Dizem que aos 18 recebemos a chave da liberdade. O problema é que, em Portugal, essa chave raramente abre uma porta.
Um estudo recente voltou a confirmar o que já sabíamos: os jovens portugueses continuam a sair de casa dos pais, em média, aos 29 anos. O mais preocupante? Esse número está praticamente estagnado desde 2005.
Aos 29 muitos jovens continuam na casa onde cresceram. E os que saem, muitas vezes, não conquistam a tão aclamada independência. Vivem em casas partilhadas, com rendas muito difíceis e a sensação de que tudo é temporário. Para demasiados jovens a “emancipação” ainda não é uma etapa natural da vida.
A nossa população está a envelhecer e os jovens que deveriam estar a trabalhar e a formar família continuam sem condições para dar esse passo.
No debate do Estado da Nação, PS e Chega resolveram brincar à política. O líder do Chega chamou “frouxo” ao líder do PS. O líder do PS respondeu chamando “fanfarrão” ao líder do Chega. Foi este o nível. E, no meio do espetáculo, lá apareceu a juventude, usada como arma de arremesso por quem nunca apresentou soluções credíveis.
O PS teve tempo, meios e maioria para agir e falhou. Sempre. Deixou-nos salários baixos, contratos precários e uma geração inteira a viver em suspenso, entre a casa dos pais e o aeroporto para sair do país.
Do outro lado, há quem se especialize em fazer barulho. A juventude serve-lhes para acender polémicas, para gerar cliques e indignações calculadas. Apontam o dedo ao sistema, mas fogem sempre do trabalho que dá construir um futuro com sentido.
Entre o frouxo e o fanfarrão, a AD tem estado no meio. A trabalhar, a governar, a apresentar medidas com impacto real.
No debate do Estado da Nação, o Primeiro-Ministro deixou-nos uma mensagem clara: Portugal está a recuperar a sua própria autonomia. A estabilidade financeira foi restaurada, os investimentos aumentaram, o rendimento real cresceu como não se via há 16 anos e prepara-se uma redução geral da carga fiscal. É, sem dúvida, um novo ciclo.
E, por isso, este é o momento certo para devolver também liberdade real aos jovens.
Foram já lançadas medidas com impacto direto na vida dos jovens: isenção de IMT e Imposto de Selo na compra da primeira habitação, uma garantia pública para quem tem até 35 anos e procura crédito, reforço do arrendamento acessível, o alargamento e simplificação do IRS Jovem e uma clara aposta na devolução do rendimento às famílias.
Ainda não basta e ninguém o esconde. Mas, pela primeira vez em muito tempo há um plano. Uma direção. Um compromisso.
Por isso mesmo a chave da liberdade não pode continuar a ser só simbólica. Porque a verdadeira autonomia começa aí. Na capacidade de fechar a porta da infância e abrir, com dignidade, a primeira porta da vida adulta. E isso implica ter condições. Ter escolha.
Portugal é hoje um país com mais força. Cabe-nos garantir que essa força se transforma em oportunidades, que abre portas em vez de as fechar.