Este fact check foi publicado para desmentir os rumores de que tinha morrido uma pessoa em Portugal antes de dia 16 de março. Só nessa data é que surgiu efectivamente a primeira vítima mortal — um homem de 80 anos que estava internado no hospital de Santa Maria, em Lisboa.

A 11 de março, o Porto Canal noticiava que a nova estirpe do coronavírus tinha feito um morto em Portugal e a informação depressa chegou ao Facebook. Tratar-se-ia de um dos pacientes internados no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, infetado pelo Covid-19, notícia que a Direção-Geral de Saúde (DGS) desmentiu pouco depois. Às 23h20 de quarta-feira, o grupo de Facebook “Covid19 – Portugal” (não oficial) publicava uma imagem com um “Última hora” e um texto no qual se lia:

“Embora a Sra Diretora Geral de Saúde e Sra. Ministra da Saúde tenham desmentido a primeira morte por Covid19 em Portugal, tal como avançado pelo Porto Canal durante o dia de hoje, estará mesmo confirmada a primeira morte que terá ocorrido no Hospital de Lisboa. A notícia deverá ser confirmada nas próximas horas. Se for confirmada apenas depois da reunião do concelho de Ministros e das decisões que serão tomadas, prevista para o dia de amanhã, será certamente mera coincidência…”.

Às 17h do dia 13 de março, a Direção-Geral de Saúde confirmava ao Observador que ainda não havia nenhum óbito em Portugal motivado pelo coronavírus e que este rumor era falso. No boletim apresentado na manhã desta sexta-feira, já depois de o Governo ter anunciado as 30 medidas para travar o coronavírus e ativado o estado de alerta em todo o país, os dados oficiais da Direção-Geral de Saúde davam conta do seguinte panorama:

  • 112 casos confirmados;
  • 1308 casos suspeitos;
  • 172 casos a aguardar resultado laboratorial;
  • 5674 contactos em vigilância;
  • 11 cadeias de transmissão;
  • 0 óbitos;
  • 1 paciente recuperado

O grupo de Facebook “Covid-19 Portugal” não é uma entidade oficial sobre a nova estirpe de coronavírus e as únicas informações disponíveis na página indicam-nos que se trata de um grupo comunitário que presta “informações sobre o Covid-19”, sem revelar sequer quem é que gere o grupo. No entanto, é seguido por 1.561 pessoas e conta com 1.499 gostos. A publicação feita a 11 de março e desde então foi vista cerca de 30 mil vezes.

A publicação da página de Facebook “Covid19 – Portugal”

Há pelo menos outra publicação similar, de um utilizar do Facebook e partilhada no mesmo dia com cerca de 28 mil visualizações.

A notícia do Porto Canal já não se encontra disponível online. Fazendo uma pesquisa no Google por “morto Covid-19 Porto Canal”, o motor de busca sugere uma hiperligação para uma notícia do canal televisivo intitulada “Covid-19: Primeira morte de paciente com novo … “, mas ao clicar nesta hiperligação, o site informa-nos que “a notícia já não existe”, impossibilitando a leitura.

Esta não é a única informação que está a circular sobre uma eventual morte por Covid-19. Sobre um ficheiro de áudio que está a ser transmitido via WhatsApp, com uma suposta médica a falar de duas alegadas mortes por Covid-19, a DGS também o desmentiu, no comunicado de dia 12. Até às 16 horas daquele dia, a DGS afirmava que a notícia das mortes era “falsa”.

No mesmo comunicado, a DGS apelava também “à informação falsa” que andava a circular nas redes sociais sobre pessoas infetadas com Covid-19. “A DGS apela ao bom senso da população para apenas contactar o Centro de Contacto SNS 24 com efetivas suspeitas de sintomas de doença e para a atenção quanto à circulação nas redes sociais informação e mensagens não oficiais e não confirmadas, de forma a evitar alarmismos infundamentados”, lê-se na nota.

Conclusão: 

A notícia da eventual morte por Covid-19 já tem dois dias, foi apagada pelo Porto Canal entretanto e a Direção-Geral de Saúde continua a atualizar os dados diariamente, sem identificar nenhum óbito. Na manhã de 13 de março, já depois de apresentadas as medidas do Governo e de ter sido ativado o estado de alerta no país, os dados oficiais davam conta de 112 casos de infeção, um paciente em recuperação e 1.308 casos suspeitos. Por volta das 17h desta sexta-feira, a DGS confirmava ao Observador que não havia nenhum óbito.

Assim, de acordo com a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

De acordo com o sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook.

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