Há anos que alerto para os perigos da ideologia do género e para o facto de servir como uma luva os interesses dos violadores. Esta denúncia tem-me valido algumas ameaças e os rótulos do costume – “transfóbica”, “fascista”,“nazi” – e alguma desconfiança por parte dos mais distraídos.

Isto, apesar de, em 2018, o Diário de Notícias ter noticiado que um violador – que se declarou mulher-trans – depois de ser preso por ter esfaqueado várias vezes um vizinho com um bisturi, tinha violado mais duas mulheres na prisão.1 O predador sexual, que já tinha sido condenado anteriormente por agressão, exposição indecente, indecência grosseira com crianças e crueldade animal, e que foi descrito pelo procurador como «uma “suposta transgénero” que usou essa vertente de personalidade para ‘entrar em contato com pessoas vulneráveis’», aproveitou-se das políticas identitárias e mascarou-se com uma peruca, maquilhagem e soutiens com enchimento para se declarar mulher, ser preso na cela delas e continuar a violá-las.

Mas, quantos cidadãos leram o DN naquele dia? Quais foram os canais de TV que noticiaram exaustivamente o caso e que promoveram a discussão pública sobre o assunto? A quem interessava que o assunto não fosse muito falado?

Não sei quantas pessoas leram o artigo. Não me lembro de o assunto ter sido noticiado nos diversos canais de TV e muito menos de uma discussão a respeito. Só interessa que o assunto não seja muito falado aos que insistem em impor-nos a ideologia do género, desde o pré-escolar e em todo o lugar, como algo moderno, emancipador e cientificamente comprovado.

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Entretanto, na Califórnia, onde esta ideologia continua a alastrar como um cancro maligno que não é tratado, aumenta o número de mulheres que se sentem ameaçadas por homens mascarados de mulheres. Desde 2021, o Estado permitiu que 47 prisioneiros do sexo masculino que se identificam como transgéneros ou “não-binários” adentrassem as prisões femininas. Como era de esperar, começaram a aparecer denúncias de mulheres que estavam a ser violadas por “presidiárias” do sexo masculino e, pasme-se, o Estado que criou e aprovou as políticas que os colocaram nas prisões femininas, além de não se importar2, ainda reforçou as restrições às prisioneiras biologicamente femininas.

Pior, quem decidiu que os homens podiam escolher ser presos nas celas das mulheres sabia muito bem o que daí adviria, pois instalou dispensadores de preservativos nas prisões femininas. Ou seja: admitiu que os prisioneiros que se autodeterminavam mulheres violariam as reclusas. As prisioneiras contam ainda que os guardas ignoram sistematicamente os relatos de agressão sexual e violação e algumas chegam a afirmar que os guardas as puniram por denunciar o assédio.

Krystal Gonzalez, uma das vítimas, afirmou que não recebeu nenhum recurso depois de ter sido violada por um dos prisioneiros “trans” e que, quando denunciou o abuso, os guardas não reconheceram que tinha sido um homem a agredi-la, referindo-se ao agressor como “uma mulher transgénero com pénis”. Ela lamenta:

«Isso piora a minha angústia porque não acredito que eles possam realmente avaliar a minha queixa se fingirem que as mulheres podem ter pénis. Esse homem violou-me, e, quando os guardas me tentam dizer que foi uma mulher, sinto-me violada mais uma vez.»

Também Sagal Sadiq, uma mulher biológica que se identifica como um homem-trans, afirma que a forma como os guardas tratam as mulheres que denunciam os abusos sexuais leva a que estas saibam que não só ficarão totalmente desprotegidas, mas que também serão activamente punidas por denunciar, e que isso é uma forma eficaz de reduzir o número de queixas com as quais o Estado e os próprios guardas prisionais não querem lidar.

Num registo público, de 2022, o Departamento de Correcções e Reabilitação da Califórnia afirmou que um grande número de presidiários que se autodeterminam transgénero e exigem cumprir pena em prisões femininas são predadores sexuais; uma terça parte dos 287 homens que se candidataram a prisões femininas são criminosos sexuais; e um quarto já havia sido condenado por crimes sexuais.3

Entretanto, no Canadá4, um estudo alarmante, realizado pelo departamento de prisões do Canadá5, revelou que quase metade dos detentos que se autodeterminam mulheres-trans (portanto, homens biológicos) tem um histórico de crimes sexuais. 71% desses homens foram presos por crimes violentos, incluindo assassinatos, crimes sexuais, assaltos e agressões. Na maior parte dos casos, eles cometeram esses crimes como homens, antes da transição (que não envolve necessariamente a remoção dos órgãos sexuais masculinos), e as suas vítimas eram principalmente mulheres e crianças, que normalmente sofriam ferimentos graves ou morriam.

Estes estudos dão razão aos que temem que as mulheres detidas em prisões tenham de dividir a cela com homens biológicos, condenados por violarem mulheres. Maxime Bernier diz que esta política é insana e postou no Twitter: «Esses homens violadores que fingem ser mulheres são enviados para prisões femininas e podem continuar a violar mulheres».

O Canadá começou a enviar os criminosos trans para instalações que correspondiam à sua “identidade de género” e não ao seu sexo biológico em 2017. Dois exemplos: Catherine Lynn assassinou um vizinho e fez sexo com o seu cadáver no tempo em que ainda se identificava como homem. Depois de se auto-determinar mulher, Lynn foi alojado na prisão feminina da Grand Valley Institution, em Kitchener, Ontário.

O mesmo aconteceu com Adam Laboucan, um pedófilo que violou uma criança de três meses, e que, depois de se auto-determinar mulher, recebeu permissão para se mudar para uma ala feminina na Fraser Valley Institution.

Quando leio estas notícias, pergunto: onde anda o movimento feminista, que não rasga as vestes em defesa das mulheres que são vítimas de uma ideologia tão perniciosa, e insiste em ignorar estudos como o que se realizou na Suécia em 2011?

Esse estudo6 descobriu que as pessoas que fazem a transição de homem para mulher mantêm um ‘nível masculino de criminalidade’, o que significa que as “mulheres-trans” são mais propensas ao crime, incluindo ofensas violentas, do que as mulheres biológicas, e que isso acontece mesmo depois de tomarem hormonas ou fazerem cirurgia.

Entretanto, por cá, em 2022, um transgénero que se identifica como mulher, mas mantém o seu órgão sexual masculino intacto, foi apanhado a fazer sexo com outra reclusa na prisão de Santa Cruz do Bispo.7

E, mais recentemente, um homem que se autodetermina mulher foi enviado para a prisão feminina de Tires depois de ter esfaqueado os pais, que vieram a falecer algum tempo mais tarde. A notícia8 denunciava o facto de as guardas da cadeia feminina se terem recusado a revistar um homem biológico, que mudou de nome e de “género” nos documentos oficiais, mas que mantém o seu órgão sexual masculino. A ênfase estava no facto de as novas regras ordenarem que a revista seja feita por pessoas do sexo com o qual a pessoa transgénero se identifica. Ou seja: no caso específico, as guardas prisionais teriam de apalpar o sexo de um homem biológico que se sente mulher. Isso é abuso!

Quem defende os direitos das guardas prisionais? Como é que o Estado as obriga a revistar um homem só porque ele decidiu que se sente uma mulher?

Como é que “a geração mais bem preparada de sempre” foi enredada na mentira de que não podemos ser nada que não tenhamos escolhido ou construído?

A ideologia de género é o exemplo mais claro a esse respeito. Em volta dela, surgiu toda uma ideologia política que nega as determinações biológicas do sexo e as diaboliza como “opressão patriarcal, opressora e heteronormativa”.

Urge dizer que a relva é verde. O “género”, e não o sexo, é uma construção cultural, um artifício que tem como objectivo negar a relevância do sexo para a identidade do indivíduo. Assim, a “identidade” ser-lhe-ia dada por um dos 114 géneros que lhes são apresentados na escola ou nas redes sociais, e que ele elegeria, depois de experimentar vários, e não pelo sexo, que há que fazer desaparecer.

Desta forma, nascer homem ou mulher não significa que alguém seja homem ou mulher. O que a ideologia do género afirma por todo o lado é que o meu sexo, como biologia, presente em cada célula do meu corpo, não diz nada acerca da minha identidade, e que é o “género” como conjunto de papéis sociais, expressões culturais e orientações do desejo sexual, que define a minha identidade. E, isso, caro leitor, pertence à área da ficção.

1 https://www.dn.pt/mundo/transgenero-condenada-a-prisao-perpetua-por-violacoes-em-cadeia-feminina-9989891.html

2 https://freebeacon.com/california/californias-female-prisoners-feel-threatened-by-transgender-inmates-the-state-doesnt-care/

3 https://www.dailymail.co.uk/news/article-11750379/Violent-trans-pedophile-raped-three-month-old-moved-female-prison-mother-baby-unit.html

4 https://www.dailymail.co.uk/news/article-11818117/Canadas-trans-male-female-prisoners-killers-sex-criminals-alarming-study-shows.html

5 https://www.dailymail.co.uk/news/article-11750379/Violent-trans-pedophile-raped-three-month-old-moved-female-prison-mother-baby-unit.html

6 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21364939/

7 https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/reclusa-trans-castigada-por-sexo-com-mulher-na-cadeia-de-santa-cruz-do-bispo-no-porto

8 https://www.jn.pt/justica/guardas-de-cadeia-feminina-recusam-se-a-revistar-mulher-transgenero-15258424.html