Durante a pré campanha e os debates televisivos temos ouvido o nosso primeiro-ministro António Costa repetir o soundbite de que a minha geração é a mais qualificada de sempre.

Tecnicamente é verdade, a minha geração é a mais qualificada de sempre, 45% dos jovens portugueses já completaram o ensino superior, quatro vezes mais do que em 2000 (11,1%). Mas em que é que esta melhoria de qualificações se materializou?

Há uma coisa que aprendi nas minhas poucas voltas ao sol: para o PS, é mais importante parecer fazer bem, do que realmente fazer bem, para o PS o importante é sair bem na fotografia. Este comportamento tem, no entanto, uma justificação; ter certas exigências obriga a que se estabeleçam objetivos claros para as políticas, mas isso implica responsabilização, termo este que não consta do vocabulário do Partido Socialista.

Esta melhoria nas qualificações dos jovens só é útil se houver uma perspetiva de futuro minimamente motivante para os jovens da minha geração. Costumo dizer que ser jovem e votar no Partido Socialista é o chamado Síndrome de Estocolmo; e não é que é mesmo…

Este é o retrato perturbador da minha geração: 72% recebe menos de 950 euros líquidos mensais, mais de metade não se sente realizado profissionalmente, um terço não hesitaria em emigrar caso surgisse uma oportunidade vantajosa e, não menos importante, são cada vez mais os jovens portugueses que admitem ter iniciado a toma de doses de ansiolíticos e antidepressivos.

A minha geração está estagnada profissionalmente e pior que tudo, está triste.

Os céticos dirão que a conjuntura atual não é favorável para ninguém e que é excessivo falar de trauma. Bem, mas eu discordo. A minha geração viu os país a trabalharem horas extra e por vezes a terem mais do que um emprego e ao mesmo tempo ter que gerir um agregado familiar. Muitos passaram por períodos muito conturbados, como o da Troika, onde foram sufocados fiscalmente, o que aniquilou qualquer possibilidade de subir na vida a pulso e pelo seu mérito em Portugal. Não me interpretem mal, o nosso problema não é casual, é mesmo estrutural – ou sistémico como está na moda dizer. Um português que ganhe 800 euros e seja aumentado para 900 euros vê o Estado ficar com 47% do custo adicional que a empresa suporta. Mas não ficamos por aqui, porque se um português ganhar 2000 euros e for aumentado para 2200 euros o Estado fica com 57% custo adicional que a empresa suporta. Com esta elevada e tão progressiva carga fiscal com (7! escalões de IRS) é impossível subir na vida a trabalhar em Portugal.

A minha geração viu os seus amigos e familiares emigrarem porque não encontraram oportunidades no seu próprio país. Atenção, que emigrar não é negativo por si mesmo, pode ser até uma experiência muito enriquecedora. O que não é concebível é não deixarmos escolha aos nossos jovens que não a emigração. É certo que é importante termos capacidade de formar grandes profissionais em Portugal, julgo até que temos um ensino superior com provas dadas, até mesmo internacionalmente, mas não podemos esquecer que é tão ou mais importante ter condições para lançar e manter esses mesmos jovens qualificados no mercado de trabalho português. É na capacidade de oferecer oportunidades profissionais sustentáveis que Portugal peca, por isso não espanta que os nossos jovens emigrem para países mais inovadores, com mais oportunidades, com mais perspetivas de futuro e acima de tudo mais liberais. Acho que os nossos pais ou avós nunca sonharam que a minha geração tivesse mais e mais atraentes oportunidades em países do leste da Europa, como a República Checa ou até a Estónia, do que em Portugal.

A minha geração fica ainda mais pasmada quando ouve falar nas condições fiscais que os reformados estrangeiros ou os residentes não habituais têm, que são muito mais atrativas e incentivadoras ao desenvolvimento. O que deixa os jovens verdadeiramente boquiabertos é que o Estado sabe que para ser atrativo ao investimento estrangeiro e para imigrantes qualificados tem que oferecer condições fiscais apelativas, mas o Governo do Partido Socialista não aplica a mesma receita para manter os nossos jovens mais qualificados.

A minha geração tem um défice enorme de role models portugueses com sucesso. Os líderes em Portugal ou são falados por estarem envolvidos em esquemas de compadrio e corrupção que minam a confiança dos jovens no sistema ou não são tema de conversa de todo. A maior vitória da esquerda neste século foi ter demonizado o conceito de lucro e criado a ideia de que todos aqueles que são bem-sucedidos só o são porque exploraram alguém. Qual das caras conhecidas da sociedade portuguesa podemos verdadeiramente admirar? À nossa elite política, económica e até académica falta-lhe espinha dorsal e coragem, estão demasiado acostumados à ordem das coisas que não é alterada há décadas, os ministros rodam de governo para governo e os grupos empresariais são liderados pelos mesmos, desde que tenham o apelido certo, é claro. Aqueles que são bons exemplos de liderança e espírito inovador, como os criadores dos nossos necessários unicórnios, são desvalorizados e prosseguem a sua vida low profile de enorme sucesso.

A minha geração sente ainda que não há nenhuma perspetiva de melhoria, sente que vamos continuar a contentarmo-nos com crescimentos medíocres à volta do 1%. Percebe-se também que o PS não faz a menor ideia de como colocar o país a crescer. Temos que lhes dar um desconto, andam há tantos anos preocupados com a manutenção do poder que não têm tido tempo para os portugueses.

A falta de ambição dos que estão à frente do país é contagiante, mais ainda do que daquelas variantes de que estamos fartos de ouvir falar. Felizmente, há uns anticorpos resistentes que acreditam que os portugueses merecem mais do que convergir com o crescimento da média da União Europeia e que não se deixam contentar com a mediocridade que nos condena à estagnação económica e a uma sociedade triste.

Precisamos desesperadamente da ambição, da energia, da inovação, da irreverência e da coragem da minha geração para pôr Portugal a crescer outra vez!