Enfermeiros

Abriu a época de caça ao enfermeiro

Autor
  • João Paulo Carvalho
4.493

As redes sociais vieram exponenciar o modus operandi, na era em que todos têm direito a ter opinião, exércitos de perfis falsos destilam veneno a soldo. Importa que se saiba que o ardil é inteligente

A época venatória para as espécies cinegéticas tem início em Agosto e pode estender-se até Fevereiro. A caça grossa, a dos votos, decorre impreterivelmente no semestre anterior às eleições.

Era notícia há dias que em Portugal, desde o início do ano, houve 112 pré-avisos de greve. O governo, especialista em spinning, conseguiu apresentar aos portugueses apenas uma, a injusta greve dos enfermeiros. O empolamento da crise com os enfermeiros desviou os portugueses do verdadeiro responsável e tentou que a população visse aqueles que os acompanham desde que nascem até que morrem como gente sem coração.

112 é um número simbólico, é o número da emergência médica, mas nem isso impediu o executivo de ser o tipo que vai em contramão na autoestrada a barafustar com todos os que vêm em sentido contrário ao seu. O país está em emergência e os culpados não podem ser os profissionais todos.

António Costa não inovou. Os governos dos últimos anos têm sido pródigos em delírios de actuação.

A malfadada propaganda foi substituída pela refinada comunicação política e, hoje em dia, ninguém ouve o que não gosta. As redes sociais vieram exponenciar o modus operandi, na era em que todos têm direito a ter opinião, exércitos de perfis falsos destilam veneno a soldo. Importa que se saiba que o ardil é inteligente e está bem montado. A sociologia explica que o Homem, quando inserido numa massa humana, perde as suas características únicas, tornando-se em mais um animal do rebanho.

Havia estratégias mais simples e honestas, uma delas era desmontar a narrativa do País das Maravilhas e assumir aos portugueses que, faltando o dinheiro, sobrava a vontade política. Não foi a decisão de António Costa. O primeiro-ministro optou pela vitimização e mostrar que, no seu plantel, além do Ronaldo nas finanças, tem o Paulinho Santos na Saúde. Neste ministério, ou passa o jogador ou passa a bola.

Há partidos que já perceberam que há 70.000 enfermeiros e que cada um há de ter pelo menos dois familiares próximos.

Catarina Martins, a coordenadora do Bloco de Esquerda, veio assumir que “é uma falsa questão dizer que não há dinheiro para contabilizar o tempo de serviço dos trabalhadores”, logo depois, André Ventura afirma que “não há 23 milhões para os enfermeiros, mas há 83 milhões para o Parlamento”.

Da parte dos enfermeiros, aquilo com que os partidos podem contar é, sobretudo, com memória.

Presidente do Conselho Directivo Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Finanças Públicas

Como evitar um 4º resgate? /premium

Paulo Trigo Pereira

Portugal necessita de mais doze anos (três legislaturas completas) de crescimento económico e de finanças públicas quase equilibradas para sair da zona de risco financeiro em que ainda se encontra.

Brexit

Boris Johnson /premium

João Marques de Almeida

Em Londres, só um louco ou um suicida é que defenderiam o acordo assinado com a União Europeia. Resta saber se os líderes europeus terão a lucidez de reconhecer o evidente: o acordo que existe morreu.

Ambiente

A onda verde na UE e os nacionalismos

Inês Pina

Se hoje reduzíssemos as emissões de CO2 a zero já não impedíamos a subida de dois graus centígrados. E estes “míseros” dois graus vão conduzir ao fim das calotas polares e à subida do nível do mar.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)