Não é, de todo, novidade que o primeiro-ministro António Costa seja alvo de notícias falsas na internet. Porém, desta vez, o conteúdo utilizado é ligeiramente diferente. Segundo um vídeo partilhado no passado dia 6 de março, com o título “É isto que governa Portugal”, ouve-se o primeiro-ministro a dizer o seguinte: “Diz-se que é o crescimento que gera emprego e é verdade, mas o desemprego também gera crescimento. E o desemprego gera sobretudo uma forma mais sã de sanearmos as nossas finanças públicas. E é por isso que esse tem que ser […] uma prioridade fundamental da nossa política económica”. A frase está correta mas foi descontextualizada. É, por isso, uma publicação enganadora.

Publicação alega que António Costa defendeu o desemprego durante a pandemia.

De facto, António Costa proferiu estas palavras, mas em 2017, na cerimónia de entrega do Prémio Manuel António da Mota, que premeia projetos “de grande importância para a comunidade nacional em nome de uma sociedade mais justa, coesa e solidária”. Decorreu no Porto, na mesma altura da Conferência “Portugal Futuro 2017”. Portanto, apesar de a publicação dar a entender que o discurso é atual, por causa das consequências diretas da pandemia, que atingem, não só mas também, o emprego, essa indicação está errada.

Quanto àquilo que o primeiro-ministro disse, está correto, mas trata-se de um lapso. Mais à frente no seu discurso, tal como reportou a RTP1, António Costa refere que existiam “boas razões” para “continuar a apostar no emprego como grande prioridade”. “É, seguramente, o maior e mais importante facto de coesão social, de combate à pobreza e o melhor contributo para o nosso desenvolvimento económico e sustentabilidade das finanças públicas”.

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Essas palavras foram depois replicadas nos órgãos de comunicação social, como o Jornal Económico, que fez precisamente uma notícia citando o primeiro-ministro, que também destacou a criação de 240 mil postos de trabalho nos últimos anos. Por outro lado, essa gafe acabou também por sair nas notícias, tal como noticiou o jornal SOL na mesma altura.

Conclusão

É enganador considerar que o primeiro-ministro António Costa defendeu o desemprego durante a atual pandemia. Esse discurso foi proferido em 2017 durante a entrega do Prémio Manuel António da Mota. Por outro lado, trata-se de um lapso linguístico já que, no mesmo discurso, o líder do Executivo defendeu que existiam “boas razões para continuar a apostar no emprego como grande prioridade”.

Na mesma altura, alguns órgãos de comunicação social deram conta de que, por um lado, António Costa se enganou ao confundir “emprego” com “desemprego”, e, por outro, que o primeiro-ministro também se referiu à criação de 240 mil postos de trabalho nos últimos anos.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ENGANADOR

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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