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“Vinte por cento das crianças e adolescentes têm, pelo menos, uma perturbação mental. Em Portugal, quase 31% dos jovens têm sintomas depressivos, a maioria moderados ou graves. Os psicólogos dizem que estes números são preocupantes. Os sinais de alerta nem sempre são fáceis de identificar nas crianças. Os pais e a comunidade escolar devem estar atentos.” |
A informação da Coordenação Nacional das Políticas de Saúde Mental, organismo na dependência do Ministério da Saúde, tem várias camadas de leitura. E várias formas de ser lida. Podemos falar do contexto em que as crianças e jovens crescem hoje em dia, com os estímulos das redes sociais e os desafios da Inteligência Artificial. Podemos falar dos efeitos que a pandemia de COVID-19 teve em franjas da população mais novas (as crianças de 2020 e 2021 são agora adolescentes, com toda a bagagem que trouxeram). Podemos falar do excesso de trabalho dos pais. Podemos falar do excesso de tempo na escola dos filhos. Podemos falar de bullying online. Podemos falar de videojogos. Podemos falar de muitas coisas. E mesmo assim continuaremos a não falar de tudo. A não conseguir falar de tudo. |
Há cerca de dois meses lançámos uma rubrica nova no Mental, a secção do Observador totalmente dedicada à saúde mental. É focada nos de saúde mental de crianças, adolescentes e jovens adultos e vem colmatar uma lacuna que sentíamos existir. São artigos jornalísticos, numa linguagem acessível para todos, que partem sempre de um mesmo modelo: identificamos uma dúvida frequente dos mais velhos no que toca às crianças, escrevemos sucintamente mas de forma muito clara sobre o que se sabe acerca dela, consultamos um especialista para nos ajudar a dar enquadramento e concluímos com sugestões práticas e acessíveis para pais e educadores. |
Num mundo com constantes estímulos, opiniões, pareceres e possibilidades em torno da saúde mental, com tantos especialistas a surgir de tantos lados diferentes e em tantas plataformas, resolvemos simplificar: uma dúvida, um problema, um possível diagnóstico, um especialista. E, ao fazê-lo, sentimos que estamos também a tranquilizar muitos pais: nem tudo é uma questão de doença mental. Por vezes é “apenas” uma característica, um traço de personalidade ou um sinal de crescimento e, se for vigiado e acompanhado, não chegará a ser um problema. Apenas uma forma de garantir a boa saúde mental de quem está a crescer. |
As ilustrações originais destes artigos são da autoria da Inês Correia. Os textos são assinados pela Sofia Teixeira. A jornalista, que já foi premiada pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental por trabalhos para a nossa secção, lê bastante sobre os temas, documenta-se, procura fontes credíveis que permitam aliceerçar a inforação. |
E, claro, conversa com especialistas. Entrevistou o psicólogo João Nuno Martins sobre dependência de videojogos. Ouviu a pedopsiquiatra Inês Barroca sobre PHDA (Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção). Falou com a psicóloga Rita Castanheira Alves sobre timidez. E voltou a conversar com a psicóloga Rute Agulhas (com quem já tinha estado na gravação deste episódio da série “Do Outro Lado, Histórias de quem trata a saúde mental”), desta vez sobre os medos das crianças. |
O próximo artigo, que deverá ser publicado no próximo fim-de-semana, já está pronto e a lista dos seguintes está decidida — sujeita a alterações em função da atualidade, como é habitual. Vamos falar de emoções infantis e preocupações dos pais. Da saúde mental dos mais novos e da tranquilidade de quem tem de tratar deles. Vamos abordar a ansiedade dos progenitores e os sinais de alerta que devem mesmo valorizar. Vamos tocar em dúvidas habituais noutras menos óbvias. Fique atento. |
Entretanto, deixo-lhe aqui um resumo dos trabalhos que publicámos no último mês no Mental, a secção do Observador totalmente dedicada à saúde mental: |