Janeiro é aquela altura do ano em que o país inteiro faz reset. O ginásio enche, a dieta começa “a sério” e o trabalho passa a ser feito com uma disciplina quase heroica. É o momento ritual de virar a página e acreditar que, agora sim, tudo vai ser diferente. E durante alguns dias, somos todos versões melhoradas de nós próprios. Depois chega fevereiro e a realidade faz-nos lembrar uma coisa básica. O calendário só muda o número do dia. O que muda o nosso rumo são as escolhas que sobrevivem quando o entusiasmo inicial acaba e a rotina volta a bater à porta.
Com a democracia acontece exatamente o mesmo. Também ela vive de ciclos de esperança, de vontades de mudança e de promessas de recomeço. Mas não se renova com impulsos, nem com gestos fáceis. Renova-se com decisões conscientes.
Entre os mais novos, há uma vontade clara de mudança. Não queremos mais do mesmo. Queremos diferente. Queremos ser ouvidos, respeitados e levados a sério. Mas as perguntas que raramente se fazem são estas: quão diferente pode ser um Presidente da República sem colocar em risco a estabilidade democrática? Até onde pode ir a irreverência sem abrir espaço aos extremos?
A resposta a estas perguntas é decisiva numa eleição presidencial. A Presidência da República não é um laboratório de experiências. É uma âncora institucional. Quem ocupa Belém não governa, mas influencia e garante equilíbrios. Num tempo de polarização e desgaste do regime democrático, essa função ganha ainda mais peso.
A campanha para as presidenciais já começou e o cenário é inédito. Há candidatos como nunca houve. Tem-se pretendido transformar esta eleição num barómetro de popularidade partidária ou até num ajuste de contas e o resultado está à vista. Um campo político fragmentado, um debate mais ruidoso do que profundo e um voto disperso como raramente se viu numa eleição que, por natureza, deveria unir mais do que dividir.
Luís Marques Mendes surge, assim, como um ponto de convergência num cenário fragmentado. Não representa a negação da mudança, mas uma mudança responsável. Alguém que agrega, modera e garante que a Presidência da República continua a ser um fator de estabilidade, e não mais um elemento de incerteza num sistema já pressionado.
Não é por acaso que tantas pessoas afirmam que votariam nele numa segunda volta. Essa perceção transversal diz muito. Revela o reconhecimento de que, num momento exigente para a democracia, é nele que muitos veem a capacidade de representar o país, defender as instituições e garantir estabilidade. O problema é simples e político. A democracia não se constrói com intenções adiadas. Para haver segunda volta, é preciso lá chegar. E num cenário tão fragmentado como o atual, isso exige responsabilidade logo na primeira escolha.
É aqui que a responsabilidade dos mais jovens se torna decisiva. Uma geração que quer ser levada a sério não pode tratar a escolha presidencial como um gesto para reagir ao momento, ao vídeo mais visto ou à tendência do dia. A política não se decide por likes nem se corrige com o próximo algoritmo. Renova-se quando passa do gesto fácil à decisão concreta. Colocar um jovem no Conselho de Estado não resolve todos os problemas geracionais. Mas muda uma coisa fundamental. A participação deixa de ser decorativa e simbólica. Passa a ser institucionalmente efetiva. Num sistema político tantas vezes fechado sobre si próprio, isso não é pouco. Nem ridículo!
Janeiro simboliza o recomeço porque sempre foi o tempo das passagens. Por isso os romanos associavam este mês a Jano, o deus dos inícios e dos fins. Que no dia 18 todos tenhamos a capacidade de, tal como Jano, olhar para a frente e para trás. Aprender com os erros e com as ameaças do passado para escolher de forma consciente o futuro que fortalece a nossa democracia.