Cheguei à casa da família israelita que me iria acolher e mostraram-me o meu quarto. “É o quarto fortificado, tens de puxar a porta com força” explicaram-me. Em Israel todas as casas têm de ter um quarto com paredes reforçadas para servir de abrigo anti-míssil. Eu só saberia mais tarde mas, naquele momento, estavam a cair 2 mísseis palestinianos em Telavive. Um no mar e outro numa clareira, pelo que não houve vítimas. 11 dias depois, esta semana, de madrugada, outro míssil destruiu uma casa a norte de Telavive, deixando 7 pessoas feridas. Se não tivessem conseguido chegar ao abrigo a tempo teriam morrido, como de facto morreram 2 dos seus cães.

Estas chuvas de mísseis são o preço que os israelitas pagam por terem decidido assumir riscos em busca da paz e terem desocupado totalmente a Faixa de Gaza em 2005. Desde então mais de 15.000 rockets foram disparados desde Gaza contra localidades israelitas.

Na Cisjordânia o cenário não é muito melhor: quando os israelitas assinaram os Acordos de Oslo e se retiraram das zonas A e B da Cisjordânia na busca da paz, foram premiados com uma onda de ataques terroristas palestinianos com origem precisamente nos territórios que haviam desocupado. Durante anos, todas as semanas, às vezes várias vezes no mesmo dia, terroristas palestinianos provenientes da Cisjordânia faziam-se explodir em cafés, autocarros, universidades, pizzarias, hotéis. A desocupação de partes da Cisjordânia que iria trazer paz trouxe a Israel os seus anos de maior mortandade, com mais de 1000 civis mortos, estancando apenas com a colocação de checkpoints e a construção de uma barreira física entre as zonas de controlo palestiniano e israelita.

É neste cenário que assistimos agora a alguns artistas e movimentos portugueses a apelarem ao boicote à Eurovisão em Israel, exigindo o fim da “ocupação”, quando a realidade já por demais demonstrou que ceder territórios a terroristas só traz mais morte, que só o suicídio completo de Israel os poderia deixar satisfeitos. São os ativistas do costume, que se lembram dos palestinianos 2 vezes por ano quando lhes serve para culpar Israel e para servir a sua agenda política privada. Nunca o fazem em solidariedade com os palestinianos de Gaza reprimidos pelo Hamas, como os que têm protestado corajosamente nos últimos dias, sendo espancados, alvejados, torturados e mortos por uma organização terrorista que dita os seus destinos desde 2007. Nunca em solidariedade com os jornalistas detidos pela Fatah na Cisjordânia ou com as crianças que crescem radicalizadas numa sociedade em que mesquitas, governo, redes sociais e até livros escolares as doutrinam para odiar e assassinar judeus, em que terroristas que assassinam orgulhosamente crianças são glorificados e recompensados pelo governo com salários milionários tanto mais generosos quanto mais macabro for o crime.

A ocupação que tem de terminar é a de Gaza e da Cisjordânia por máfias terroristas que doutrinam para o ódio e que aniquilam qualquer possibilidade de democracia, imprensa forte e liberdade de expressão. É a ocupação das mentes com ideologias de ódio, de extremismo religioso, sexismo, homofobia e racismo.

Os israelitas estão prontos — sempre estiveram — para falar de paz e liberdade assim que os palestinianos e os seus líderes estiverem dispostos a baixar as armas. Entretanto, com chuvas de rockets ou sem elas, continuarão a viver e a celebrar como uma das sociedades mais tolerantes, livres e felizes do mundo. Organizarão um Festival da Eurovisão cheio de cor e alegria. E, se tudo correr bem, Conan Osíris voltará a trazer o troféu para Portugal.

Aos que apelam ao boicote a Israel, sugiro que apoiem as iniciativas e organizações que todos os dias trabalham pela coexistência, que juntam israelitas e palestinianos nas construção conjunta de um futuro melhor.

Apelo-lhes que façam realmente algo pela paz e, por favor, #DeixemOConanEmPaz.