Um texto atribuído a um “conde de Portugal” está a ser partilhado de forma sucessiva nas redes sociais, fazendo um elogio a Jair Bolsonaro. A publicação refere-se ao antigo Presidente do Brasil sempre em tom laudatório dizendo mesmo que é alguém “que vai sendo canonizado, imortalizado e santificado no altar máximo da glorificação histórica”.
É mesmo estabelecida uma comparação com líderes históricos como Winston Churchill, Franklin Roosevelt ou Nelson Mandela, para concluir que nenhum deles “chegaram perto” da “dimensão” de Bolsonaro. Refere ainda que há um “aparelhamento judicial e financeiro” que “persegue” o ex-presidente, que ainda este mês foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil por tentativa de golpe de Estado. A única autoria referida surge logo à cabeça: “Conde, de Portugal, sobre Bolsonaro”.
O texto original foi publicado pela Piauí, uma publicação brasileira, a 4 de abril de 2018 e é assinado por Gustavo Conde, editor do Brasil 247, linguista e habitualmente crítico de Bolsonaro. O texto que escreveu é sobre Lula da Silva — que na altura estava prestes a ser preso no âmbito da operação Lava Jato — e não sobre Jair Bolsonaro, que nessa altura era deputado federal mas já com candidatura presidencial pré-anunciada.
O texto partilhado nas redes sociais não só altera um dado essencial do conteúdo do texto original — o nome do político elogiado –, como também o atribui a um “Conde de Portugal”, sem mais qualquer detalhe. Tudo isto resulta numa peça manipulada e de desinformação com o fim de exaltar Bolsonaro, numa altura delicada para o ex-presidente do Brasil.
Conclusão
O texto que está a ser partilhado de forma repetida nas redes sociais com elogios a Jair Bolsonaro e que está assinado por um “Conde de Portugal” pertence originalmente a Gustavo Conde. Foi publicado pela primeira vez em 2018, altura em que Bolsonaro não era sequer Presidente, e referia-se a Lula da Silva e não ao ex-presidente que está, agora, condenado por tentativa de golpe de Estado no Brasil. Não só é manipulado o texto, como a sua autoria e contexto, resultando numa publicação desinformadora.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.