Há uma inquietação subtil que se instalou entre os jovens portugueses, e não é dramatismo, nem falta de mundo. É lucidez. Uma lucidez que incomoda porque nos obriga a olhar para a vida antes de termos tido tempo de a viver plenamente. Aos 17 anos sentimos o peso das expectativas. Aos 23 enfrentamos um país que nos pede experiência, sem nos dar oportunidades. E perto dos 30 descobrimos que a independência, tida como inevitável, afinal exige uma coreografia que o país ainda não tornou possível.

E, no entanto, continuamos a avançar. Não por ingenuidade, mas porque desistir não está no ADN de uma geração que aprendeu a erguer-se mesmo quando o contexto não ajuda.

Durante muito tempo acreditou-se que estudar era o caminho certo. Que o mérito abria portas, que o esforço seria suficiente. E foi, durante algum tempo. Mas o contexto mudou. O país mudou. Hoje, o esforço individual já não chega. Somos a geração mais qualificada de sempre, mas 850 mil jovens decidem procurar soluções de vida fora do nosso jardim à beira-mar plantado.

É nesse caminho, feito de avanços e recuos, que os obstáculos se revelam. O primeiro surge logo na educação. Não pela falta de talento, mas pela falta de ligação entre o que se aprende e o que o mercado realmente precisa. O Eurograduate Pilot Survey 2022 mostra que cerca de 40% dos recém-diplomados têm qualificações acima das exigidas para os empregos que ocupam. É um desperdício de capacidade que frustra trajetórias e atrasa o próprio crescimento do país. Esta desadequação torna-se ainda mais evidente num contexto em que a inteligência artificial redefine profissões, acelera a transformação de competências e exige uma preparação que muitos jovens só descobrem quando já estão na vida ativa.

Depois, a realidade concreta impõe-se. A escassez de quartos e o aumento dos preços fazem da habitação o obstáculo mais imediato para estudar, trabalhar ou simplesmente começar uma vida.

Junta-se a isto tudo o desequilíbrio territorial, onde há zonas do país que perdem jovens todos os anos, e preocupações que talvez nunca tenham surgido com tanta veemência, como o papel de Portugal na Europa e no plano internacional.

Nem tudo está bem, é certo. Mas também já não está tudo por fazer. Este Governo assumiu como prioridade garantir que os filhos de Portugal encontram futuro no seu país de berço. Deu o primeiro passo no último Orçamento do Estado e volta a fazê-lo neste.

Mantém o IRS Jovem, que alivia a carga fiscal de quem começa a trabalhar. Reforçam-se os apoios à habitação, com a isenção do IMT, do Imposto do Selo e a garantia pública na compra da primeira habitação. Na educação, há investimento na modernização do ensino profissional, na criação de novos centros tecnológicos e na construção de residências académicas. Aposta-se na promoção da saúde nas escolas. No emprego, reforçam-se os estágios profissionais financiados e o Incentivo fiscal à investigação científica e inovação, facilitando-se o acesso dos jovens agricultores ao crédito.

Mas não é tudo. Na igualdade de género, no desporto e na cultura verifica-se um reforço de medidas que ampliam oportunidades, participação e acesso.

Estas medidas não apagam, por si só, os desafios que permanecem, mas mostram que há uma inversão de prioridades e um compromisso que começa a traduzir-se em respostas concretas para quem estuda, para quem trabalha, para quem procura casa e para quem quer construir futuro em Portugal.

E é a partir deste ponto que o que aí vem ganha sentido, alimentado por uma geração que transformou a inquietação subtil na força de quem quer ficar e mudar. Sem medos.