O nome “Margarida Falcão” é provável que ainda não te entre no ouvido, mas quem sabe depois deste texto não estarás mais atento para o mesmo.

A vida de Margarida Falcão no panorama da música nacional já começa a competir com as sete vidas de qualquer felino, sendo marcada pelo seu desempenho em duas bandas distintas que nos fazem viajar de um registo folk para o dream pop, ambos géneros músicais tão apreciados no seio da geração dos Millennials.

A história desta jovem inicia-se em 2014 através do concurso novos talentos FNAC que  destacou as irmãs Catarina e Margarida conhecidas como “Golden Slumbers”, em homenagem à homónima música dos Beatles.

No final desse mesmo ano, Margarida Falcão num registo musical diferente daquele que compõe com a irmã edita junto dos colegas de escola profissional Ricardo Nagy e Luís Monteiro aquele que viria a ser o primeiro álbum dos promissores Vaarwell, cujo nome significa Adeus.

Desde essa época a dupla vida de Margarida na música não para de surpreender e de crescer.

A sua voz já inundou grande parte dos palcos nacionais com destaque para o Vodafone Paredes de Coura, o Indie Music Fest, o Rock in Rio, a Casa da Música, os Sofar Sounds Lisboa, o Centro Cultural de Belém, o Music Box Lisboa, o Mercado do Bom Sucesso entre outros.

No entanto e com uma curta história temporal como banda é absolutamente surpreendente e um orgulho olhar para os palcos internacionais onde já tocaram com destaque para o Festival Waves de Viena e para o Festival South By Southwest (SXSW) o que me faz pensar porque razão os talentos nacionais são aclamados primeiro noutros países, até que por fim os comecemos a reconhecer nas nossas fronteiras?

Será por cantarem em inglês ou será por se inserirem num género musical com um público algo restrito?

Em relação ao idioma de ambas as bandas a vocalista contou-me que após os concertos em Portugal é sempre questionada porque não canta em Português como se fosse obrigatório uma banda nacional ter obrigatoriamente que apresentar canções em Português. De repente ainda que noutro género musical dei por mim a pensar nos “The Gift” e nos seus aclamados temas no nosso idioma.

Em relação ao género musical, ao olhar para as grandes enchentes de festivais como o Nos Primavera Sound não acredito que falte público em Portugal para uma banda como os Vaarwell e como as Golden Slumbers

O destaque internacional que tem sido dado aos Vaarwell continua em rádios internacionais e nas revistas de especialidade.

Se sintonizarmos por exemplo a BBC Radio 1 ou a BBC Radio 6 é bem provável escutarmos os Vaarwell.

Já por entre as penas escritas do mundo da música, Margarida viu a sua voz destacada na The Line of Best Fit, Purple Melon, Substance in Meaningless, Scream & Yell entre outras publicações.

Olhando para todo este destaque internacional acredito que algo falha na promoção destes talentos no nosso país.

E quem fala dos Vaarwell ou das Golden Slumbers também poderia falar dos Best Youth e por aí fora.

No entanto creio que este cenário poderá mudar com a inclusão disruptiva de agenciamentos como o da Afirma, que tem no seu painel de agenciados por exemplo os ainda desconhecidos para muitas pessoas, Keep Razors Sharp, que também merecem aqui destaque pela qualidade do seu projecto musical.

Talvez aquilo que verdadeiramente nos faz falta seja para além de ouvir música, falar mais sobre ela.

Deveríamos investir mais na cultura e nos artistas portugueses que carregam na alma das suas vozes, o sangue das nossas tradições, as ânsias das nossas gentes e a identidade das distintas gerações.

Gente que faz história contando histórias através de sons que vibram no nosso coração e que fazem com que sintamos que poderíamos viver sem música, mas a vida não seria definitivamente a mesma sem a moldura de todas estas bandas sonoras.