Em menos de uma semana, a publicação atingiu quase 4 mil partilhas no Facebook e mais de 280 mil visualizações. A imagem que acompanha é, no mínimo, impressionante: as dezenas de elementos da tripulação da embarcação que surgem na imagem foram fotografados em vários pontos do navio, alguns equilibrados nos vários níveis das velas, a largos metros de altura. A legenda que procurava enquadrar o post está, no entanto, errada. “Uma foto magnífica do navio escola Sagres da Marinha Portuguesa”, escreve o autor da publicação.

O alerta foi lançado, num primeiro momento, por um dos utilizadores que comentam a fotografia, minutos após a sua divulgação. “Não penso que seja a Sagres embora seja parecido… a bandeira atrás não é a Portuguesa”, refere esse utilizad0r. Seguiram-se outros na mesma linha, embora algumas das pessoas confrontadas com a imagem não tenham notado o equívoco.

O Observador contactou a Marinha para perceber se a embarcação que surgia na imagem era ou não o histórico navio de formação de militares daquele ramo das forças armadas. “O navio na imagem não é o Navio-Escola Sagres”, atestou o gabinete de comunicação, nos esclarecimentos prestados por escrito.

Alguns dos utilizadores que viram a fotografia partilhada identificaram na imagem um navio de outra escola — o “Gloria”, da marinha da Colômbia. É também essa a perceção dos militares portugueses que analisaram a imagem a pedido do Observador, ainda que não tenham conseguido garantir com absoluta certeza ser esse o navio em causa.

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Mas de que forma foi, então, possível à Marinha garantir que não se tratava do navio-escola nacional? “As características mais visuais que se destacam, para além da bandeira nacional, no Navio-Escola Sagres são, desde logo, as velas com a Cruz de Cristo, tão emblemáticas”, refere o gabinete de relações públicas da Marinha. Além disso, é possível identificar, na embarcação portuguesa, “a figura do Infante D. Henrique na proa, entre outras” características.

Estas imagens atestam isso mesmo. Em cima, e numa fotografia em que o navio surge com as velas içadas, é possível identificar a efígie do infante D. Henrique na proa. Em baixo, e em grande destaque, identifica-se a Cruz de Cristo que preenche uma das velas.

Por outro lado, numa galeria de imagem que acompanha a reportagem do jornal Público aquando da passagem do “Glória” por Lisboa, em setembro de 2015, é possível identificar vários detalhes coincidentes com a imagem da publicação verificada. Entre esses detalhes, a distribuição dos militares pelos vários pontos da embarcação.

Conclusão

O navio presente na publicação partilhada não é o mítico navio-escola Sagres, da Marinha Portuguesa. É isso mesmo que garante ao Observador o gabinete de relações públicas daquele ramos das forças armadas. Possivelmente, tratar-se-á do Navio Escola ARC Glória, uma embarcação de bandeira colombiana.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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