Se tivesse de aconselhar um jovem que estivesse agora a iniciar a sua jornada como líder de uma associação de voluntariado, provavelmente dir-lhe-ia que iria enfrentar as mesmas dificuldades que existiam há 15 anos e que ainda hoje, infelizmente, se fazem notar. A falta de ferramentas, recursos e apoios é um dos grandes problemas que qualquer gestor de uma organização sem fins lucrativos terá de lidar.

A nível económico, há uma dependência de doações, patrocínios e fundos externos. Alguns aspetos podem contribuir para um fluxo mais elevado dos mesmos, nomeadamente a transparência e a promoção de atividades e projetos, e a disseminação dos resultados e o impacto destes – algo que comprova a eficácia da associação e pode levar a que mais pessoas queiram contribuir.

É também necessário que a associação cumpra determinadas exigências legais, consiga manter um fluxo financeiro estável e constante, criar parcerias com outras organizações, empresas ou entidades políticas. Por vezes, as instituições sem fins lucrativos não são uma prioridade no apoio governamental, o que leva também à concorrência a fundos limitados. Neste sentido, é importante que o gestor tente expandir a visibilidade da associação, o que pode cativar mais doadores e voluntários, e contribuir para que outras organizações e empresas queiram colaborar ou apoiar a associação.

Gerir uma associação requer muito espírito de sacrifício, dado o quão difícil é, e a quantidade de tempo que ocupa. É um trabalho muitas vezes “sem horário” e no qual frequentemente falta algum equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

Porém, é o facto deste trabalho se tornar pessoal que o torna tão especial. Quando paro para refletir sobre o trabalho que realizei na Omnis Factum, associação que dirijo há 15 anos, é impossível não dar conta do impacto que esta associação teve em mim. Pensamos que estamos a tocar no coração das pessoas, mas, na verdade, são elas que acabam por tocar no nosso.

O companheirismo, a empatia e a compaixão são características que devem estar enraizadas no gestor, na equipa e, naturalmente, nos valores da entidade – princípios estes que hoje em dia são difíceis de encontrar na nossa sociedade. O líder deve valorizar todos aqueles que trabalham consigo e contribuem para a evolução da associação, seja financeiramente ou com o seu tempo. Este caminho exige muito altruísmo, iniciativa e esforço por parte de todos os envolvidos, conduzindo à criação de várias amizades e até mesmo um sentido de família.

Apesar do quão exigente esta função é, a gratificação que nos proporciona é imensurável e sobrepõe-se a qualquer obstáculo que surja. Aconselho a todos os sonhadores que, tal como eu ambicionam um dia em fazer a diferença, a participar da forma que puderem na mudança da sociedade e, se isso passar pela criação de uma associação sem fins lucrativos, ter sempre em conta todos os desafios associados à sua gestão, pois é um caminho lento e longo, que demora a dar frutos. É como numa pista de obstáculos, na qual temos de superar muitos entraves que nos são colocados, porém no final saímos sempre vencedores, pois é uma honra partilhar a pista com tantos atletas que correm pelo mesmo objetivo: construir um futuro melhor.