“Naquele dia, pensava que ia morrer.”
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Marco Queirós tem 46 anos e, quando tinha 30, a vida mudou. Um surto psicótico deixou-o alterado, com alucinações e delírios e a crença firme que iria morrer. Queria despedir-se da família mas não sabia como. O discurso estava alterado, os comportamentos não faziam sentido e inevitavelmente acabou no hospital, para onde foi levado. Esteve uma semana e meia internado no hospital Magalhães Lemos, no Porto, especializado em psiquiatria e saúde mental. |
O diagnóstico chegou depois: esquizofrenia. Marco só se apercebeu anos mais tarde que aquele é o nome da doença que o faz ter convicções que não são reais e imaginar situações diferentes da realidade. Atribui o surto a um “cocktail explosivo” de insegurança, preocupações económicas, excesso de trabalho e alteração de rotinas. |
Teve de aprender a viver com a doença, com o estigma, com a nova vida que agora tinha. “A esquizofrenia ensinou-me a ser resiliente perante as dificuldades e a ter muita força de vontade. Ensinou-me a ter mais empatia com as pessoas e ajudou-me a desabafar sobre os meus problemas dentro de casa, com a minha família.” O processo foi longo, implicou uma adaptação e uma maior consciência de si próprio e dos seus limites. “Sei que é viver com delírios. E sei que, se não se tomar a medicação, recai-se. Tenho de ser medicado para sempre para atenuar essas alucinações.” |
A história foi contada pelo próprio à Sara Dias Oliveira, na reportagem da série “na primeira pessoa”, um conjunto de trabalhos assinados pela jornalista a partir de conversas com pessoas que partilham momentos da sua doença mental. O caso de Marco Queirós, entretanto diagnosticado com esquizofrenia, é o primeiro desta nova rubrica da secção do Observador totalmente dedicada à saúde mental. |
A esquizofrenia é uma doença mental grave e a história de Marco tem outras pontas, vários pessoas, familiares e profissionais de saúde, um conjunto de caminhos de que se faz uma vida. As percepções erradas e os estereótipos negativos continuam a sentir-se, o que leva a discriminação e isolamento social dos doentes e famílias. Poderíamos falar de tudo isto e dos tratamentos, ouvir especialistas, cruzar depoimentos. Mas é em episódios em particular que nos centraremos nesta rubrica. Será em momentos específicos e na leitura que os doentes fazem deles que nos vamos focar nestes textos, dando voz aos principais protagonistas. |
Temos outras novidades na quarta temporada do Mental. Algumas partilharemos em breve, outra também já está disponível. É o caso da rubrica em que nos focaremos na saúde mental de crianças e adolescentes. Pode ler aqui os dois primeiros artigos — um sobre videojogos e o risco de adição e outro sobre Pertutbação de Hiperatividade e Défice de Atenção. |
Entretanto, deixo-lhe aqui um resumo dos trabalhos que publicámos no último mês no Mental, a secção do Observador totalmente dedicada à saúde mental: |