Nas redes sociais circula uma publicação que aparenta ser uma notícia do jornal Público com o seguinte título: “Embaixador de São Tomé e Príncipe ganha vergonha na cara e decide repatriar concidadãos para o país de origem”.

Observando a imagem, com o ícone do jornal Público no canto superior esquerdo e a assinatura “Lusa” à direita, a publicação pretende fazer o leitor crer que se trata de uma notícia da agência Lusa publicada no referido jornal a 20 de julho de 2025.

A imagem, partilhada em várias publicações no Facebook e no Instagram, soma gostos, partilhas e comentários. Qualquer um dos posts não remete para nenhum link da notícia completa — porque ela não existe.

A imagem acima é resultado de uma montagem. O jornal Público não publicou nenhuma notícia com o dito título e conteúdo, algo que o Observador verificou com uma busca pelo site do jornal. Tampouco a Agência Lusa publicou uma notícia com a mesma informação.

De resto, o embaixador de São Tomé e Príncipe fez declarações na mesma data da notícia falsa, a 20 de julho, mas com uma informação absolutamente contrária à veiculada nas publicações analisadas.

Referindo-se à situação no bairro do Talude, em Loures, Esterline Gonçalves, embaixador de São Tomé e Príncipe, classificou a situação como “dramática” e lamentou não ter sido informado do plano para demolir as habitações do bairro, afirmando que tem tentado falar com o presidente da Câmara de Loures, sem sucesso. As declarações foram reportadas pela agência Lusa e reproduzidas também no jornal Público.

Além disso, a primeira vez que a publicação em questão surgiu foi a 21 de julho, numa página nas redes sociais que apresenta (para os seus mais de 20 mil seguidores) várias imagens manipuladas com um grafismo que se assemelha ao de um órgão de comunicação social.

Conclusão

A publicação que circula nas redes sociais é falsa, nunca foi publicada no jornal Público e não há qualquer fonte credível sobre a informação que nela é veiculada — aliás, o protagonista da suposta notícia fez declarações precisamente no sentido oposto, como referido acima. Além disso, a publicação foi publicada pela primeira vez numa página dedicada à disseminação de outras notícias falsas.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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