Quando no dia 18 de Março de 2020 (quase há um ano atrás) o povo português estava em casa, principalmente os mais jovens, o Governo teve a coragem e até a decência de declarar o primeiro estado de emergência. O objectivo primordial era ganhar tempo para se preparar o Sistema Nacional de Saúde para aquilo que poderia ser um aumento de internamentos.

Ficámos (muitos já estavam) em casa.

Nessa altura, tínhamos em todo o país 642 casos de Covid-19.

Há mais de uma semana que temos,em média, 10 mil casos diários.

Entretanto, com o fim do primeiro estado de emergência, assistimos a um Governo, que ao invés de governar, utilizava a sua máquina de comunicação para se vangloriar dos bons resultados que se deviam única e exclusivamente ao bom comportamento dos cidadãos.

O Primeiro-Ministro aproveitou para ir para a praia tocar guitarra, garantindo que o país não fecharia outra vez.

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Nessa altura, António Costa devia ter preparado a segunda vaga, mais do que previsível, e, possivelmente, a chegada de uma terceira. Para isso bastava ter realizado acordos com os hospitais privados, cuja cegueira ideológica do PCP e do BE não permitiu e perante os quais o Governo cedeu.

Entretanto, o Governo conseguiu fazer um acordo para entregar 1700 milhões de euros à TAP. Dinheiro que agora faz falta para apoiar, por exemplo, a restauração, os barbeiros e cabeleireiros que o Governo fechou parcialmente pela terceira vez e em absoluto pela segunda.

Pagamos todos com a economia estagnada, com o desemprego e, pior que tudo, com vidas humanas.

Aqui chegados, não há muito a fazer. As pessoas estão desgastadas.

Merecíamos ouvir, como ouvimos em março, palavras de união e de apelo ao bom senso. Em vez disso, o Primeiro-Ministro saiu a terreiro para acusar os portugueses de não respeitarem o confinamento – porque interpretam a lei que o mesmo Governo criou.

Nos EUA, Trump perdeu eleições à custa da pandemia, em Inglaterra, Boris Johnson teve Covid-19, no Brasil a culpa é de Bolsonaro, mas em Portugal, numa altura em que lideramos o número de casos diários a nível mundial, a culpa é dos Portugueses e, imagine-se, do postigo.

Quando em 2030 se contar a história desta pandemia, em que o maior Governo da história da democracia portuguesa, liderado pelo PS, falhou redondamente, a culpa ainda vai ser de Pedro Passos Coelho?