O homem é um ser fraco1, presa fácil de ambição2, concupiscência3, ganância4, orgulho5, e outros vícios6. No entanto, a posse, ou a proximidade ao poder7 político parece potenciar os seus defeitos, especialmente o da ganância. Quando terá sido o governo sem qualquer caso ou casinho no nosso país? Sempre que ouvimos falar da empresa de spin8-político do sr. primeiro ministro, muito apropriadamente denominada de Spin-um-viva, ou do Tutti Frutti, Influencer, Marquês & semelhantes pensamos: será que os nossos políticos não conhecem outro modo de ganhar dinheiro e subir na vida senão puxando, mexendo & abrindo em proveito próprio, e dos seus compadres, os cordéis da bolsa de autarquias, guverno y União Europeia?

Assim, não havendo muitos exemplos, no passado recente, de políticos íntegros e empresários de sucesso sem múltiplas conexões partidárias, e atendendo que é necessário apresentar à nossa juventude paradigmas de sucesso material acompanhado por, ou até derivado de fervor religioso e escrupulosa atuação ética, apresenta-se a seguir um caso de henriquecimento originado na honestidade, relatado num antigo manuscrito guardado num templo nas vizinhanças de Kyoto, a antiga capital imperial japonesa. Relata o documento:

«Nos tempos dos nossos honoráveis antepassados, habitava numa humilde aldeia montanhosa da Província de Settsu um pobre lenhador que seguia o caminho do Senhor Buda — Aquele do Sagrado Lótus, do Antes, do Agora e do Outra-Vez-a-Vir — não tomando qualquer vida animal para o prazer de seu paladar ou conforto do seu ventre e orando, como deve fazer um homem devoto, pelo eterno bem-estar de sua própria alma.

Certo dia, caminhando por num desfiladeiro, encontrou uma raposa presa pela pata numa armadilha de caçador, vítima9 do engenho humano que, com muitos gemidos e lágrimas escorrendo pelo focinho, parecia suplicar-lhe socorro, de modo que, tomado de compaixão, quisera ele soltá-la. Porém, desejando não roubar por qualquer modo a nenhum homem honesto, percorreu uma longa milha montanha abaixo até sua barraca e, tomando de um esconderijo que tinha sob a palha onde dormia uma moeda de prata, fruto de vários meses de árduo labor, retornou ao desfiladeiro e libertou a raposa, embrulhando a peça de prata num pedaço de pano de algodão e atando-o à armadilha antes de seguir seu caminho. [nota: este exemplo, o não roubar ou destruir o honesto trabalho das outras pessoas, nem que seja para ajudar outrem caído em aflitivos apuros, parece que deveria ser adotado não só pelo nosso estado social, nossos políticos e orçamento de estado, mas também por todos os ativistas ambientalistas e dos chamados direitos animais] A raposa, ao ser libertada, não fugiu, mas, como se compreendesse o coração do lenhador, roçou-se-lhe aos pés, lambeu-lhe as mãos e acompanho-o mancando tobo-tobo, até a boca do desfiladeiro, onde latiu três vezes e se sumiu no matagal.

Na terceira noite seguinte, ao repousar o homem à porta de sua cabana, exaurido pelo labor cheio de suor do dia, subitamente lhe apareceu uma donzela, vestida em uma túnica de seda parda, que o chamou, e ele, ao ver-lhe a rara formosura e crendo tratar-se de alguma grande dama extraviada de seu séquito, prostrou-se e inquiriu-lhe em que lhe podia ser útil. Disse ela: “Não te prostres, pois sou a raposa cuja vida tua humanidade resgatou10 aqui há dias, libertando-a da alçaprema em que ficara presa, e cuja existência adquiriste com tua moeda de prata. Tomei esta forma para retribuir-te o favor na medida do que me é possível.” Ao que ele exclamou: “Ó augusta senhora do mundo dos espíritos e da magia! Por minha ínfima insignificância não mereço tamanha condescendência! Oito vezes sou recompensado apenas por esta visita! Sou um pobre lenhador e vós sois o repositório de toda beleza. Rogo-te, não zombais da minha baixa condição.”

Então disse ela: “És um homem pobre apesar de todo o teu árduo labor diário [nota: aqui, a raposa parece estar a fazer uma referência à distinção clássica entre os que são pobres apesar de trabalhar muito, os que são pobres porque não trabalham e não trabalham porque não podem, e aqueles que são pobres porque não querem trabalhar, três categorias com valorações éticas distintas, uma diferenciação que se encontra ultrapassada desde a instituição do “estado social”]. Permite-me ao menos indicar-te o caminho da fortuna [“sem entrar na vida política” acrescenta uma variante mais recente do texto].” Perguntou ele: “E como poderá isso ser feito?” Respondeu ela: “Amanhã de manhã, veste tua melhor túnica e tuas mais resistentes sandálias e vem à boca do desfiladeiro onde me salvaste. Ali me verás em minha verdadeira forma. Segue-me aonde eu te conduzir, e a boa fortuna será tua. Prometo-te, palavra11 de raposa!” Ante isto, prostrou-se ele em gratidão perante a sublime donzela e, ao erguer a cabeça, já ela tinha desaparecido.

Na manhã seguinte, ao chegar ao desfiladeiro, encontrou a raposa à sua espera, a qual latiu três vezes e, virando-se, trotou adiante, guiando-o através da montanha por sendas que ele desconhecia. Assim prosseguiram, a raposa sumindo-se no matagal sempre que um viajante surgia à vista, ele saciando-se de frutos e bagas, matando a sede nos regatos, e à noite dormindo sob as estrelas. Assim os giros do sol se sucederam até que, ao meio-dia da quarta jornada, chegaram a um vale onde estava uma grande cidade. Ao pôr do sol, chegaram a um bosque próximo à muralha exterior, onde se erguia um santuário à deusa-raposa, Inari12. Diante deste, a raposa latiu três vezes e adentrou-se pela porta. E logo o lenhador viu sair de lá a donzela, agora vestida de ricas sedas e bela como o sonho de um apaixonado.

[Trigger warning: a leitura do conteúdo que se segue não é aconselhável a crianças prepubescentes e sem formação histórica do mundo exterior à bolha do herero patriarcado europeu, a neuro-diversos, ambientalistas, feministas, warxistas e a wokes]

Disse ela: “Leva-me agora, que sou tua filha, ao mais opulento prostíbulo da cidade e vende-me ao seu mestre por um preço generoso.” Ele respondeu: “Vender-te às mãos infernalmente escarlates do infame mercador de donzelas? Jamais!” Então, com uma risada cristalina como o som da água numa fonte, disse ela: “Não temas, pois tua alma será inocente de qualquer desumanidade ou injustiça neste negócio. Assim que o trato for selado e tu partires, oportunamente reassumirei minha forma de raposa no jardim da casa e desaparecerei. Assim a recompensa será tua, e a vil intenção do traficante de inocentes virgens e explorador da desregrada & abjeta concupiscência masculina receberá o seu justo castigo.”

Assim, conforme ela lhe ordenara, ele entrou na cidade em sua companhia e, indagando o caminho para o bairro das casas de mulheres públicas, chegou ao mais esplêndido dos estabelecimentos, frequentado apenas por perdulários audazes e príncipes orgulhosos de suas bolsas bem fornidas, onde, durante toda a noite, os tambores ressoavam ton-toko-ton, e os shamisen jamais silenciavam os seus shin-ton-shan, e cujos corredores acetinados sussurravam com o shu-shu do arrastar das aveludadas palmas de pés das cortesãs de tez alva & lábios escarlates. Tão grande era a formosura da donzela que uma multidão os seguia, e o mestre da casa, ao contemplá-la, sentiu-lhe os dentes traseiros latejarem de prazer. O pobre lenhador, conforme fora instruído, narrou-lhe a sua história, asseverando ser um homem cuja vida caíra em desgraça, de modo que, tendo outrora sido um gentil homem de posses, via-se agora constrangido a vender sua única filha à servidão. Diante disso, o proprietário, cuja boca se encheu de água ante a beleza da jovem, e ponderando sobre as preferências da sua abastada clientela, lançou o pincel sobre o tinteiro, empunhou-o com firmeza e colocou diante dele um contrato, estipulando que, pelo prazo de três anos, a jovem lhe prestaria serviço mediante o pronto & imediato pagamento da soma de trinta ryo de ouro.

O lenhador teria de boa vontade assinado, mas a donzela estendeu a mão e o deteve, dizendo: “Não, meu augusto pai! Eu de boa vontade vos obedeço nisto como em tudo o mais, mas peço que não tragais opróbrio à nossa nobre casa atribuindo-me valor tão mesquinho.” E, ao mestre da casa, disse: “Julgo haver-te ouvido dizer sessenta ryo, não é verdade?” Ao que ele respondeu: “Se eu desse um rin acima de quarenta ryo estaria roubando meus próprios filhos.” Ela replicou: “O perfume que eu usava em dias mais afortunados custava dez ryo por mês. Sessenta!” Exclamou ele: “Mil maldições sobre minha miserável pobreza que me constrange assim! Tenha misericórdia de mim e aceite cinquenta!” Com isso ela se ergueu e disse: “Honorável pai, há uma outra casa numa rua próxima frequentada, oiço dizer, por um certo príncipe que talvez não me ache totalmente desprovida de encantos. Vamos lá, pois este lugar parece ser de menor categoria e reputação do que tínhamos ouvido dizer.” Mas o mestre correu e trancou a porta e, embora gemendo como um boi ante o cutelo, deu ao lenhador os sessenta ryo de ouro, ao que este apôs o seu nome e selo no contrato, se despediu dela e foi para casa regozijando-se com a sua feliz fortuna.

Então, o dono do prostíbulo, jubiloso por haver capturado tão ímpar pérola de donzelice, entregou-a aos cuidados de suas aias para que a revestissem de brocados e joias, e a fez sentar-se num balcão, onde sua formosura fulgurava com tal esplendor que os palanquins, detendo-se, tornavam a rua intransitável13, e o proprietário do estabelecimento fronteiro quase que cortou a própria garganta por pura inveja. Ademais, o filho do daimyo da província, ao ouvir falar de tal maravilha, enviou ao estabelecimento um presente de ouro, rogando-lhe a presença em um festim que haveria de oferecer naquela mesma noite.

Ora, esse banquete se deu em uma sala do piso superior, sobranceira ao rio, e entre as donzelas que atendiam aos nobres convivas, a mulher-raposa era como a lua em meio a um enxame de lanternas de papel rasgadas, de modo que o príncipe anfitrião não podia desprender dela os olhos, no que era imitado por todos os seus hóspedes, cada um incapaz de conter esgares de inveja sempre que outro dela se aproximava. À medida que a taça de sake percorria a roda, ela volvia seu mais cândido sorriso ora a este, ora àquele, acenando cada qual em direção à loucura, até que o sangue de todos eles borbulhava butsu-butsu de paixão, e cada um se balanceava na tênue lâmina de uma zaragata.

Eis que senão quando, subitamente, como que por magia, as luzes do aposento vacilaram e se extinguiram, e seguiu-se grande alvoroço, no meio do qual a donzela bradou em alta voz: “Ó, meu Príncipe! Um dentre teus convivas ousou tocar-me! Acendei luz sem demora, e conhecereis este falso amigo, pois é ele aquele cujo borla do capelo arranquei!” Porém, o Príncipe, que era de ânimo generoso e espírito elevado, bradou a alta voz: “Não! Antes, que cada um de vós, meus bons camaradas, arranque de seu próprio capelo a borla e a esconda na manga. Pois todos bebemos além da medida, e há ocasiões em que a ignorância vale mais que o saber.” E, passados alguns instantes, bateu ele as palmas, e quando luzes foram trazidas, eis que nenhum capelo restava com borla intacta. Diante disso, um dos jovens fidalgos, rindo do engenhoso ardil, principiou a entoar a antiga canção que reza:

“O capelo que amaste, tão belo e vistoso,
De junco trançado, com brilho sedoso,
Ai de mim! Foi levado num sopro de vento,
E ao rio Kamo caiu, num só momento—
Perdido na enchente, levado a vagar.

Por muito busquei-o na noite sombria,
Errando sem norte, em vã agonia,
Até que a aurora, com luz radiante,
Rompeu no horizonte, dourando o levante!

Ah, o sawa-sawa, em doce lamento,
Das águas que correm ao ritmo do vento,
Murmúrios suaves, um canto a soar,
Espalham-se ao longe, perdem-se no ar…”

Mas a donzela, clamando que, sem vingança pela afronta, já não desejava mais a vida, correu ao aposento vizinho e, despojando-se das suas vestes14, lançou-as pela janela à corrente veloz; e ela mesma, tomando sua forma de raposa, saltou abaixo e ocultou-se numa toca na margem do rio. Então, os companheiros do Príncipe acorreram pressurosos e, achando a janela aberta e a jovem sumida, vendo as ricas vestiduras levadas pelas águas impetuosas, creram que, de facto, ela se lançara aos braços da morte. Clamaram, pois, em grande alarido, enquanto o mestre da casa arrancava as suas pestanas em desespero, e seus criados, bem como os fidalgos presentes, lançaram-se em muitas embarcações, sondando as águas toda aquela noite, mas nada encontraram senão a faixa de linho que lhe havia cingido os rins.

Ora, na quarta noite após esses eventos, estando o lenhador sentado à soleira de sua porta, eis que a donzela lhe surgiu diante dos olhos, trajando um quimono estampado de ramagens de pinho e bambu, com um obi onde libélulas como que joias se enredavam numa névoa purpúrea. Perguntou-lhe então: “Cumpri eu minha palavra de raposa?” E ele respondeu: “Sim, por oitenta e oito vezes cumpriste! Pois esta manhã adquiri um campo de arroz de terras férteis, e amanhã os construtores, com o que ainda resta, começarão a erguer minha mansão. Então, disse ela: “Já não és lenhador, mas homem de posses. Olha para mim: não me quererias por esposa?” Mas ele, contemplando o porte dela, tão gracioso quanto o balançar de um ramo de salgueiro; sua pele imaculada, de textura igual à pétala da magnólia; suas sobrancelhas, dois arcos de ébano como arco-íris noturnos; e seus cabelos, luzentes como a asa de um corvo banhado pelo sol, reconhecendo-se rude e sem cultura, prostrou-se em humildade e disse: “Não, ó cheia de sabedoria! Acaso o tisnado corvo se une à nívea garça?” Ela então sorriu e disse: “Faz-me ainda um último favor. Amanhã retorna à cidade, àquela casa de má fama onde me deixaste, e oferece-te para resgatar-me, como previsto no contrato. E, como o mestre do bordel não poderá apresentar-me, terá forçosamente de pagar-te soma por dano e perda. Mas cuida que não aceites menos de duzentos ryō de ouro. E, dizendo tais palavras, tornou à forma de raposa e se sumiu entre os arbustos.

Assim, na manhã seguinte, tomou ele sua bolsa e a encheu de moedas de cobre, pôs-se a caminho e, atravessando a montanha, ao terceiro dia chegou à cidade. Apressou-se então à casa de má fama e pediu a presença do seu patrão, ao qual disse, fazendo tinir a bolsa sob suas narinas: “A fortuna sorriu-me! Pois, ao retornar à minha aldeia, levando comigo os sessenta ryō para solver minhas dívidas, eis que fui surpreendido pela nova de que meu irmão mais velho falecera subitamente numa província vizinha e, por não ter deixado descendência, toda a vastidão de suas terras coube a mim em herança. Por isso, venho resgatar minha bem-amada filha e restituir-te teu ouro, acrescido dos juros estabelecidos por lei.”

A tais palavras, sentiu o comerciante seu fígado apertar-se, e buscou esquivar-se com toda sorte de desculpas; mas o lenhador insistiu com veemência tal que, por fim, não lhe restou alternativa senão confessar-lhe que a jovem se havia lançado ao rio, desaparecido e certamente perecido. Ao ouvir isso, o lenhador prorrompeu em sonoro pranto, enchendo toda a casa com seus lamentos; malhou sonoramente os tatami com a sua testa, bradando que nada além de maus-tratos a teriam impelido a tão funesto destino e jurando denunciar o proprietário aos magistrados como vil assassino, até que este, temendo ver sua casa ser sorvida por um redemoinho de má reputa, correu ao cofre e procurou acalmar o enlutado com ouro. Assim, com adicionais duzentos ryō em ouro, pois, lembrando-se do conselho da donzela, não aceitou um só a menos, o lenhador regressou à sua aldeia, escoltado por dez homens armados, e alugou um sólido armazém para a guarda segura de sua fortuna.

Na noite a seguir ao seu retorno, estando sentado à soleira da porta de sua casa, rendendo graças a todos os deuses por sua ventura, a donzela-raposa novamente se lhe apareceu, desta feita trajando apenas a alva maciez de seu adorável corpo, de modo que ele desviou o rosto para não a contemplar. Perguntou-lhe ela: “Cumpri eu minha palavra de raposa?” E ele respondeu, gaguejando: “Oitocentas e oitenta e oito vezes! Hoje sou o homem mais rico de toda esta região.” Disse então ela: “Olha para mim. Não me quererias por concubina?

E ele, espiando contra sua própria vontade por entre os dedos, viu o brilho puro e sedoso de sua pele, os seios como colinas nevadas, a cintura … [Nota: segue-se uma descrição poético-anatómica que, estendendo-se por várias páginas, e cujo teor não se enquadrando no propósito desta peça seria uma exposição marginal & fastidiosa para o leitor e é, portanto, aqui omitida] … o que fez com que todos os seus sentidos repicassem como sinos em rebuliço, de modo que cobriu os olhos com a manga do quimono e disse: “Ó dadivosa benfeitora! Perdoa a inominável mesquinhez deste ínfimo ser. Meus descendentes até a décima geração queimarão o mais rico incenso perante o dourado santuário que brevemente te erigirei. Mas sou um homem e tu és uma raposa, e contigo não poderia eu consorciar-me sem incorrer em grave pecado!” [nota: de reparar que, fora da esfera de influência do hétero patriarcado europeu, formas de comércio15 antinatural não são consideradas ecológicas e são, consequentemente, tidas como eticamente reprováveis].

Então, de súbito, viu ele um fulgor de cinco cores resplandecer ao redor dela, qual arco-íris celeste, e ouviu-a clamar com voz de júbilo inexcedível: “Bênçãos e ventura sobre ti, ó incorruptível! Pois, como raposa, habitei sobre a terra por quinhentas gerações e jamais, até este dia, encontrei entre os homens algum cuja virtude tivesse o poder de libertar-me deste ciclo de reincarnação em que tenho estado. Sabe, pois, que pela pureza do teu coração me é agora concedido abandonar esta senda animal e reencarnar, enfim, na via dos humanos. E, dizendo isto, desvaneceu-se. Então o lenhador ergueu-lhe um santuário à boca do desfiladeiro da montanha, e é publicamente sabido que os netos de seus filhos ainda hoje ali lhe rendem culto.”

Sendo possível, com o apoio divino, talento, esforço e sorte16 henriquecer17 com honestidade e por meios legítimos, porque será que tantos, no nosso país, pensam e atuam como se só com avenças, benefícios, contratos, dispensas, favores e isenções estatais o conseguem e se filiam no ps/d?

E, perante o espetáculo de tantos que se procuram henriquecer, não através do honesto fornecimento de bens e serviços que as pessoas precisam e querem comprar, mas através da ação pulítica, da própria ou da de compadres, que só nos esmaga cada vez mais com regras e regrinhas, estatais e municipais, como pode o nosso povo não se recordar daquele famoso dito do sr. pe. Mário Centavo: “Tal como ninguém pode servir a dois senhores, não podeis servir ao bem público e ao dinheiro: ou não estimarás um e gostarás do outro, ou te dedicarás ao primeiro e desprezarás o segundo”? 18

Us avtores não segvew as regras da graphya du nouo AcoRdo Ørtvgráphyco. Nein as du antygu. Escreuew covmv qverew & lhes apetece. #EncuantoNusDeixam

  1. Fraqueza: capacidade que dá às mulheres o poder de tiranizarem os homens, acorrentando-os ao serviço dos seus caprichos.
  2. Ambição: desejo avassalador de ser odiado e insultado pelos que conseguem menos, e ridicularizado pelos que não ambicionam a tanto.
  3. Concupiscência: estado de insatisfação perene não atribuível ao chefe, colegas, políticos e outros transeuntes que se atravessam na nossa vida.
  4. Ganância: intenso sentimento altruísta que nos leva a tentar aliviar um irmão nosso da materialidade do dinheiro e outras formas de riqueza que lhe empobrecem a vida.
  5. Orgulho: o florescer do ego; sentença que juiz passa quando é o réu; sentimento de prazer derivado de obra realizada por subordinados; sensação de satisfação na consideração de qualidades que adquirimos a contragosto em casa e na escola; soberba no masculino; consciência de uma dignidade que nos foi conferida por outrem; altivez de espírito, embora sendo o espírito algo de que os materialistas questionam a existência, surge a dúvida se o orgulho verdadeiramente existe; aquilo que procede a ruína & a queda (Prov. 16, 18); virtude que nos ganha o inferno.
  6. Vício: comportamento que demonstra força de caracter; fortaleza de carater requerida para se ser preguiçoso em frente do chefe, guloso no conhecimento do BMI, invejoso sabendo o nível da carga fiscal, etc.; prática heroica que grangeia estima social & confere honra a quem a pratica.
  7. Poder: ter a opção, não a obrigação, de atuar de certo modo, como por exemplo a que os portugueses têm de votar ps/d de modo a garantir a glória de ser o povo mais miseravelmente pobre da EU; condição natural da autoridade pública que lhe possibilita a prossecução dos seus mesquinhos interesses particulares.
  8. Spin: o fiar e tecer da política nacional que veste o país de farrapos e remendos.
  9. Vítima: pessoa cujos direitos foram violados por assaltantes, assassinos, ladrões, violadores, ministros e outros agentes do estado; pessoa cuja experiência é testemunho da inoperabilidade & inutilidade do serviço de segurança pública.
  10. Resgate: pagamento que não confere a posse a quem paga pela pessoa resgatada, a qual não pertence a quem é pago.
  11. Palavra: elemento de uma estrutura discursiva, usualmente desprovido de qualquer significado como, por exemplo, no discurso político, por vezes simplesmente descritivo de uma realidade, tal como quando um locutor anuncia o teor de um anúncio feito pelo sr. Ministro da Finanças, mais raramente alterador da própria realidade, por exemplo quando o sr. Ministro das Finanças anuncia um aumento da taxa do IVA ou de outro imposto; o Logos que estrutura o universo e orquestra o que lá se passa.
  12. Inari 稲荷: divindade xintoísta das raposas e do arroz, chá, sake (uma espécie de chá japonês), agricultura, industria, comércio e, de uma maneira geral, da prosperidade e sucesso temporal, razão pela qual muitos warxistas asiáticos se converteram ao ateísmo.
  13. Intransitável: o fluir natural do trânsito em Lisboa, especialmente na Almirante Reis, fruto de uma considerada & multifacetada política de mobilidade municipal.
  14. Vestes: ornamento de distinção que, tal como o tilintar dos sinos, a altura da carruagem, etc, é um meio de assinalar publicamente a alocação, direta ou indireta, de recursos e prerrogativas do orçamento do estado a uma pessoa que de outro modo não se distinguiria de todas as outras.
  15. Comércio: relação social, afetiva ou romântica; troca de bens, favores e serviços em mercados apropriados tal como o artístico, matrimonial, político e outros que não seria apropriado aqui referir.
  16. Sorte: uma jovem inconstante que concede os seus favores aos rapazes que a tratam mal; ser que, sendo careca, se não se agarra pelas barbas nos foge.
  17. Henriquecimento: acumulação de bens, móveis & imóveis, provenientes de esbanjadores, dos jogadores na bolsa, dos que a perdem, dos sem sorte, dos contribuintes, dos imprevidentes, dos gulosos & dos praticantes de atividades afins; existe alguma controvérsia se esta acumulação dá título de propriedade, como defendem os membros da iliberal, se é recebida apenas em depósito, como ensina Sua Santidade, ou se é para ser expropriada, como reclamam o be, o pc e o ps d’amanhã.
  18. Pe. Mário Centavo, Opera Omnia, vol. 98. O sr. pe. Mário Centavo afirmou mais tarde que com esta máxima mais não está que a parafrasear uma parte de um sermão feito numa montanha por um antigo Profeta.19
  19. Profeta: aquele que pratica a arte de trocar a sua presente credibilidade contra admiração futura numa indeterminada data.