Num mundo cada vez mais dominado pelo conhecimento especializado, o papel dos professores e formadores é mais importante do que nunca. No entanto, uma questão central no ensino tem sido muitas vezes esquecida: não se pode ensinar verdadeiramente uma disciplina ou uma ciência sem se ter um conhecimento profundo e seguro da matéria. Parece uma afirmação óbvia, mas na prática este princípio nem sempre é respeitado, tanto que em muitos contextos educativos deparamo-nos com professores e formadores que, apesar de terem uma noção geral da matéria que lecionam, carecem de uma compreensão profunda dos temas que estão a transmitir. O que resulta disto é um ensino superficial, baseado na memorização de factos e fórmulas, em vez de uma verdadeira compreensão dos conceitos; adicionalmente, os alunos acabam por não ser desafiados a pensar criticamente ou a explorar o conhecimento de forma autónoma.
Ensinar uma disciplina não se resume a transmitir informações. Envolve a capacidade de descomplicar o complexo, de encontrar novas formas de explicar o que parece ininteligível, e de motivar os alunos a questionar e a ir além do que lhes é apresentado. Ora, isto só é possível quando o professor domina a matéria em profundidade, quando sabe não apenas o quê, mas também o porquê e o como dos conteúdos que ensina. O perigo de uma educação baseada em professores mal preparados ou sem um conhecimento seguro é evidente: um ciclo de superficialidade onde os alunos aprendem de forma limitada e, eventualmente, tornam-se profissionais ou professores que também não dominam totalmente o que deveriam saber. A ciência, o pensamento crítico e a capacidade de inovação sofrem com isto porque, na base de qualquer avanço significativo, tem de estar uma formação sólida.
É preciso, assim, garantir que os professores têm uma formação adequada e contínua, não sendo suficiente um diploma ou um curso de curta duração para qualificar alguém como especialista numa determinada área. O conhecimento evolui e quem ensina tem que evoluir com ele, pelo que programas de formação contínua, incentivos à investigação e ao desenvolvimento profissional e a criação de ambientes de troca de ideias entre docentes são essenciais para garantir que os profissionais da educação estão sempre atualidades e devidamente preparados. É assim porque, considerando que a educação é um dos pilares fundamentais de qualquer sociedade e a necessidade de formar cidadãos críticos, inovadores e capazes de enfrentar os desafios de um mundo em constante mudança, é preciso que os professores saibam verdadeiramente do que falam. A superficialidade no ensino não é apenas uma falha do sistema educativo: é, fundamentalmente, uma falha para com as gerações futuras. E, como tal, deve ser encarada com a seriedade que lhe é devida.