Neste Fevereiro de 2025 onde o Mundo vai balançando atónito (embora não o devesse, mas a barragem “informativa” impede muito pensamento…) entre o que era ontem na Ucrânia (invencível, apoio do Ocidente, baluarte da liberdade…) e hoje em que secamente se diz que tem de ceder o que já está ocupado pelo urso seu vizinho, chorando os media e os dirigentes europeus lágrimas de crocodilo, sobre a derrota da Ucrânia.
E no entanto acho que Zelensky e o seu País venceram.
Aguentaram muito improvávelmente o choque de um País muito mais poderoso e com uma população que fará várias vezes a sua. Fizeram indiscutívelmente a Rússia pensar que, se é assim com um vizinho relativamente modesto, o que seria a agressão com outros mais ricos e com outros meios.
Zelensky mostrou que a Ucrânia existe para lá de um reconhecimento formal e que, amputada ou não, foi capaz de ganhar a sua “guerra da independência”, sem tal ser a concessão do seu primo gigante.
Depois o que a Rússia ganha, sejamos justos, é terra que, para todos os efeitos era parcial ou muito russófila, pois nesta história de fronteiras a Leste existe uma tendência para a plasticidade.
Berra-se muito que “é o Trump”. Em parte é. Mas não completamente. De que é que a América hoje tem medo? Da China sem dúvida que tem provado ser imparável. O que Trump está a fazer – malcriadamente, sem elegância ou subtileza – é o reverso da política de Nixon/Kissinger que se aproximaram da China para entalar a União Soviética. Agora é o inverso: puxando o País de Putin para o seu lado, e sabendo que o que a América lhe pode dar é talvez mais que a China, por feitio e meios, lhe dará, vai quebrar a aliança contra-natura que se tem esboçado sem resultados palpáveis que se saiba para Rússia.
Para a Europa, onde se vê que as Nações contam como sempre contaram, seria altura de se deixar de devaneios regulamentares e voltar a estudar um pouco História e perceber que esta ideia de homens e mundos novos, construídos à maneira do pensar, é coisa que o comunismo já mostrou que não existe. Moldar a Europa à volta de um ideal é tão errado como pretender que o proletariado vai ser a vanguarda da Humanidade.
Imaginemos que Portugal e Espanha eram a União Europeia. Queriam que a Espanha mandasse em nós? Acham que haveria alguma equidade nas relações se não fôssemos duas Nações independentes?
A Ordem Internacional, teoricamente liderada pela ONU, está no fim na forma actual. A personagem sofrida de Guterres em lamúria constante é apenas a imagem patente disso mesmo.
Para o bem e para o mal o que se está a desenhar, brutalmente e sem rodriguinhos, no Mundo é a velha máxima de que os Países não têm amigos, têm interesses.
É bom que nos habituemos.