A queda acentuada da natalidade deixou de ser uma preocupação do futuro e  passou a ser uma crise do presente. No entanto, há algo que precisa de ser  esclarecido: existem soluções para contrariar esta tendência. Falta é vontade  política.

Falemos de Portugal. Um em cada seis casais enfrentam dificuldades em  engravidar, o que equivale a cerca de 10% da população em idade fértil. Muitos  destes casais veem-se confrontados com barreiras injustas: a falta de apoio por  parte do Estado, as longas listas de espera, a falta de acesso aos tratamentos no  Serviço Nacional de Saúde, e a ausência de apoios reais para quem quer recorrer a  clínicas privadas. Os incentivos financeiros que existem atualmente são  insuficientes e a rede pública está muito longe de conseguir dar uma resposta à  procura. O resultado é uma geração de jovens adultos empurrada para a  parentalidade tardia, que muitas vezes tarda em chegar ou então nunca chega.

Num plano macro, a natalidade é o motor silencioso de uma economia. Para  garantir a renovação da força de trabalho, para sustentar os sistemas de segurança  social, para dinamizar territórios e manter um país a mexer, é necessário que  nasçam bebés. Era necessário no passado, é necessário no presente e será  extremamente necessário no futuro. E é por isto que o apoio à fertilidade tem de  sair da esfera privada e passar a ser uma prioridade estratégica de que nos governa.

Trabalho diariamente com casais que querem ter filhos e não conseguem. E eu sei  que muito se pode fazer com medidas simples. Mais centros de procriação  medicamente assistida, mais campanhas de sensibilização, mais deduções fiscais  e apoios reais para quem tem de recorrer à medicina da fertilidade. Mas também é  urgente uma mudança de cultura política, que enfrente o tema sem tabus nem  preconceitos.

Portugal é um dos países mais envelhecidos e um dos que tem a menor  percentagem de crianças, 13%. O índice de envelhecimento mostra que há 187  idosos para cada 100 jovens. Portugal não pode resignar-se a um futuro sem filhos.  Temos os profissionais, temos o conhecimento e os meios para inverter esta  situação. O problema é que a natalidade não é uma das prioridades nacionais e a  fertilidade é tratada como uma questão menor. Portugal não pode resignar-se a um  futuro sem crianças e os casais não podem resignar-se à ideia de que se não  conseguem ter filhos, “era porque não tinha de ser”. O tempo de agir é agora!