Quem esteve ontem a acompanhar as eleições no Brasil que, devido ao voto eletrónico, foi debitando resultados on-line em tempo real, teve momentos em que pensou que o candidato Jair Bolsonaro poderia ganhar as eleições logo à primeira volta. O seu resultado chegou a estar nos 49%, enquanto o de Fernando Haddad, do PT, não descolava da casa 20 pontos percentuais (acabou com quase 30%). Temos, então, que esperar pelo “segundo turno”, desconfiando à partida que o que se vai ver de campanha eleitoral nas próximas semanas não vai ser nada bonito.

O caso do Brasil é peculiar: um dos homens na corrida ao Planalto não passa de uma sombra do verdadeiro candidato, Luiz Inácio Lula da Silva, condenado na justiça, preso e impedido de disputar eleições. Os problemas do Brasil estão relacionados com um história interminável de corrupção endémica que afeta todos os partidos do arco do poder, o PSDB, o PMDB, e, claro, o PT que está, no mínimo, tão implicado no escândalo de corrupção Lava Jato como qualquer outro partido.

Ora sendo o Partido dos Trabalhadores aquele em que os brasileiros depositaram a esperança num país mais impoluto, é natural que a condenação dramática de Lula, o líder mais carismático da democracia brasileira, tenha sido um espécie de machada final, que levou consigo a confiança nos partidos moderados (ou em alternativa, para os incondicionais do PT, na justiça). Acrescenta-se a estes elementos o facto de Brasília estar a passar por uma recessão grave, que se sente no bolso das famílias de todos os estratos sociais. E vale a pena não esquecer que o Brasil, apesar da criação do conceito de “classe C”, que pretendia designar uma vasta camada social originalmente pobre que viveu tempos um pouquinho mais desafogados nos mandatos do PT, continua a ter bolsas de pobreza demasiado grandes para passarem despercebidas. Basta ir a uma grande cidade.

Mais, a violência urbana no país tornou-se intolerável. Em 2017 morreram mais 59 mil pessoas em crimes violentos, um índice que coloca o Brasil entre os países com o maior número de homicídios do mundo, ainda que seja difícil precisar qual devido à disparidade das estatísticas publicadas. Sabe-se também que a migração brasileira para Portugal nos últimos anos se deve essencialmente a problemas de segurança e não económicos, como era tradicional.

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