A aceleração e a mudança, ela própria acelerada, não são apenas sinais dos tempos. São o normal. E não são o novo normal, mas simplesmente o normal. Falar deles é até redundante. A adaptação deixou de ser uma vantagem competitiva para se tornar uma condição de sobrevivência. A pequenez do mercado interno, a resiliência, a inovação, a colaboração, entre outros, são fatores a ter em consideração quando se vai para fora. E ir mesmo para fora. E assumir riscos pois o risco faz parte da vida de todos nós.

Foi neste contexto que surgiu a obra 71 Vozes pela Internacionalização, uma obra coletiva acabada de lançar pelo ISCTE Executive Education e pela LeYa, reunindo testemunhos, reflexões e perspetivas de líderes empresariais, académicos, gestores, diplomatas e empreendedores que reconhecem, cada um à sua maneira, a urgência e a inevitabilidade de pensarmos para lá das nossas fronteiras.

Este livro não é apenas uma coletânea de vozes — é um apelo, um manifesto claro para que Portugal se reinvente através da sua ligação ao mundo. Enquanto país de pequena dimensão, com uma economia aberta e vulnerável a choques externos, Portugal tem historicamente oscilado entre períodos de ousadia e períodos de retração. Mas o tempo para hesitações não é este. A internacionalização já não é uma opção estratégica — é uma imposição económica. E é uma imposição que poderá conduzir ao sucesso mas que será, indubitavelmente, uma necessidade para a sobrevivência. Crescer com o mercado que temos? Tem de ser fora de portas.

O ISCTE Executive Education, enquanto instituição comprometida com a formação de líderes globais, sente-se particularmente identificado com esta obra. Mais do que organizador ou promotor, somos parte desta missão de levar o conhecimento, a experiência e a visão portuguesa além-fronteiras. Como responsável pela instituição, tive a honra de contribuir com uma reflexão sobre a necessidade, também, de internacionalização no ensino superior, não apenas como exportador de talento e conhecimento, mas também como veículo de transformação e diplomacia económica.

Ao longo das mais de 400 páginas do livro, destacam-se temas cruciais: o papel das empresas portuguesas nos mercados externos, a importância da inovação e do branding nacional, a diplomacia económica, os desafios do investimento direto estrangeiro, a mobilidade de talentos, a cooperação lusófona e os efeitos da globalização sobre os setores tradicionais. Há, acima de tudo, um fio condutor: a consciência de que o crescimento sustentável e a resiliência económica de Portugal dependem, cada vez mais, da sua capacidade de projetar-se globalmente.

A riqueza da obra reside na diversidade de experiências partilhadas. Não se trata de um livro apenas técnico, mas, também, de uma reflexão viva, realista e, por vezes, até emocional. Das grandes multinacionais aos pequenos exportadores, das start-ups tecnológicas às universidades, há uma noção comum de que a internacionalização é um processo contínuo, exigente, mas absolutamente vital.

Este livro também é uma resposta ao imobilismo. Portugal tem talento, criatividade, espírito empreendedor e uma diáspora que é uma verdadeira ponte para o mundo. O que falta, por vezes, é ambição estratégica e capacidade de execução. 71 Vozes pela Internacionalização quer ajudar a romper essa inércia, inspirando líderes e decisores a pensar em grande, a arriscar e a construir redes e pontes que transcendam a geografia.

O mundo está a redesenhar-se, emergem novas oportunidades e o apelo à internacionalização assume a urgência das urgências. O livro que agora lançamos é, por isso, um contributo sério e responsável para essa discussão — mas é também uma celebração do que já foi feito e do muito que ainda pode ser alcançado.

Esta é uma obra de serviço público. Uma obra para todos, a preço contido, e que apenas ao risco e à saída da zona de conforto. É uma obra escrita a 71 mãos. E é, mais que tudo, um livro que instiga a ação. Comprem-no em qualquer livraria do país.

E, claro, convido todos a lerem as 71 Vozes pela Internacionalização com espírito crítico e visão aberta. Porque sair de Portugal para conquistar o mundo não é fuga — é necessidade e é, igualmente, afirmação. `