o Fenerbahçe por oito milhões e até Omar Marmoush, contratado em janeiro de 2025 ao Eintracht Frankfurt, foi para o Tottenham emprestado com uma obrigação de compra de 60 milhões. Já Jack Grealish, que não conta, foi novamente cedido ao Everton.

A ideia de que o Manchester City iria passar por um ano zero, um ano de reformulação obrigatória depois de uma década de um projeto brilhante, ficou clara logo no final da temporada passada. Pep Guardiola saiu e levou consigo uma linha de pensamento que tornou os citizens no clube mais bem sucedido da história recente do futebol europeu — e nem o facto de Enzo Maresca ser o sucessor, um antigo adjunto do espanhol, tornou a transição menos abrupta.

Ao todo, o Manchester City encaixou 336,9 milhões de euros. Um valor muito avultado que encheu os cofres de um clube que não tem propriamente problemas de liquidez, é certo, mas que também levou referências e qualidade inquestionável. Nesse sentido, os citizens atiraram-se ao mercado como poucas vezes nos últimos anos, onde Pep Guardiola optou quase sempre por movimentações cirúrgicas e específicas, e investiram mais de 500 milhões de euros.

Ainda assim, grande parte desse investimento justifica-se apenas e só com a necessária remodelação do meio-campo. Elliot Anderson, contratado ainda numa fase muito inicial da janela de transferências ao Nottingham Forest, custou 135 milhões de euros e tornou-se o quarto maior negócio da história da Premier League. Depois, apareceu o efeito Campeonato do Mundo: Ayyoub Bouaddi deu nas vistas ao serviço de Marrocos no Mundial 2026 e levou os citizens a pagar 95 milhões de euros ao Lille pelo médio de apenas 18 anos. Por fim, o grande protagonista do verão.

Joga um Mundial, sai “a mal” do clube onde estava e bate um recorde de transferências: Enzo Fernández troca Chelsea por Manchester City

Num negócio que só ficou fechado nas últimas horas desta terça-feira, o Manchester City deu 145 milhões de euros por Enzo Fernández – tornando o médio argentino na maior contratação da história do clube, no maior negócio da história do futebol inglês em ex aequo com a ida de Alexander Isak para o Liverpool há um ano e ainda o terceiro jogador mais valioso de sempre, também ao lado do avançado sueco. Três anos depois de chegar ao Chelsea, proveniente do Benfica e também na sequência de um Campeonato do Mundo, Enzo é a grande aposta dos citizens para assumir o papel de herdeiro de Rodri. Em resumo, um novo meio-campo por 375 milhões de euros.

Para o ataque, o City apostou em três nomes pouco previsíveis. Allan, avançado brasileiro que estava no Palmeiras de Abel Ferreira e custou 37,5 milhões, Jeremy Monga, avançado inglês de apenas 17 anos que estava no Leicester e custou 11,7 milhões, e ainda Iliman Ndiaye, avançado senegalês que estava no Everton e custou 70 milhões. Para a baliza, para colmatar a saída de James Trafford, chegou o experiente Gerónimo Rulli, argentino de 34 anos que estava no Marselha e custou 3,5 milhões. Por fim, aconteceu ainda um negócio cada vez mais comum com Mathys Detourbet, avançado francês contratado ao Troyes por 25 milhões e imediatamente emprestado ao Mónaco.

▲ Youri Tielemans foi a aposta do Manchester United para reforçar o meio-campo

Getty Images

Manchester United. Um verão contido em que Tielemans ganha protagonismo

O final da temporada passada acabou por dar ao Manchester United uma tranquilidade que o clube há muito não tinha no mercado de transferências. Para além do terceiro lugar na Premier League que garantiu o apuramento direto para a Liga dos Campeões, Michael Carrick herdou de Ruben Amorim uma equipa sólida, aparentemente bem construída e sem grande necessidade de ajustes. Os que chegaram, chegaram para acrescentar – e não necessariamente para resolver problemas do zero.

A isso juntou-se o facto de a equipa não ter perdido nenhuma referência à exceção de Casemiro, que anunciou ainda durante a temporada passada que iria deixar Old Trafford no verão e que acabou por sair livre para o Inter Miami. Rasmus Højlund saiu em definitivo para o Nápoles por 44 milhões de euros, sendo que já tinha estado emprestado aos italianos na época anterior, e o restante núcleo duro manteve-se.

Assim, com dinheiro para gastar, uma vaga no meio-campo e a certeza de que o esqueleto iria ficar, o Manchester United olhou única e exclusivamente para o mercado interno. Youri Tielemans, médio belga com muitos anos de experiência na Premier League, deixou o Aston Villa por 41 milhões de euros. Andrey Santos, brasileiro que parecia não ter espaço no Chelsea, chegou por 56,3 milhões de euros. E Carlos Baleba, camaronês que nos últimos anos foi indiscutível no Brighton, entrou no top 10 de investimentos dos red devils por 75,9 milhões de euros. Ao mesmo tempo, sem custos associados, Marcus Rashford regressou do empréstimo ao Barcelona e entrou diretamente nas escolhas de Michael Carrick, tendo sido suplente utilizado na jornada inaugural da Premier League e titular na segunda.

▲ Bradley Barcola será uma das referências do ataque do Liverpool no pós-Mohamed Salah

Liverpool FC via Getty Images

Liverpool. Olhar para Barcola como quem vê Salah

Tal como tinha acontecido no verão passado, o Liverpool voltou a ser um dos grandes protagonistas do mercado de transferências. Contudo, no verão passado, o Liverpool tinha acabado de ganhar a Premier League, tinha em Arne Slot uma aparente aposta segura para o pós-Jürgen Klopp e os investimentos brutais em Alexander Isak, Florian Wirtz e Hugo Ekitiké, cerca de 365 milhões de euros em três jogadores, davam uma enorme almofada de conforto para os meses seguintes.

Este verão, portanto, foi bastante diferente. Numa temporada inevitavelmente marcada pela morte de Diogo Jota, o Liverpool ficou no quinto lugar da Premier League, não chegou às finais das Taças, não passou dos quartos de final da Liga dos Campeões e ainda viu Isak e Ekitiké lesionarem-se gravemente e Wirtz nunca corresponder às expectativas. No fim da época, Arne Slot foi despedido e o escolhido foi Andoni Iraola, vindo de um excelente trabalho no Bournemouth – e o carrossel voltou a girar.

Nas saídas, ficou desde logo muito claro que o Liverpool não iria agarrar-se a grandes dívidas de gratidão ou lugares cativos, acabando por encerrar capítulos duradouros e memoráveis. Mohamed Salah, Ibrahima Konaté e Andy Robertson saíram todos a custo zero, para Trabzonspor, Real Madrid e Tottenham, e até o jovem Harvey Elliott foi novamente emprestado, desta feita aos espanhóis do Valencia. Quanto a encaixes financeiros, só mesmo Curtis Jones rendeu algum dinheiro, rumando ao Inter Milão por 30 milhões de euros.

Tal como tinha acontecido no verão passado, o Liverpool voltou a ser um dos grandes protagonistas do mercado de transferências. Contudo, no verão passado, o Liverpool tinha acabado de ganhar a Premier League, tinha em Arne Slot uma aparente aposta segura para o pós-Jürgen Klopp e os investimentos brutais em Alexander Isak, Florian Wirtz e Hugo Ekitiké, cerca de 365 milhões de euros em três jogadores, davam uma enorme almofada de conforto para os meses seguintes.

Contudo, tal como acontece com praticamente todos os big six de Inglaterra, o Liverpool não precisa propriamente de vender muito e caro para comprar muito e caro – e isso ficou visível com o balanço negativo de 218 milhões de euros entre vendas e compras no fim do mercado de verão. Tudo começou com Víctor Muñoz, extremo espanhol de 22 anos que estava no Osasuna e custou 40 milhões de euros, seguindo-se Jérémy Jacquet, jovem central francês do Rennes que custou 63,6 milhões de euros.

As dúvidas quanto à fragilidade física de Jacquet, porém, levaram a outros dois negócios: Ifeanyi Ndukwe, central de apenas 18 anos do Áustria Viena por três milhões, e também o experiente Ronald Araújo, uruguaio que perdeu espaço no Barcelona e que chegou por empréstimo com opção de compra. O grande protagonista do mercado de verão do Liverpool, porém, só chegou nos últimos dias.

Bradley Barcola, internacional por França que na última temporada perdeu primazia para Désiré Doué nas contas de Luis Enrique no PSG, aceitou o desafio dos reds e mudou-se para Anfield para ser uma das referências do ataque de Andoni Iraola. Aos 23 anos, custou 125 milhões de euros e tornou-se a terceira maior contratação da história do clube, apenas atrás de Isak e Wirtz, carregando nas ombros a responsabilidade de suceder a quase uma década de Mohamed Salah.

▲ Morgan Rogers trocou o Aston Villa pelo Chelsea por um valor que, até Enzo Fernández, era um recorde neste verão

Getty Images

Chelsea. 447 milhões em vendas, quase 400 milhões em compras – e um vazio impossível de ignorar

Desde que Roman Abramovich deixou o Chelsea, em 2022 e na sequência da invasão da Ucrânia por parte da Rússia, que o clube se tornou um dos protagonistas mais interessantes das janelas de mercado. Nem sempre o mais certeiro, nem sempre o mais compreensível, nem sempre o mais previsível – mas sempre um dos mais interessantes. E este verão, naturalmente, não foi exceção.

Numa altura em que se prepara para a saída de Todd Boehly do cargo de chairman no final da temporada, sendo que o norte-americano já não é o responsável pelo futebol profissional, o Chelsea parece ter recuperado o início da liderança do empresário na era pós-Abramovich e optou mais pela experiência e pelos resultados imediatos do que pela juventude e pelo futuro retorno financeiro. Uma lógica que encaixa com Xabi Alonso, o novo treinador dos blues que foi despedido do Real Madrid a meio da época passada e que sucede a Liam Rosenior, que por sua vez já tinha sucedido a Enzo Maresca em janeiro.

Para explicar as entradas, contudo, é preciso explicar as saídas. Numa temporada em que não vai disputar qualquer competição europeia, já que foi apenas 10.º na Premier League, o Chelsea abriu a porta: Andrey Santos saiu para o Manchester United, como já vimos e por 56,3 milhões de euros, Nicolas Jackson rendeu 55,5 milhões ao sair para o Aston Villa depois de ter passado a última época emprestado ao Bayern Munique, Marc Cucurella rumou ao Real Madrid por 55 milhões, Liam Delap assinou pelo Nottingham Forest por 52,5 milhões e Trevor Chalobah (Como, 30 milhões), Tyrique George (Everton, 21 milhões), Marc Guiu (RB Leipzig, 15 milhões) e David Datro Fofana (Servette, 2,5 milhões), quatro excedentários, ainda renderam uma boa quantia, para além dos empréstimos de Alejandro Garnacho ao Aston Villa e Dário Essugo ao Estrasburgo. Mas tudo isto foi antes do golpe desta terça-feira.

Numa altura em que já parecia que o Chelsea ia mesmo conseguir a grande vitória do mercado de verão ao segurar Enzo Fernández, o Manchester City colocou 145 milhões de euros em cima da mesa e levou o argentino, que se tornou a maior venda de sempre dos blues – até aqui, o recorde ainda pertencia a Eden Hazard, que em 2019 saiu para o Real Madrid por 120 milhões. O médio de 25 anos, herdeiro natural de Rodri nos citizens, deixa um buraco enorme no meio-campo dos londrinos, que nas últimas horas do mercado ainda tentaram encontrar uma espécie de penso rápido em Lamine Camara, médio senegalês do Mónaco, mas os franceses acabaram por recusar a proposta de 55 milhões.

Desde que Roman Abramovich deixou o Chelsea, em 2022 e na sequência da invasão da Ucrânia por parte da Rússia, que o clube se tornou um dos protagonistas mais interessantes das janelas de mercado. Nem sempre o mais certeiro, nem sempre o mais compreensível, nem sempre o mais previsível — mas sempre um dos mais interessantes. E este verão, naturalmente, não foi exceção.

Ao todo, os blues encaixaram algo como 447 milhões de euros em vendas. Com o plantel mais limpo, entre lugares e até folha orçamental, o Chelsea voltou a fazer o que faz melhor: gastar dinheiro. Investiu quase 400 milhões de euros em reforços, sendo que 138 ficaram desde logo alocados ao homem que também protagonizou o mercado de verão em Inglaterra. Morgan Rogers, internacional inglês que esteve no Mundial 2026, deixou o Aston Villa para rumar a Stamford Bridge e tornou-se no segundo maior negócio da janela no mundo inteiro e também no terceiro maior de sempre entre clubes ingleses.

Maxence Lacroix, central que esteve em bom plano com França no Mundial 2026, chegou do Crystal Palace por 60,7 de milhões de euros, enquanto que o lateral italiano Marco Palestra deixou a Atalanta por 57 milhões de euros. Aproveitando a ligação direta com o Estrasburgo, clube orientado pelo português Hugo Oliveira que faz parte do grupo BlueCo que também detém o Chelsea, os blues deixaram um total de 65 milhões de euros nos cofres dos franceses para levar Valentín Barco, médio argentino, e Emmanuel Emegha, avançado neerlandês. A tudo isto junta-se ainda o valor quase residual de Pep Chavarría (Rayo Vallecano, 19 milhões), para além da entrada em vigor da contratação já acertada de Geovany Quenda ao Sporting por 50 milhões.

E é aqui que chegamos à política de contratações que se aproxima mais do início da liderança de Todd Boehly do que necessariamente dos últimos anos do Chelsea. Sem gastar muito dinheiro, o clube decidiu resgatar e apostar em vários jogadores experientes e com muitos anos de Premier League nas costas para sustentar a enorme juventude do plantel: Emiliano Martínez, que finalmente deixou o Aston Villa por 8,7 milhões, Danny Welbeck, que trocou o Brighton por 5,9 milhões, e ainda Jordan Henderson, antigo capitão do Liverpool que saiu do Brentford a custo zero.

▲ O português Mateus Fernandes deu nas vistas no West Ham e assinou pelo Tottenham por quase 100 milhões de euros

CameraSport via Getty Images

Tottenham. Um protagonista inesperado que ficou com o que os outros já não queriam

O Tottenham arriscou nem sequer ter o direito de fazer parte do mercado de verão da Premier League, já que só garantiu a manutenção na última jornada da temporada passada, mas nem isso o afastou de alguns dos negócios mais mediáticos das derradeiras semanas da janela de transferências – mesmo que pareça cada vez mais que os spurs ficam com os jogadores que os alegados rivais já não querem.

Apesar da quase queda para o Championship na época passada, o Tottenham demonstrou uma saúde financeira assinalável neste mercado e investiu mais do dobro do que encaixou: gastou mais de 354 milhões de euros em contratações, só recebeu 158,5 milhões de euros em vendas. A principal saída foi Luka Vuskovic, que custou 54 milhões ao Brighton, juntando-se depois o capitão Cuti Romero, que foi para o Atl. Madrid por 33 milhões, e também Djed Spence, lateral que esteve em evidência no Mundial 2026 com Inglaterra e que custou 30 milhões ao Inter Milão.

Além disso, acumularam-se as saídas mais tímidas de Will Lanshear (Middlesbrough, 11,7 milhões), Alejo Veliz (Bahia, 9 milhões), Ashley Phillips (Middlesbrough, 8,2 milhões), Manor Solomon (West Ham, 5,8 milhões) e Alfie Devine (Preston North End, 5,3 milhões), para além dos empréstimos de Guglielmo Vicario (Juventus), Radu Dragusin (Fiorentina), Pepe Matar Sarr (Juventus), Souza (FC Porto) e Kevin Danso (Sunderland).

O Tottenham arriscou nem sequer ter o direito de fazer parte do mercado de verão da Premier League, já que só garantiu a manutenção na última jornada da temporada passada, mas nem isso o afastou de alguns dos negócios mais mediáticos das derradeiras semanas da janela de transferências — mesmo que pareça cada vez mais que os spurs ficam com os jogadores que os alegados rivais já não querem.

A partir daí, o ataque ao mercado fez-se entre a tal saúde financeira e a ideia de que os excedentários dos candidatos à conquista da Premier League podem ter espaço em Londres. Sandro Tonali, que passou anos a ser associado ao Arsenal, deixou o Newcastle por 108 milhões de euros para ser o verdadeiro maestro do meio-campo de Roberto De Zerbi. Pouco tempo depois, na sequência de uma temporada brutal em que não conseguiu evitar a despromoção do West Ham e também após ser associado ao Arsenal, o português Mateus Fernandes rumou aos spurs por 99 milhões de euros. Mais atrás, na defesa, o central Jan Paul van Hecke trocou Brighton por Londres por 60 milhões.

Já Savinho, ala brasileiro que chegou ao Manchester City em 2024 e que parecia até beneficiar de alguma simpatia de Pep Guardiola, perdeu sorrisos com Enzo Maresca e assinou pelo Tottenham por 87,7 milhões. Algo semelhante aconteceu com Omar Marmoush, egípcio contratado pelos citizens em janeiro de 2025 ao Eintracht Frankfurt que chegou agora aos spurs emprestado com uma obrigação de compra de 60 milhões. Num pacote semelhante, mas proveniente do Chelsea, o central Tosin Adarabioyo é reforço por oito milhões e o polémico ucraniano Mykhailo Mudryk chega por empréstimo com opção de compra. Por fim, sucederam-se os negócios high profile a custo zero: Andy Robertson, antiga figura do Liverpool, Martin Dubrakva, experiente guarda-redes que estava no Burnley, e ainda Marcos Senesi, central do Bournemouth.

▲ Lukas Hornicek, que brilhou ao serviço do Sp. Braga, foi a escolha do Newcastle para a baliza

Getty Images

Newcastle e Aston Villa. As participações especiais com o piscar de olho a Portugal

Há um ano, o Newcastle aproveitou a venda milionária de Alexander Isak, para além dos encaixes interessantes com Sean Longstaff e Lloyd Kelly, para ter uma espécie de aparição especial nos principais negócios do mercado de transferências da Premier League. Este ano, com as saídas já referidas de Bruno Guimarães e Sandro Tonali e ainda a de Anthony Gordon, que rumou ao Barcelona por 80 milhões de euros, os magpies voltaram a ter uma margem saudável para atacar o capítulo das contratações.

Para além do já mencionado Nico González, que deixou o Manchester City por 56 milhões, o Newcastle investiu 60 milhões de euros em Matias Fernandez-Pardo, avançado belga que estava no Lille. Bazoumana Touré, extremo costa-marfinense do Hoffenheim, custou 50 milhões, enquanto que Aladji Bamba, médio do Mónaco, foi aposta por 35 milhões. Já os menos conhecidos Sean Steur e Ewen Jaouen, médio neerlandês do Ajax e guarda-redes francês do Stade Reims, custaram ao todo 45 milhões.

Pelo meio, numa curva pouco esperada do mercado de um Newcastle que despediu Eddie Howe e apostou em Matthias Jaissle, o clube do norte de Inglaterra olhou – e muito – para Portugal. Amar Dedic, lateral bósnio que tinha chegado ao Benfica há apenas um ano, rumou a Inglaterra por 35,9 milhões de euros, enquanto que Lukas Hornicek, guarda-redes checo que brilhou pelo Sp. Braga na temporada passada, deixou 30,6 milhões de euros nos cofres dos minhotos. Em sentido contrário, numa decisão algo surpreendente, Nick Woltemade seguiu por empréstimo para a Juventus depois de há um ano ter sido o eleito para substituir Alexander Isak.

▲ O Aston Villa substituiu Emiliano Martínez, que reforçou o Chelsea, pelo japonês Zion Suzuki

Getty Images

Ora, tal como aconteceu com o Newcastle, também o Aston Villa aproveitou os relevantes encaixes financeiros para reformular a equipa. Unai Emery perdeu muita gente, entre os já referidos Morgan Rogers, Ezri Konsa, Youri Tielemans e Emiliano Martínez e ainda Ollie Watkins, outro associado ao Arsenal que escolheu o Al Hilal da Arábia Saudita por 58,4 milhões, e Lucas Digne, que reforçou o PSG por escassos sete milhões – mas os villains receberam algo como 360 milhões de euros este verão, gastando outros 300.

Nas entradas, o destaque óbvio vai para Johan Manzambi, médio ofensivo que esteve muito bem com a Suíça no Mundial 2026 e que deixou o Friburgo por 60 milhões. Nicolas Jackson saiu do Chelsea por 55,5 milhões, como já vimos, e João Gomes trocou o despromovido Wolverhampton de César Peixoto pelo Aston Villa por 40 milhões. Taylor Harwood-Bellis (Southampton, 29,2 milhões), Matteo Ruggeri (Atl. Madrid, 25 milhões) e Modou Kéba Cissé (LASK, 5,5 milhões) também são reforços, para além dos emprestados Aaron Wan-Bissaka (West Ham) e Alejandro Garnacho (Chelsea) e de Leon Goretzka, que se transferiu a custo zero do Bayern Munique.

Pelo meio, duas verdadeiras apostas. Zion Suzuki, guarda-redes japonês que foi um destaques do Mundial 2026 e que esteve muito perto de rumar ao PSG, escolheu o Aston Villa e deixou o Parma por 30 milhões de euros, enquanto que Ibrahim Mbaye, internacional pelo Senegal de apenas 18 anos, saiu precisamente dos parisienses para a Premier League por 55 milhões de euros.

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