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Chegamos a uma fase da vida em que por muitos ataques que façam ao Chega, aos seus dirigentes e militantes, já pouco ou nada ligamos. No entanto, o critério de alguns “comentadores” do regime é de bradar aos céus.

Não temos obrigatoriamente que gostar de André Ventura mas temos de reconhecer que veio para deixar marca, para ser um político diferente, longe do politicamente correcto e destes políticos de vira o disco e toca o mesmo. Com Ventura é difícil ter meio termo, ou se ama ou se odeia! O que é certo é que desde que apareceu a política em Portugal nunca mais foi (nem será) igual.

Ao contrário do que faz a extrema esquerda, que quer impor as suas ideologias e pensamentos nas escolas portuguesas, por exemplo na disciplina de Cidadania, ou nas cantinas, obrigando as crianças a comer pastéis de brócolos em vez de um bom pastel de carne. Coisas desta era moderna e de um governo socialista vendido ao PAN, da Inês, que é contra o plástico, mas coloca os produtos da sua empresa em caixas de plástico, ou contra a agricultura intensiva e produz para exportação, que até transforma estufas em túneis e defende a vinda de imigrantes porque tem trabalhadores do Nepal e Bangladesh. Só que, pasme-se, a empresa não é dela mas sim do marido, e vendeu as quotas à sogra. Blá, blá, blá… conversas para enganar o povo, a lembrar a sabedoria popular, “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”!

Mas, escrevia eu, não estamos aqui para impor nada a ninguém, nem ninguém é obrigado a seguir a linha do Chega. Na nossa visão de futuro entendemos que Portugal tem de mudar. Todos percebemos isso, o que nem todos perceberam foi que para se mudar tem de se acabar com os poderes instalados de anos e anos de corrupção, de compadrio e clientelismo.

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Ouvimos de tudo sobre os Açores, não sei se o governo regional cairá ou não, mas André Ventura esteve bem ao tomar uma posição, ao dizer claramente que não somos muleta do PSD, nem um novo CDS (o PSD é que caminha a passos largos para ser um PS2). O que ninguém questiona é porque Ventura fez isso e meteu em causa a “estabilidade” do governo açoriano? A resposta é fácil, se o PSD não cumpriu o estabelecido com o Chega, não estamos lá a fazer nada! Gabinete de combate à corrupção? Dizem que está em andamento, mas não existe. Diminuição da subsidiodependência? Houve uma ténue, muito ténue diminuição. Diminuição do tamanho do governo? Não o fizeram, mantendo um dos maiores governos da história dos Açores; para além de este futuro orçamento prever a entrega de milhões à SATA, acresce o facto de Rui Rio dizer que não quer nada com o Chega mas sim acordos com o PS. E até Paulo Rangel vai no caminho da moda “com o Chega não”!

Depois vieram os do costume, a criticar André Ventura! Chamaram-lhe irresponsável, Marques Mendes chamou-lhe “barata tonta”, mas não teve a seriedade necessária de dizer aos portugueses os porquês da atitude do líder do Chega. De Daniel Oliveira já sabíamos que iria destilar ódio, mas onde estão as críticas ao BE e ao PCP por deixarem cair o governo da nação? Ou até ao PS, por não ter sabido (ou não querer) negociar com os parceiros da extrema esquerda? Taparam-nas com uma peneira, como fazem com os tweets da jornalista espanhola Cristina Seguí, quando levanta suspeitas (verdadeiras ou não) sobre Mariana Mortágua e as supostas ligações ao BES? Ou enterraram-nas com os Robles ou com o chumbo do projecto de lei do Chega sobre o enriquecimento ilícito, em que todos os partidos votaram contra?

Curioso é o facto de que quando tocamos na extrema esquerda, cai o “Carmo e a Trindade” (lá está outra vez a sabedoria popular a funcionar), parecem virgens ofendidas. Mariana Mortágua diz que vai processar Ventura… e porque não processa a jornalista espanhola? É que André Ventura não a acusou de nada! Fernando Rosas, esse ícone formado no MRPP com a companheira Ana Gomes, agora também quer processar o líder do CHEGA, como se o passado se pudesse apagar ou esquecer. Podiam era dizer ao companheiro de partido e de luta racial (!?) Mamadou Ba, que a um deputado da nação não se manda meter “uma colmeia cheia de abelhas pela goela abaixo”, mas isso ninguém viu, ou assobiaram para o lado.

Infelizmente, o jornalismo está como está. A grande maioria já não se distingue, nem os comentadores sabem bem o que são, não passando de meros “opinadores”, na tentativa de formatar a mente de quem os ouve! Tentam ocultar os quadros do Chega, fazendo passar a mensagem de que André Ventura é um homem só. Mas não é! É único, mas não está sozinho, nem nunca o deixaremos só, como provaremos no congresso do próximo fim de semana, em Viseu!

Numa coisa têm razão, a culpa é de André Ventura, por estar a mexer com os poderes instalados e com os partidos do sistema, que estavam habituados aos “arranjinhos”. Mas agora já nada é igual!