O Twitter foi um dos palcos que André Ventura escolheu para atirar a uma das principais adversárias nas eleições presidenciais que se jogam no próximo domingo. “A Ana Gomes recebeu o apoio dos ciganos e comparou-me a Adolf Hitler…”, acusou o candidato apoiado pelo Chega. É verdade que a ex-eurodeputada fez essa comparação?

O termo foi surgindo em diferentes momentos da campanha da socialista que corre como independente. Por exemplo, quando Ana Gomes visitou o bairro dos Navegadores, em Oeiras. Um bairro onde vivem vários elementos da comunidade cigana e onde Ventura foi sendo comparado ao ditador que comandou a Alemanha nazi na II Guerra Mundial. “É outro Hitler”, atiravam os moradores. Ana Gomes acabaria por defender que “os portugueses não se podem enganar”. É que “o Hitler também foi eleito e quando chegou ao poder tratou de proibir os outros partidos e retirou a cidadania primeiro aos judeus, depois aos ciganos, depois aos negros. Já começou a dizer que eu não era bem-vinda”.

Mas já tinha acontecido no mercado de Matosinhos, num diálogo que seria reproduzido quase à letra dias mais tarde. “Na Alemanha nazi é que houve pessoas — judeus, negros, ciganos… De repente, a lei exclui-os da cidadania, a solução de excluir pessoas é a receita para a violência”, dizia Ana Gomes a uma vendedora de fruta. “Ele é como o Hitler”, sugeria a mulher. “Exatamente”, anuía a candidata independente.

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Foi o mote para André Ventura. A partir daí, o candidato presidencial foi referindo na sua campanha às comparações em que era visado. “Disse que também Adolf Hitler foi eleito, ou seja, chamou Adolf Hitler a um adversário político”, defendeu Ventura no polémico jantar de Braga, no domingo, onde juntou 170 apoiantes.

Em ambos os momentos da campanha da ex-eurodeputada aqui recuperados, os nomes de Adolf Hitler e André Ventura surgem juntos nos diálogos que a candidata vai mantendo com populares que encontra pelo caminho e que a abordam. Ana Gomes não parece proferir a frase direta: “André Ventura é como Adolf Hitler”, mas traça paralelos entre a eleição e ação de um — Hitler — e o discurso do outro e a campanha do outro — André Ventura.

Nazi nuns dias, fascista noutros. Também em campanha eleitoral, mas desta vez pelo distrito de Castelo Branco, Ventura cruzava-se com outra manifestação crítica à sua candidatura durante uma intervenção nas docas daquela cidade da Beira Baixa. Depois de atirar a farpa habitual a um pequeno grupo de manifestantes que apelidou de “subsídio-dependentes”, e que se encontravam a umas centenas de metros do comício, André Ventura resumiu: “Se acham que é fascismo querer que os corruptos não voltem ao poder, então, sim, nós somos fascistas.”

Conclusão

A referência não está textualmente lá. Mas percebe-se a mensagem — e a relação — que Ana Gomes pretende fazer passar quando alude à perseguição e à tentativa de extermínio de determinadas minorias na Alemanha nazi e, ao mesmo tempo, recorda que tudo começou com um processo eleitoral democrático que levou à eleição do ditador de origem austríaca.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

PRATICAMENTE CERTO

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