Zelensky é um herói1. A sua fibra tornou-se aparente quando, em Fevereiro de 2022, recusou o convite do sr. presidente Biden para fugir à invasão2 russa e se tornar um refugiado3 político nos Estados Unidos, deixando o povo ucraniano à mercê da brutalidade soviética dirigida por um ex-KGB admirador de Estaline. Que outro líder europeu, em circunstâncias parecidas, teria exibido um heroísmo semelhante? O sr. eng. Costa?

O sr. presidente Trump é um homem do mundo. Deste mundo, o fora da bolha, aquele funciona segundo um princípio muito antigo, básico e universal: quem consegue defender o seu pode ficar com ele; quem não consegue, perde-o.

Este princípio aplica-se às pessoas, aplica-se a nós. Quem sai à rua pode ficar sem a sua carteira, se não se defender: quando foi a última vez que a nossa polícia protegeu um cidadão quando este estava a ser assaltado ao sair de casa4? Quem tem uma casa pode vê-la ocupada de um dia para o outro se não se acautelar contratando5 preventivamente um grupo de siganos6 ou outro serviço de segurança privado equivalente7: ou será que a gnr lhe a irá desocupar antes de um longo, dispendioso e frustrante processo civil, que não demorará menos que vários anos? Quem é que ainda confia na autoridade pública para defender o que é seu quando está a ser roubado?

Este princípio também se aplica às nações. Os romanos conquistaram a Lusitânia e destruíram-na de modo irreversível, como uma visita à desolação do local facilmente comprovará. O Imperio do Gana foi conquistado, no meio de muita barbárie, pelo reino dos Sosso, cerca de 1203, e totalmente absorvido pelo imperialismo africano do reino do Mali, cerca de 1235. O estado de Shu 蜀 foi invadindo e obliterando pelo reino de Qin 秦 em 316 a.C., apenas mais um exemplo da realpolitik brutal de estado & chinesa onde, como sempre e em toda a parte, estados mais fortes sistematicamente destruíam & absorviam os mais fracos até que apenas um permanecesse — neste caso, o estado de Qin.

É evidente que é saudável que os vizinhos, e outras pessoas de bem, ajudem a proteger quem está a ser atacado. Mas é improvável que alguém que deixa sempre a porta de casa aberta e não tome qualquer cuidado em proteger o que é seu consiga manter por muito tempo a simpatia dos vizinhos e outras pessoas que o ajudam. Mais: é possível que quem vive sob a proteção dos seus amigos, mas nunca os ajuda quando & onde eles precisam, veja a boa vontade deles esmorecer e desaparecer. Mas mesmo amigos fortes y fiéis não são garantia para tudo. Como está escrito: “Maldito é o homem que põe a sua confiança noutro homem, cujo coração se afasta de Deus e confia na natureza humana para se proteger.” (Jer 17, 5-6)

Nos Estados Unidos, onde o sr. presidente Trump nasceu, cresceu e ainda vive, este princípio básico de que quem consegue defender o seu pode ficar com ele ainda está muito entranhado na cultura popular e no dia-a-dia dos cidadãos. Assim, não será de estranhar que muitos americanos apoiem a sua política de desengagement com a NATO e outros aliados recentes dos USA (é de recordar que o país já esteve em guerra8 ou quasi-guerra9 com a Alemanha, Áustria, Espanha, França, Itália e Reino Unido) se acham que estes estão sempre a deixar a porta de casa aberta, e nunca os vão ajudar de maneira relevante quando é preciso. É provável que mr. president esteja a pensar mais nesses americanos, aqueles a quem deve tudo o que agora é, do que nos estranjas que dele sempre troçaram, quer quando assina uma ordem executiva, quer quando fala com um chefe de estado estrangeiro.

No entanto, é verdade que quando o sr. presidente Trump se recusa a garantir a segurança dos aliados dos EUA está a fazer a américa perder amigos. Mas o que é um amigo? E o que se pode esperar de um amigo? Diz Bem Sira: “Com efeito, há amigos de ocasião, que não são fiéis no dia da tribulação” (6,8) e “não é na prosperidade que o amigo se conhece, e o inimigo não ficará encoberto na adversidade. Quando um homem é feliz, os seus inimigos estão tristes, mas na adversidade até o amigo desaparece” (12, 8-9). Estas são verdades bíblicas que os europeus agora sentem na pele. Mas quantas vezes já não as sentiram no passado os americanos?

PS: qual ia ser a política mais escandalosamente nociva da administração Trump? As deportações em massa dos emigrantes ilegais? Quando apareceu o DOGE, as deportações parecem ter acabado para o comentariado. E por onde terá andado o DOGE nestes dias, desde que Trump se reuniu com Zelenskyy?

 

Us avtores não segvew as regras da graphya du nouo AcoRdo Ørtvgráphyco. Nein as du antygu. Escreuew covmv qverew & lhes apetece. #EncuantoNusDeixam

  1. Herói: o vilão na narrativa do inimigo; animal raro na cultura repressiva do hétero-patriarcado europeu, mas planta comum (do tipo urticadioida) extensivamente cultivada no igualitarismo socialista, na União Suviética e na Cureia do Norte.
  2. Invasão: uma conquista que correu mal e que não se consumou numa anexação; uma oportunidade de ouro, e única, para patriotas atestarem o seu proclamado amor à pátria; momento em que se percebe a fibra dos nossos aliados e amigos: no caso ucraniano, o momento definidor da amizade do governo do vice de Obama para com a nação ucraniana foi o seu convite para que Zelenskyy fugisse assim que a invasão se iniciou.
  3. Refugiado: pessoa que deixa as ameaças10 que conhece por outras que não imagina; figura inicialmente estabelecida por Moisés para permitir que quem cometesse inadvertidamente um homicídio pudesse fugir para uma de seis cidades, nomeadamente Golã, Ramote e Bosor, a nascente do Rio Jordão e Quedes, Siquém e Hebron no lado poente (Números 35, 11-28), fora das quais se fosse visto poderia legitmamente ser caçado por qualquer vingador devidamente licenciado.
  4. Casa: uma cervejaria, ou taberna, de última instância: aberta toda a noite.
  5. Contratado: um miserável mercenário que serve outra pessoa ou empresa privada a troca de uma jorna, estipêndio ou ordenado, ao contrário de um funcionário respeitável que recebe um vencimento.
  6. Sigano: membro de uma nação que segue o seu caminho sem chatear ninguém, ao contrário de socialistas e do sr. eng. Costa; seguem-no os subsídios e alguns animais domésticos; pessoa que nos faz visionar uma risonha fortuna futura, lendo-nos a sina nos signos, em troco de uma percentagem sobre a fortuna presente, tal como os socialistas e o sr. eng. Costa; prestador eficaz de serviços de segurança, totalmente conformes com todas as regulações DEI, absolutamente eficaz na defesa contra ataques policiais, e que ainda por cima não leva iva.
  7. Equivalente: algo tão rasca como o restante.
  8. GueRra: aquilo que acontece após assinatura de tratados de paz e acordos de cooperação, segundo o antigo preceito japonês “se queres fazer guerra, fala de paz”; o resultado da boa vontade mútua entre dois estados soberanos; diplomacia musculada; área especializada da ciência diplomática; móbil para angariar fundos para organizações pacifistas; evento que o pacifismo jamais conseguiu evitar, muito menos eliminar; aquilo que só se consegue impedir com cinismo e desconfiança—e com a preparação de um exército competente. A gueRra, tal como o ladrão noturno, vem quando menos se espera e tanto quanto mais líricas são as declarações de diplomatas e outros políticos sobre a paz e segurança. Daí o princípio base da diplomacia, conhecido como a Lei Centavo, “a probabilidade de ocorrência de uma gueRa é inversamente proporcional à preparação marcial do povo e diretamente proporcional ao clima geral de paz e tranquilidade”, atribuída ao Pe. Mário Centavo, e cuja demonstração científica (e famosa equação: Prob[guerRa]=clima de tranquilidade/preparação marcial^2) se pode encontrar no vol. 34 da sua Opera Omnia. Sobre este assunto, um filósofo chinês antigo também terá entoado “si vis pacem, para bellum”, mas este lexicógrafo ignora o significado desta invocação mágica.
  9. Quasi–guerra: conjunto de batalhas entre dois estados em paz, que não constituem guerra devido à falta de uma declaração formal de hostilidades. Conceito que surge entre os puristas do hétero-patriarcado europeu branco que distinguem a “guerra”, evento diplomático iniciado aquando de uma comunicação formal através de embaixador devidamente acreditado, do “quasi-guerra”, “operação militar”, “guerrilha”, e “terrorismo”, etc, em que não há papel para a diplomacia, uma chinesice de distinção ainda sustentada por algumas organizações internacionais.
  10. Ameaça: técnica negocial usada para assegurar a paz através de um tipo de concórdia; pedagogia frequentemente usada pelo estado nas suas relações com os seus cidadãos e consagrada nos seus códigos penais.