“Só 10% dos médicos acreditam na versão oficial de que o novo coronavírus é um vírus natural.” A afirmação é de Ángel Ruiz Valdepeñas, do Hospital de Formentera, Ilhas Baleares, e foi feita durante um protesto em Madrid, em junho passado. O vídeo, com esta e outras declarações polémicas do médico espanhol, tem estado a circular pelas redes sociais e já foi sinalizado como potencial notícia falsa pelo Facebook, depois de mais de 130 mil visualizações.

As declarações de Ángel Ruiz Valdepeñas feitas nesse vídeo — onde nega a existência da pandemia de Covid-19 — foram consideradas de tal forma gravosas, que elas foram censuradas pelo Colégio Oficial de Médicos das Ilhas Baleares – o equivalente a uma secção regional da Ordem dos Médicos portuguesa – e o médico foi suspenso de funções pelas autoridades sanitárias daquela região catalã.

Valdepeñas, que atualmente contesta na justiça a sua suspensão, também defende, no mesmo vídeo, que uma vacina contra a Covid-19 não passa de “uma experiência de engenharia genética” para que possam ser implementados chips nos seres humanos, de forma a poderem ser controlados por aquilo a que chama de “nova ordem mundial” — uma conspiração do poder económico e do poder político para controlar a população. O médico também afirma que “nem a máscara, nem o distanciamento social fazem sentido” para combater a pandemia.

Quanto aos números que Valdepeñas aponta — só 10% dos médicos acreditam na versão oficial de que o novo coronavírus é um vírus natural —, não há qualquer estudo feito a inquirir a opinião dos profissionais de saúde sobre a origem do novo coronavírus e o especialista em saúde familiar baseia-se apenas na sua própria opinião para o afirmar. Valdepeñas faz parte de um movimento negacionista do coronavírus, “Médicos por la Verdad“, apresentado oficialmente a 25 de julho, e que, segundo a imprensa espanhola, terá cerca de 140 médicos associados.

O vídeo já teve mais de 133 mil visualizações

Em Espanha, segundo dados oficiais, há 178600 médicos no ativo, o que significa que aquele movimento negacionista (que começou na Alemanha e tem agora ramificações um pouco por toda a Europa) representa apenas 0,07% da classe médica espanhola. Isto significa que nem os números de filiados no “Médicos por la Verdad” podem servir de base para as declarações de Valdepeñas.

Conclusão:

A informação é falsa. Não há qualquer estudo feito sobre a opinião dos profissionais de saúde quanto à origem do novo coronavírus e o médico espanhol, ao dizer que apenas 10% dos médicos acreditam na versão oficial, baseia-se apenas na sua opinião pessoal.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

Nota 2: O Observador faz parte da Aliança CoronaVirusFacts / DatosCoronaVirus, um grupo que junta mais de 100 fact-checkers que combatem a desinformação relacionada com a pandemia da COVID-19. Leia mais sobre esta aliança aqui.

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