Muitos milhares de portugueses estão a aproveitar o bom tempo nas praias portuguesas. Ainda assim, não é de estranhar que, num caso ou outro, se aproveite para passar mais umas horas ao telemóvel. A 17 de julho surgiu um vídeo no Facebook que dava conta de um episódio balnear incómodo: uma suposta descarga poluente numa das praias da linha de Cascais que resultou numa quase certa contaminação das águas. Atingiu as 60 mil visualizações chegando também às mais de duas mil partilhas. Trata-se, no entanto, de uma publicação falsa.

Publicação viral alega que nas praias da linha de Cascais houve uma descarga poluente. É falso.

De facto, o vídeo já tem algumas semanas mas voltou a surgir nas redes sociais. No conteúdo de 15 segundos ouvem-se queixas do cheiro nauseabundo em português e, logo a seguir, uma corrente de comentários negativos com utilizadores a garantir que jamais vão voltar àquela praia. No entanto, não há qualquer prova concreta tanto no vídeo como no texto da publicação original que corrobore o que é defendido.

E, ainda que seja verdadeiro tendo ocorrido em Lisboa, mais precisamente na zona da praia de Caxias, não se trata de uma “descarga poluente”. “Deveu-se a uma rotura na conduta de 300 mm em fibrocimento no cruzamento da rua Augusto Sousa Lobo, rua das sete Chaves, rua Amália Rodrigues e rua das Pias no Alto da Terrugem. A água que surgiu na praia apenas continha lama e água. A ocorrência foi logo resolvida”. Este foi o esclarecimento feito pela Câmara Municipal de Oeiras ao Observador, após ser questionada sobre a ocorrência.

Quanto à Agência Portuguesa do Ambiente, também questionada pelo caso, confirma a tal rotura na rede de abastecimento de água que “causou o arrastamento de lamas para a rede pluvial que descarrega na Praia da Giribita”. O ocorrido foi posteriormente resolvido pelos Serviços Intermunicipalizados de Água e Saneamento dos Municípios de Oeiras e Amadora (SIMAS) logo no própria — outro dos esclarecimentos que bate certo com o que foi dito pela autarquia ao Observador. “No mesmo dia foram realizadas análises à qualidade da água, cujo resultado foi comunicado à APA, encontrando-se os valores abaixo dos limites de referência”, referiu aquela instituição.

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Conclusão

Não é verdade que tenha havido uma descarga poluente numa praia da linha de Cascais. O evento aconteceu, de facto, o mês passado, mas trata-se de uma rotura numa conduta que fez com que uma mistura de água e de lamas acaba-se por  ser derramada no areal referido. Tanto a autarquia de Oeiras como a Agência Portuguesa do Ambiente esclareceram ao Observador que o caso foi logo resolvido no próprio dia e que as águas, após terem sido efetuadas as devidas análises, não se encontravam contaminadas por aquele incidente.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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