O objetivo da Educação é preparar os alunos para serem bem-sucedidos na vida. Cresci, estudei e formei-me a ouvir esta frase. Mas o que significa uma vida bem-sucedida? Estaremos, efetivamente, a preparar alunos para a vida? Como se desenvolve esse trabalho? E, mais concretamente, em que medida estará a Educação a preparar os alunos para os desafios e necessidades do século XXI?

A melhor forma de, porventura, definir “uma vida bem-sucedida” será entender o seu significado como algo idiossincrático, respeitando a multiplicidade de formas diferentes de pensar sobre a mesma. Há, contudo, um entendimento geral de que uma vida bem-sucedida subentende a realização de um indivíduo em várias dimensões, nomeadamente na sua vida pessoal e na sua vida académica e/ou profissional. No entanto, ser-se bem-sucedido no século XXI está a tornar-se cada vez mais desafiante. O contexto global de grande competitividade e a transformação decorrente do ritmo acelerado dos progressos tecnológicos são apenas dois fatores, entre outros, que contribuem de forma importante para um mercado de trabalho cada vez mais incerto, volátil e complexo. Estas circunstâncias trazem novos desafios para a Educação, na medida em que os alunos deverão estar adequadamente preparados para lidar eficazmente com esta realidade.

É para mim preocupante observar que uma parte significativa das abordagens utilizadas na Educação se centra quase exclusivamente na transmissão de conteúdos com o objetivo final da preparação para provas de avaliação. As notas, obtidas em testes ou exames, continuam a ser a principal (e praticamente única) medida de performance de um aluno. Este sistema pode acompanhá-lo desde o 1º ciclo até ao final do seu percurso universitário. É uma realidade absolutamente incoerente, uma vez que, após a entrada no mercado de trabalho, são sobretudo as competências e a capacidade de aplicação prática do conhecimento adquirido que serão decisivos ao longo do seu percurso de vida. Não deveríamos então privilegiar o desenvolvimento de competências? E se a partir do desenvolvimento dessas competências criássemos oportunidades para que os alunos se envolvessem na construção de projetos práticos com valor e impacto real?

Estamos, na minha perspetiva, muito longe do que é possível fazer para preparar os alunos para a vida. Os alunos não se reduzem somente à sua dimensão académica, existindo de forma holística enquanto Pessoas. Devemos, por isso, centrarmo-nos no desenvolvimento de competências transversais, que possam ter real impacto quer na sua vida académica e futuramente profissional, mas também na sua vida pessoal. Estas são também dimensões que se encontram interligadas, e por isso falo em competências transversais, afastando-me da denominação comercial de “soft skills”, que nada têm de “soft” mas que em tudo são essenciais.

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