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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Ventura feliz com o efeito “batom vermelho” à esquerda /premium

Notas de campanha. O líder do Chega acredita que os insultos a Marisa Matias insuflaram a candidatura da bloquista e que isso pode provocar estragos na campanha de Ana Gomes e de João Ferreira.

André Ventura está satisfeito com o que a rábula sobre o batom vermelho de Marisa Matias provocou à esquerda. O líder do Chega acredita que o movimento de solidariedade que se gerou em torno da candidata do Bloco de Esquerda pode ter um efeito útil nos equilíbrios políticos: Marisa Matias, que seguia em perda, parece ter conseguido com este episódio um novo impulso; Ana Gomes, que se vinha afirmando como a candidata à esquerda em melhores condições de bater André Ventura, vê agora Marisa com força renovada para disputar eleitorado. No meio do caos que lançou para a campanha, Ventura sorri.

O momento não foi preparado, garantem fontes da campanha do Chega. Foi mais um exercício de improviso de André Ventura e acabou por ter um efeito inesperado. “A parte do ‘avô bêbado’ é que era… Não pode correr tudo bem”, lamentava ao Observador uma fonte do núcleo duro de Ventura à margem do jantar-comício em Viseu.

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O líder do Chega sabe que as suas hipóteses de ficar em segundo lugar nestas eleições presidenciais são tão maiores quanto maior for a divisão à esquerda. E lê notícias: os artigos de opinião de figuras como Rui Tavares e Daniel Oliveira, os renovados apelos de Ana Gomes para uma convergência de candidaturas à esquerda, a recusa do Bloco de Esquerda e o desconforto do PCP com o excesso de protagonismo de Marisa são música para os ouvidos de André Ventura.

E foi essa música que o líder do Chega fez tocar no jantar-comício de Viseu. Já depois do número de Maria “mini-Marylin Monroe” Vieira e do solo ao piano, Ventura apostou na provocação: a esquerda está tão desesperada em derrotá-lo, sugeriu, que já quer juntar os trapinhos.

Ventura sabe que estas palavras terão, muito provavelmente, o efeito oposto. Se é verdade que os três candidatos — Ana Gomes, João Ferreira e Marisa Matias — deram até ao momento muitos poucos sinais de se quererem unir, mais desavindos ficarão se ouvirem de Ventura que estão prestes a desistir. É esse, pelo menos, o raciocínio do candidato do Chega.

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Daí que não tenha hesitado em usar Daniel Oliveira (Marisa é um “cordeiro sacrificial”, escreveu o ex-militante bloquista no Expresso) para dizer que a candidata “já se está a pôr na pele de quem vai desistir”, provocando ainda mais o Bloco: “Como se vão dar à humilhação tamanha de desistir de uma candidatura para apoiar outra apoiada pelo Livre e pelo PAN apenas para derrotar o Chega!?”.

Não que essa ideia conste do plano dos bloquistas. Mas Ventura sabe que condiciona e que o que diz tem potencial para provocar divergências nas campanhas de Marisa Matias e Ana Gomes.

“Mesmo que todos desistam por Ana Gomes, vou lutar até ao último segundo da campanha eleitoral. Derrotaremos a esquerda toda nestas eleições presidenciais”, prometeu Ventura.  Se o tema se tornar ‘o’ assunto de campanha, será para o candidato do Chega a cereja no topo do bolo.

Tal como, aos olhos dos apoiantes de André Ventura, há poucas coisas mais saborosas que ouvir crítícias de José Sócrates, um dos símbolos que o Chega mais abomina.  Ao artigo de opinião de José Sócrates, André Ventura respondeu com uma nova rábula que consistia num suposto diálogo entre o ex-primeiro-ministro e Carlos Santos Silva.

“Estou a imaginá-lo com o tal cofre, em casa da mãe. ‘Oh Carlos, ainda acabo na prisão se isto corre mal. Os gajos estão segundo, nem a Venezuela nos vai safar. Mas não te preocupes, a minha mãe deixou-me uma fortuna incontornável”, divertia-se Ventura.

Os fiéis presentes gritaram de satisfação. E os milhares que assistem todos os dias nas redes sociais às performances do líder muito provavelmente fizeram o mesmo. Cada crítica de José Sócrates, é um dia ganho para André Ventura.

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