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As histórias dos doentes contadas pelos próprios

03 ago. 2026, 08:36
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segunda, 03 ago. 2026
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Fotografia de Paulo Farinha
Paulo Farinha
Editor de Inovação

“Naquele dia, pensava que ia morrer.”

Marco Queirós tem 46 anos e, quando tinha 30, a vida mudou. Um surto psicótico deixou-o alterado, com alucinações e delírios e a crença firme que iria morrer. Queria despedir-se da família mas não sabia como. O discurso estava alterado, os comportamentos não faziam sentido e inevitavelmente acabou no hospital, para onde foi levado. Esteve uma semana e meia internado no hospital Magalhães Lemos, no Porto, especializado em psiquiatria e saúde mental.

O diagnóstico chegou depois: esquizofrenia. Marco só se apercebeu anos mais tarde que aquele é o nome da doença que o faz ter convicções que não são reais e imaginar situações diferentes da realidade. Atribui o surto a um “cocktail explosivo” de insegurança, preocupações económicas, excesso de trabalho e alteração de rotinas.

Teve de aprender a viver com a doença, com o estigma, com a nova vida que agora tinha. “A esquizofrenia ensinou-me a ser resiliente perante as dificuldades e a ter muita força de vontade. Ensinou-me a ter mais empatia com as pessoas e ajudou-me a desabafar sobre os meus problemas dentro de casa, com a minha família.” O processo foi longo, implicou uma adaptação e uma maior consciência de si próprio e dos seus limites. “Sei que é viver com delírios. E sei que, se não se tomar a medicação, recai-se. Tenho de ser medicado para sempre para atenuar essas alucinações.”

A história foi contada pelo próprio à Sara Dias Oliveira, na reportagem da série “na primeira pessoa”, um conjunto de trabalhos assinados pela jornalista a partir de conversas com pessoas que partilham momentos da sua doença mental. O caso de Marco Queirós, entretanto diagnosticado com esquizofrenia, é o primeiro desta nova rubrica da secção do Observador totalmente dedicada à saúde mental.

A esquizofrenia é uma doença mental grave e a história de Marco tem outras pontas, vários pessoas, familiares e profissionais de saúde, um conjunto de caminhos de que se faz uma vida. As percepções erradas e os estereótipos negativos continuam a sentir-se, o que leva a discriminação e isolamento social dos doentes e famílias. Poderíamos falar de tudo isto e dos tratamentos, ouvir especialistas, cruzar depoimentos. Mas é em episódios em particular que nos centraremos nesta rubrica. Será em momentos específicos e na leitura que os doentes fazem deles que nos vamos focar nestes textos, dando voz aos principais protagonistas.

Temos outras novidades na quarta temporada do Mental. Algumas partilharemos em breve, outra também já está disponível. É o caso da rubrica em que nos focaremos na saúde mental de crianças e adolescentes. Pode ler aqui os dois primeiros artigos — um sobre videojogos e o risco de adição e outro sobre Pertutbação de Hiperatividade e Défice de Atenção.

Entretanto, deixo-lhe aqui um resumo dos trabalhos que publicámos no último mês no Mental, a secção do Observador totalmente dedicada à saúde mental:

Reportagens

Fotografia
Saúde Mental

O caso da depressão que escondia outra doença

O psiquiatra Rui Albuquerque recorda o caso de uma mulher diagnosticada com depressão mas que que, afinal, tinha demência. O objetivo deixou de ser tratar e passou a ser cuidar da pessoa.

Fotografia
Saúde Mental

O dia em que tive um surto psicótico

“Foi um cocktail explosivo. Naquele dia, pensava que ia morrer.” Foi há 16 anos, Marco Queirós tinha 30. Depois veio o diagnóstico: esquizofrenia. Nada foi igual, mas voltar a trabalhar fez diferença.

Fotografia
Saúde Mental

Videojogos. Como prevenir a dependência?

Podem ser uma forma saudável de diversão. E até de aprendizagem. O problema surge quando os videojogos passam a ocupar o lugar da escola, da família, dos amigos, do sono ou outras formas de prazer.  

Fotografia
Saúde Mental

Crianças que não param quietas. PHDA ou muita energia?

Correm, interrompem, distraem-se. Quando é que estes comportamentos fazem parte do desenvolvimento e quando podem indicar hiperatividade e défice de atenção? Como ajudar os pais a perceber?

Fotografia
Saúde Mental

O caso da jovem que não queria ser salva

Depois de uma tentativa de suicídio e um transplante de fígado, uma paciente da psicóloga Inês Mega continuava a recusar ajuda. Uma lição sobre frustração, humildade, esperança e limites terapêuticos.

Opinião

Fotografia do Colunista
Pedro Coutinho

Nem tudo é ansiedade

As redes sociais permitiram que a saúde mental passasse a ser amplamente falada e discutida, mas deu origem a desinformação e a uma tendência preocupante: o autodiagnóstico.

Fotografia do Colunista
Jorge Mota

O hospital invisível

O internamento psiquiátrico é invisível, não porque esteja escondido, mas porque poucos querem olhar para aquilo que ele revela sobre todos nós.

por falar em saúde mental

As feridas emocionais dos migrantes que chegam a Espanha sem documentação
El Mundo
Ser neurodivergente
El País
Stressado ou ansioso? Teste rápido
El Confidencial
O algoritmo do Tik Tok não é bom para relações
New York Times
Afinal não tenho PHDA - e isso foi um alívio
The Times
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