A ideia de que a sustentabilidade no setor da construção é um custo adicional e que torna os edifícios mais caros é um mito! Na construção civil a sustentabilidade não é uma opção, é sim uma necessidade emergente, pois este é um dos setores mais poluentes a nível global.
Construir de forma sustentável deveria, na verdade, ser a regra aplicada ao setor, como se fazia antigamente. O conhecimento empírico utilizado no passado, com a adoção de técnicas bioclimáticas e materiais locais, com o intuito de economizar energia e outros recursos, era comum e estava perfeitamente alinhado com os princípios de sustentabilidade. Com o decorrer do tempo, e o avanço das novas tecnologias, essas práticas foram sendo progressivamente abandonadas, dando lugar a um setor frequentemente desqualificado, sem a devida consideração pela eficiência de recursos e pelo conforto térmico. Um exemplo disso é o fabrico de produtos e equipamentos para climatização que consomem energia excessivamente, sem qualquer preocupação com a poupança energética, que veio a revelar-se, e é, nos dias de hoje, tão necessária.
A Construção Sustentável não termina na conclusão da obra. O próprio edifício, depois de habitado, deve ter um impacto mínimo no ambiente durante o seu tempo de vida. Mas o debate em torno de práticas de construção mais sustentáveis fica muitas vezes preso ao custo inicial, levando os céticos a acreditarem que se trata de uma despesa de bem-estar com pouco ou nenhum retorno. A verdade é que a sustentabilidade oferece um retorno que se estende muito para além do investimento inicial. Ora vejamos:
Os edifícios energeticamente eficientes podem consumir menos 25-30% de energia do que os edifícios construídos de forma convencional. Esta poupança resulta da eficiência da iluminação, do isolamento e dos sistemas AVAC, permitindo diminuir a fatura de energia;
Os edifícios mais sustentáveis podem consumir menos 40% de água, graças a equipamentos eficientes de recolha de águas pluviais e paisagismo de baixo fluxo. Isto traduz-se em poupanças reais nas faturas de água e nas taxas de esgotos;
Os materiais e métodos de construção sustentáveis requerem frequentemente uma manutenção menos frequente, o que permite poupar a longo prazo. A durabilidade traduz-se numa poupança de custos real;
Os edifícios construídos a pensar na sustentabilidade têm uma melhor qualidade do ar, melhor conforto térmico e maior acesso à luz natural, o que leva consequentemente a uma maior produtividade e a uma redução do absentismo;
E, no final, tanto o menor consumo de energia leva a uma redução das emissões de gases com efeito de estufa, como a conservação de água leva à proteção de recursos preciosos. Na verdade, a sustentabilidade deveria estar implícita em edifícios de cariz social e de construção a custos controlados, só assim estariamos a atender aos três pilares que suportam a palavra sustentável: economia, ambiente e sociedade. Tudo o que não respeitar estes três pilares, não é sustentável, é greenwashing (tentar tornar “verde” o que não é).
Assim, o caminho será o de investir na recuperação de técnicas de qualidade e não o de “ornamentar” os edifícios com equipamentos consumidores de energia ou de painéis fotovoltaicos. Estes últimos são, sem dúvida, uma mais-valia na obtenção de energia de uma fonte completamente renovável, mas é redutor considerar que é isso que torna o edifício sustentável.
Voltar a construir com qualidade, atendendo aos materiais locais e naturais, tirando partido da orientação solar e de técnicas de sombreamento, exige um certo esforço, mas esse esforço será, sem dúvida, proporcional ao valor gerado. Mais do que uma tendência, a sustentabilidade deve ser encarada como uma regra forte e capaz, de transformar riscos e custos em promissoras oportunidades de crescimento. E não só protege o planeta, como também contribui para um desenvolvimento mais sólido, produtivo e rentável.