O Museu do Louvre tinha acabado de abrir quando soou o alerta: um grupo de assaltantes tinha entrado na Galeria Apolo, roubando vários objetos de “inestimável valor patrimonial”. Tudo aconteceu no dia 19 de outubro, pelas 9h30 (menos uma hora em Portugal). Desde então têm sido divulgados alguns vídeos que mostram os ladrões em ação, mas nem todos são verdadeiros.
Um excerto de dez segundos tem circulado nas redes sociais, do Facebook ao Instagram e Twitter. Mostra alegadamente três elementos do grupo durante o assalto, junto a vitrines com objetos em exposição, nomeadamente uma coroa. Todos estão vestidos de preto e por cima das roupas trazem coletes amarelos. Enquanto dois seguram um saco também preto, outro está junto de uma janela do museu, aparentemente de vigia. Há vidros espalhados pela sala e são visíveis vários telemóveis a gravar a cena. Ouve-se ouve um alarme a soar e um dos supostos assaltantes a dizer aos restantes: “Vamos sair daqui”.
“Assalto ao Louvre. Missão autorizada? Os vídeos foram feitos pelos seguranças não armados do Louvre”, lê-se na descrição de um utilizador do Facebook que publicou o vídeo. Será real?
Tudo aponta para que o excerto seja falso. Uma primeira pista é o facto de nas imagens a arquitetura da Galeria Apolo ser diferente da original, bem como a disposição do espaço. De notar, por exemplo, que a maior parte das vitrinas no centro da sala têm uma base e uma tampa castanhas, como mostra um vídeo oficial do Louvre, enquanto que no que circula nas redes sociais a parte de cima da estrutura é apenas em vidro. Outro pormenor são as janelas: no vídeo verdadeiro são retangulares, já no falso são em arco.
Há também no vídeo inconsistências que são comuns em conteúdos gerados por Inteligência Artificial (IA). Exemplo disso é a forma como um dos supostos assaltantes parece colocar um dos pés sobre a janela, sem que exista qualquer apoio.
Apesar de a origem do vídeo não ser clara, é possível chegar a versões aparentemente sem cortes que incluem a marca de água da Sora — uma ferramenta de IA generativa que cria vídeos curtos instantaneamente, em resposta a comandos por escrito. A aplicação foi criada pela OpenAi, a empresa dona do ChatGPT.
A 19 de outubro foram levadas oito peças da Galeria Apolo do Louvre, que estão avaliadas em 88 milhões de euros, segundo as informações da procuradora de Paris, Laure Beccuau. Entre os objetos roubados estão oito joias da antiga coroa francesa, incluindo a tiara da imperatriz Eugénia, do século XIX. Esta quinta-feira foi noticiado que cinco pessoas suspeitas de estarem envolvidas no assalto foram detidas.
Conclusão
O vídeo acima referido, que utilizadores das redes sociais dizem mostrar em ação o grupo de assaltantes que roubou o Louvre, é falso. O conteúdo terá sido gerado através da Sora, uma ferramenta de Inteligência Artificial generativa da OpenAi.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.