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Não, não se preocupe. Vai ter tempo de ler tudo com calma. É apenas uma brincadeira com os filmes de espiões e agentes secretos. Quem conhece o “Missão Impossível” (os filmes ou a série mais antiga que passava na televisão) está bem familiarizado com esta mensagem que se ouvia logo a seguir à missão secreta ter sido atribuída ao agente, e segundos antes de o gravador que reproduzia a mensagem começar a arder e ficar completamente inutilizado. |
Quando se fala de espionagem e segredos, há outra expressão que costuma ser muito comum: “Esta conversa não existiu”. E esta foi uma frase que o Pedro Raínho, o nosso Editor de Sociedade, ouviu muito durante o longo processo de investigação que deu origem ao novo Podcast Plus do Observador, “A Vida Dupla do Espião Traidor”. |
Caso ainda não tenha começado a ouvir, aqui vai um resumo rápido da história: há cerca de 10 anos o SIS (Serviço de Informações de Segurança) descobriu que tinha uma “toupeira”. Ou seja, alguém andava a passar segredos das secretas portuguesas para fora. A investigação acabaria por resultar na detenção de Frederico Carvalhão Gil, um dos funcionários mais antigos do serviço. Em maio de 2016, Carvalhão Gil seria apanhado em flagrante, num café de Roma, a passar informações classificadas a um agente russo a troco de dinheiro. |
Em qualquer investigação jornalística, as fontes são fundamentais. E nesta, que é uma história sobre um mundo de sombras e segredos, o Pedro Raínho contou também com uma fonte “sombra” que foi importante para chegar a algumas das informações mais inesperadas sobre este processo. Pistas decisivas que, depois de devidamente cruzadas e confirmadas com outras fontes, se revelaram sempre certeiras. |
Uma dessas informações surpreendentes deu mesmo notícia. Os serviços secretos norte-americanos não só avisaram os portugueses sobre quem era a “toupeira”, como a CIA quis mesmo lançar uma armadilha para a apanhar em flagrante. Parece uma história saída de um filme de espiões, mas acabou por não ir para a frente. Para além das pessoas entrevistadas para o podcast — entre elas ex-dirigentes do SIS e antigos elementos da PJ que participaram na operação que resultou na detenção de Carvalhão Gil — o Pedro Raínho teve dezenas de conversas com outras fontes bem informadas. As tais conversas que “não existiram”. |
Para além disso, para a construção dos guiões do podcast foi fundamental a consulta do processo judicial que tem mais de 5 mil páginas, não contando com os apensos. Só um não está disponível para consulta. O volume III do Apenso E-1 está guardado de forma segura no Campus da Justiça, em Lisboa. Contém a informação classificada que foi apreendida ao espião português. |
Por fim, o próprio Frederico Carvalhão Gil. O primeiro contacto com o ex-espião foi feito através de uma mensagem enviada pelas redes sociais. Horas depois, foi o próprio Carvalhão Gil que estabeleceu contacto telefónico. Essa primeira conversa ao telefone iria dar origem a quatro encontros presenciais, em diferentes pontos da cidade de Lisboa. O objetivo era conhecer o lado dele da história e convidá-lo para uma entrevista gravada onde pudesse explicar a sua versão dos acontecimentos. Mas Carvalhão Gil nunca aceitou dar uma entrevista formal. Como vamos perceber com o podcast, o ex-espião tem uma leitura muito própria de tudo o que aconteceu. |
O Observador em Ceuta |
O Observador foi o primeiro meio de comunicação português a chegar esta sexta-feira a Ceuta. Mérito da rapidez da Inês André Figueiredo e do João Porfírio, que manhã cedo já estavam no território espanhol no norte de África onde se vive uma situação dramática depois da entrada forçada de mais de 60 mil migrantes de forma irregular, que provocou a morte de dezenas de pessoas. Ao longo dos próximos dias pode ler e ver no site, e ainda ouvir na rádio, o testemunho dos enviados especiais do Observador. |