Nos últimos anos, a ideia de “work-life balance” , de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, ganhou estatuto de mantra. Empresas promovem-no, candidatos exigem-no, líderes elogiam-no. E, em teoria, é difícil contestar: quem não quer mais tempo, mais liberdade, menos stress?

Mas talvez seja hora de fazer uma pergunta desconfortável: até que ponto este culto ao equilíbrio está a tornar-nos menos ambiciosos, menos competitivos — e, no limite, menos relevantes?

A obsessão com o work-life balance tornou-se, em muitos casos, uma forma de evitar pressão, evitar exigência, evitar sacrifício.

Trabalhar mais de 8 horas é visto como abuso. Exigir excelência é confundido com toxicidade. Esperar entrega, compromisso e superação é visto como uma violação do espaço pessoal.

É claro que o burnout é real. E que há ambientes tóxicos que devem ser combatidos. Mas entre o excesso destrutivo e a cultura do mínimo confortável há uma linha fina — e é nela que muitas empresas, equipas e países estão a tropeçar cada vez mais.

O que acontece quando a ambição deixa de ser virtude?

Perde-se a vontade de fazer melhor. Perde-se a urgência de crescer. Perde-se a coragem de arriscar. E quando isto acontece, é o início do fim de qualquer empresa.

As grandes ideias não surgem em horários perfeitos. A excelência não se atinge com exigência mínima. E as pessoas verdadeiramente transformadoras não aparecem em ambientes onde tudo é feito para não incomodar.

Se Portugal — e a Europa — querem competir com os melhores, têm de se perguntar: estão a formar talentos para o conforto ou para a superação?

Equilíbrio é importante. Mas sem ambição, sem exigência, sem algum desconforto produtivo, não se constrói nada de extraordinário.

Porque no final, os países, empresas e pessoas que vencem são os que conseguem fazer mais, pensar maior e ir além — mesmo quando é desconfortável e requer esforço a todas as horas.

O equilíbrio não pode ser o fim em si mesmo. Tem de ser o meio para alcançar mais.