Organizações terroristas, estados hostis e membros de grupos armados receberam mais de 28 mil milhões de libras [cerca de 32 mil milhões de euros] do dinheiro dos contribuintes britânicos, sendo que parte destas verbas eram destinadas ao combate à pandemia de Covid-19. A conclusão é de um relatório secreto do governo britânico, revelado nesta terça-feira pelo jornal The Telegraph.
O relatório revela que milhares de milhões de dólares de ajuda externa e de empréstimos (parte destinados a mitigar os efeitos da pandemia) acabaram nas mãos de estados inimigos do Reino Unido, como a Rússia, e de grupos terroristas, como o Estado Islâmico.
De acordo com o relatório, encomendado e produzido pelo Governo britânico mas arquivado durante a governação anterior, empresas ligadas ao Estado russo apropriaram-se de subvenções, enquanto empréstimos destinados à Covid-19 foram enviados a terroristas do Estado Islâmico. Antes da pandemia, verbas destinadas ao investimento em investigação acabaram nas mãos de empresas ligadas às forças armadas chinesas.
Outros casos envolveram o desvio de verbas — destinadas a ajudar países em desenvolvimento na mitigação dos impactos relacionadas com a pandemia — para o Estado Islâmico na Síria, e o envio inadvertido de fundos governamentais de combate ao terrorismo para extremistas que defendem ideologia antiocidental. Uma grande parte dos fundos desviados foi parar às mãos de grupos criminosos, incluindo traficantes de pessoas, acrescenta o relatório.
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Segundo fontes ouvidas pelo The Telegraph, um grupo criminoso da Europa de Leste também teve acesso a fundos britânicos, que usou para para incentivar a imigração ilegal para o Reino Unido. Outras verbas foram destinadas ao financiamento do terrorismo, de estados maliciosos e de ameaças internas.
O relatório em causa foi encomendado pelas autoridades do Reino Unido em 2023, depois de terem surgido indícios de que os pacotes de ajuda governamental contra a Covid-19 tinham sido usados de forma fraudulenta. O relatório foi partilhado com altos funcionários de todo o governo, incluindo os do Ministério dos Negócios Estrangeiros, mas nunca foi tornado público, por decisão do anterior governo conservador, tal a magnitude do desvio de verbas para outros fins.
Durante o período analisado pelo relatório, entre 2015 e 2021, o Reino Unido tinha um dos maiores orçamentos de ajuda externa do mundo, com o compromisso de destinar 0,7% do produto interno bruto (PIB) à ajuda externa, o que se traduziu na afetação de entre 12 e 15 mil milhões de libras [entre 13,9 e 17,4 mil milhões de euros] por ano.