O ensino em casa realiza-se fazendo a inscrição do educando numa escola pública, com referência à escolha da modalidade de “ensino doméstico” e sendo os alunos avaliados através de provas de equivalência à frequência / exames nacionais, no agrupamento de escolas em que estão inscritos.

Esta modalidade de ensino aposta na liberdade do aluno (sem deixar de cumprir as chamadas “Aprendizagens Essenciais” propostas a todos os alunos das escolas), no prazer de aprender e no ensino personalizado. Como consequência, as crianças e jovens manifestam uma grande pré-disposição e motivação para conhecer, pesquisar e aprender, tornando-se muito autossuficientes e seguros e revelando um grande desenvolvimento da aprendizagem nas mais diversas áreas. Apesar de este ser o padrão, haverá com certeza, como em tudo e em todos os tipos de ensino, exceções.

Em Portugal, o Professor Doutor Álvaro Ribeiro, do Instituto de Educação da Universidade do Minho, fez a sua tese de doutoramento sobre o tema “O Ensino Doméstico em Portugal”. Além de verificar o grande crescimento recente da opção dos pais por esta modalidade de ensino, concluiu que «os motivos apresentados pelos pais prendem-se com o facto de estes desejarem acompanhar adequadamente o desenvolvimento dos seus filhos, aumentar a qualidade da vida familiar e “promover um conceito diferente” do que é ser criança. (…) O investigador, que acompanha alunos do ensino doméstico há mais de 5 anos, desconhece exemplos de insucesso: “As notas de Português e Matemática costumam ser superiores às médias nacionais”, defende» (Catarina Dias, em Jornal Online da Universidade do Minho, 28/11/2014). De notar que, aquando deste estudo, havia cerca de 350 alunos em “ensino em casa” e esta investigação envolveu 100 famílias.

Nos E.U.A. e no Canadá, foram realizados vários estudos. Um deles, aliás, muito interessante, é aquele que tem como objeto adultos que foram educados em “ensino em casa”. O Doutor Bryan D. Ray, doutorado em Ciências da Educação, conduziu uma investigação, em 2003, com um universo de 7.300 adultos educados em “homeschooling”. Destes, mais de 5.000 praticaram “ensino em casa” durante pelo menos 7 anos. Os resultados são muito interessantes e significativos:

«Adultos que fizeram “escola em casa” são ativos e envolvem-se na sua comunidade. 71% participam em atividades de serviço comunitário, em comparação com 37% de participação em adultos americanos de idades similares. (…) Só 4,2% dos que fizeram “escola em casa”, no universo deste estudo, consideram a política e a governação demasiado complicadas para serem compreendidas, comparado com 35% nos adultos dos E.U.A.. Isto pode explicar a razão por que os que foram alunos em “homeschooling” trabalham para candidatos, contribuem para campanhas e votam em muito maiores percentagens do que a generalidade da população dos E.U.A..» Estes estudos acabam com o mito da falta de socialização no “ensino em casa”.

Os estudos do Doutor Bryan Ray mostram ainda que as pessoas que praticaram “ensino em casa” têm, na idade adulta, uma satisfação e felicidade na vida superiores à generalidade dos adultos dos E.U.A.. Por exemplo, no universo estudado de adultos provenientes de “homeschooling”, 58,9% disseram ser “muito felizes”, 39,1% ser “bastante felizes” e apenas 2% disseram ser “não muito felizes”. Já no universo representativo da população dos E.U.A. em geral, só 27,6% disseram ser “muito felizes”, 63% ser “bastante felizes”, mas a percentagem dos que se sentem “não muito felizes” é comparativamente mais elevada, 9,4%.

Para além dos resultados académicos mostrarem ser superiores nos alunos em “ensino em casa” (estudo feito pelo mesmo Doutor Bryan Ray, em 2008, com 11.739 participantes que estudaram em “homeschooling”), os alunos que frequentaram esta modalidade de ensino disseram estar contentes com o tipo de ensino que tiveram (95%) e a maior parte (82%) disseram que desejavam fazer “ensino em casa” aos seus próprios filhos.

Muito semelhantes foram os resultados de um estudo conduzido no Canadá, em 2009, pelo “Canadian Centre for Home Education”, sobre a primeira geração de adultos que fizeram “homeschooling” nesse país: «Os adultos que fizeram “ensino em casa” neste estudo mostraram-se muito positivos acerca de terem sido ensinados nesta modalidade, mostraram estar ativamente envolvidos nas suas comunidades locais e altamente envolvidos civicamente, estarem ao corrente do que vai acontecer e serem tolerantes no aceitar os pontos de vista das outras pessoas».

É natural que as pessoas tenham dúvidas acerca de um tipo de ensino que não conhecem. Em relação ao “ensino em casa”, os estudos e os casos que conheço apontam para uma adição “desempenho académico + ação cívica + felicidade” muito boa e interessante.

E que queremos nós, e devem querer os nossos governantes, senão apoiar modalidades de ensino eficientes e que tornam as nossas crianças felizes?… Sobretudo, quando nessas modalidades o desempenho académico e cívico é também feliz!…

Licenciada em Engenharia Agronómica pelo Instituto Superior de Agronomia de Lisboa (pré-Bolonha)