Senhores representantes dos partidos políticos,
Vivemos um momento crítico em Portugal, que exige mais do que nunca sensatez, compromisso e, acima de tudo, estabilidade.
Infelizmente, em vez de nos focarmos na resolução dos problemas reais do país, assistimos a mais uma crise política que resulta de manobras partidárias que só aumentam a incerteza no futuro dos portugueses.
As Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) foram concebidas para investigar e esclarecer. No entanto, nos últimos tempos, têm sido usadas como um palco para ataques políticos. Em vez de servir à transparência, muitas vezes são transformadas em espetáculos, com o único objetivo de desgastar adversários. Recentemente, o uso de uma CPI para prejudicar politicamente o primeiro-ministro, numa tentativa de manipular a opinião pública, é um exemplo claro de como as instituições estão a ser desvirtuadas.
Os intervenientes políticos recorrem à comunicação social, não para informar os cidadãos com verdade e responsabilidade, mas para obter proveitos através da força que os jornais têm na esfera pública.
Hoje, a queda de um governo já não depende apenas das ações internas ou da vontade popular expressa nas urnas. A forma como as narrativas são moldadas e a maneira como as crises são amplificadas através dos media têm um impacto direto nas decisões políticas. A política, neste contexto, deixa de ser uma questão de ideais e começa a ser jogada como um espetáculo mediático.
Estamos a viver num país onde se observa uma espécie de “força política invisível”, que tem o poder de derrubar governos, quer de esquerda, quer de direita.
A verdadeira política foi ofuscada pelo imediatismo das manchetes, onde a procura por escândalos e drama muitas vezes substitui o debate de ideias e a procura de soluções. A verdade, em muitos casos, é secundária quando o que está em jogo é a construção de uma narrativa que mais serve aos interesses de alguns do que aos reais problemas do país.
Pergunto a todos os envolvidos: é este o tipo de democracia que queremos?
Um parlamento onde se debate mais o desgaste do adversário do que a construção do futuro do país?
Um espaço público que, ao invés de promover uma informação e um debate rigorosos, se assume como um campo de disputa política?
A política não pode ser um jogo de manobras que coloca em risco a estabilidade do país. Não podemos continuar a ver a confiança dos cidadãos ser minada por interesses pessoais, por agendas partidárias ou por pressões externas.
Portugal precisa de líderes com visão, coragem e responsabilidade. O país não precisa de políticos que apenas saibam jogar com crises; precisa de estadistas que coloquem a pátria e o bem-estar dos cidadãos acima de tudo.
Por isso, deixo um apelo: que todos olhem para o país que dizem representar e se questionem sobre o legado que querem deixar. Os portugueses não merecem ser reféns de jogos de poder ou de manipulações mediáticas; merecem políticos à altura das suas expectativas e das suas necessidades.
Portugal merece mais do que este ciclo de instabilidade.
Com desagrado e profunda preocupação,
Frederico Abecassis