Os pais esforçam-se demais para proteger as crianças. E esse modo de alerta, mais ou menos permanente, em vez de as tornar mais fortes, parece encaminhá-las para a necessidade de estarem sempre sob a advertência de que tudo o que se afaste daquilo que os pais não controlam as faz inseguras e se torne perigoso. E isso é não é bem assim! De tão almofadado que queremos que seja o seu crescimento, as crianças tornam-se assustadas diante de tudo o que não conhecem. O que é meio-caminho andado para que sejam mais frágeis.

Proteger uma criança é nunca a proteger demais! E é aqui que muitos pais acabam por estar enganados: ela não pode errar, não pode cair, não pode estar ansiosa, não pode ter medo, não pode ser contrariada e não pode estar triste, porquê?… De tantas comportas que introduzimos no seu desenvolvimento, estamos a criar crianças “alérgicas” a crescer. É claro que ninguém pretende que elas sofram. Mas protegê-las, continuadamente, cria uma espécie de imunodeficiência adquirida à frustração, ao insucesso e à dor. Quanto mais as protegemos e as blindamos dos perigos mais “alergias” elas têm em relação ao crescimento.

Porque é que protegemos, hoje, os nossos filhos da forma exagerada? Porque os nossos pais eram distraídos, ineptos ou negligentes? Nada disso. Fazemo-lo porque alimentamos a ideia que os nossos filhos não crescem sem os protegermos, continuamente, dos perigos que nós corremos. Só que a forma como calcularmos os riscos do seu crescimento tem mais a ver com aqueles a que fomos expostos do que ao risco da imprevisíbilidade, sempre que eles lidam com tudo o que nunca viveram. A resiliência faz-se da exposição ao risco. Nunca do modo como os protegemos dele. Logo, protegê-los dos perigos do nosso passado é expô-las a mais perigos no seu futuro.

Um crescimento dominado pelo controlo do perigo cria um mundo que, por mais que reclame a inclusão, segrega e exclui. E, mesmo que acarinhe a felicidade e o optimismo, incentiva o medo e a desconfiança. Infantilizarmos os nossos filhos é imaginarmos que sem riscos eles crescem melhor.

Indo por aí, trabalhamos para que eles serem mais frágeis. Imaginando que têm de ser os melhores do mundo para vencer  medos sempre maiores.