A reciclagem não só é importante para cumprir as metas europeias e para alcançar uma economia circular e de baixo carbono, como também para colmatar o grave défice de madeira de pinheiro-bravo em Portugal. Em 2024 esse défice representou 48% do consumo anual de madeira de pinho. Para sobreviver, as empresas, entre outras estratégias, importam madeira e aumentam o uso de materiais reciclados, nomeadamente papel e resíduos de madeira.

Em 2024, as indústrias da Fileira do Pinho evitaram a deposição em aterro ou a queima de 332 mil toneladas de resíduos de madeira e de 259 mil toneladas de papel e cartão, um aumento respetivamente de 6% e 34% em relação ao ano anterior.

A reciclagem de madeira é a que apresenta mais desafios. Em 2024, com os resíduos de madeira reciclados foram produzidos 720 mil m3 de painéis de madeira que agora podem regressar às nossas casas sob a forma de uma nova mobília ou um moderno conjunto de cozinha. É possível (e necessário) fazer muito mais.

O nosso país está longe de cumprir as metas de reciclagem de madeira e as indústrias nacionais enfrentam dificuldades para obter quantidades suficientes destes valiosos resíduos.  Com a floresta de pinho em regressão, várias mudanças são necessárias: algumas exigem ação política e novo enquadramento legal, outras estão ao alcance de qualquer pessoa.

O Dia Internacional da Reciclagem assinala-se a 17 de maio e estas datas ajudam a inspirar mudanças e ação:  tem em casa resíduos de madeira de que já não precisa?  Talvez um móvel ou caixas de vinho? As melhores alternativas são sempre reparar, reutilizar ou doar. Não sendo possível, é fundamental garantir que a madeira é reciclada corretamente, evitando que acabe em aterro ou seja queimada, libertando de imediato para a atmosfera o dióxido de carbono que a árvore sequestrou durante tantos anos.

As soluções são simples e estão ao alcance de todos:

Nunca colocar madeira juntamente com “o lixo”;

Depositar a madeira no ecocentro da sua área de residência ou concelho;

Requisitar o serviço de “monstros” fornecido (em muitos casos gratuitamente) pela câmara municipal ou junta de freguesia.

Sabia que os ecocentros dos grandes centros urbanos têm contentores específicos para a recolha de resíduos de madeira? Estes contentores são geridos pelas indústrias que os transformam em novos produtos e pode ter a certeza de que estão empenhados em os valorizar. Deposite qualquer tipo de madeira: posteriormente será realizada uma triagem.

Neste dia da reciclagem, planeie uma visita ao ecocentro ou ligue à sua câmara municipal –   o planeta agradece e a economia também: mais de 60 mil empregos estão ameaçados pela falta de madeira de pinho.